Sexta-feira, Julho 10, 2009

Do amor e da guerra.

No amor e na guerra
Vale esta sorte
Ai de quem erra
Quem espera, é a morte.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Profissão: poeta.

Mirar o sol
Até ficar cego

E a escuridão,

Até ficar morno.
Depois
tornar ao início
E tentar tudo de novo.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Dos desejos.

Ser mais aguda
Que os picos da palavras

Mais cortante
Que a lâmina das dúvidas,

Mais incandescente
Que o gozo das caladas;

Eu quero

Essa força avassaladora
dos silêncios
Quando escalo por entre as letras
A alma nua.
Escorrego entre os dentes
E em sibilos acaricio a lingua tua
Se me pronuncias
No desalinho destes versos.

E no aconchego
ao frio dos estômagos vários
me tomo de paixão e denuncio
Antes do ponto, arrepio e precipito
Pontuando lágrima
Enternecida deste grito.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Das incertezas mudas.

Trago nuvens no estômago
e presságios bolinando as veias.

O coração esmurra o peito
querendo fugir à prisão das horas;

Tudo é nada, é silêncio.
Esse algo dando voltas
Sobre as margens conhecidas.

Tento entender porque você não ouviu
as reticências estridentes no meu olhar.
Tento descobrir se você não sentiu
que era preciso tão mais
que sonhar.

Volto ao círculo de impaciências
Que envolve o meu cansaço
E ata a minha urgência.

Sigo estes movimentos desordenados
e os silêncios agudos me perfuram,
Sem me responder nada.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Destes silêncios.

O tempo
Estalando seus braços de metal
Envolvendo ritmos e esperas.
As possibilidades
Armando botes,
Afiando as unhas
Na pele machucada
Das intensidades.

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Dos escuros.

Ou vir
da escuridão
nódoas de sereno

Adentrar o escuro,
Vir ou
Veneno.

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Das batalhas.

Afundei os dedos no corte
Enquanto as cores da morte
Drenavam todos os ais...

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Estréia.

Saquei da minha pena e...
TREMA!

EloqÜente,

Entrei em cena.


**(eu me recuso a abandoná-las!)

Segunda-feira, Maio 11, 2009

De rotas.

Buscar novo rumo
Voltar ao prumo.

Buscar outras rimas,
usar outros remos

Traçar novas rotas
Mudar o resumo.

Terça-feira, Maio 05, 2009

CARTA ABERTA.

"Carta aberta aos poetas
e aos poemas conjugados"

Tudo começou com algumas letras. Alguns sentimentos rasgando papel e tela,
ganhando formas, abrindo as asas na forma de versos. As teias vivas se
cruzaram e ganharam essa forma de rede que guarda hoje os nossos corações.
Fomos prosa e poesia, verso e trova. Fomos riso e lágrimas, fomos a urgência
das fomes, a comunhão dos avessos.
Nós, que todos já fomos os estranhos do ninho. Agora somos caminho.
Caminho para as incorporações da poesia nessa forma viva que nos habita.
E nesse 1° e 2° dias do mês de Maio do ano de dois mil e nove, grafado
com força inimaginável, o encontro. A comunhão de todas as saudades e alegrias.
Emocionados? É pouca, a palavra. Ficamos no avesso dos versos, florindo as peles.
Múcio, montanha que nos veio, facho de luz: obrigada. Você simplifica a vida.
Você versa a vida. Se permite e nos permitiu também. A doçura é tua.
Luciano? Todos nós somos gratos pela tua lealdade, tua dedicação, tua sensibilidade.
Sandra, nossa anfitriã mais que perfeita do dia 1°: Obrigada! Tua entrega à poesia se traduz nos gestos e no carinho que dedica à cada um de nós. Flor revelada.
Octávio, o que eu vou falar de você, menino, grande homem? A generosidade cora frente ao teu desvêlo. Doce e preciso, a grandeza do que é vem estampada na face. Obrigada. E obrigada Débora, tua companheira mais-que-perfeita, suave e forte na medida.
Czarina? Obrigada pela tua alegria. Pelos teus comentários de hora exata, pelo espanto que causa tão imenso conteúdo em tão singela doçúra. (sou fã).
Mirela, obrigada pelas tuas cores! Eu que andava tão embotada de saudades.
Fejones, menino. Você não imagina com que alegria que me espanto contigo. Com a "amadurescência" e alegria estampada na tua figura. Obrigada.
Keila...conversamos pouco, mas eu gosto tanto! A doçura quase disfarça a força.
Jardim, obrigada pela presença, pelas palavras e pelas flores que nos planta. E obrigada à Lysia, tua companheira linda e queridíssima.
Elaine, bonita! Obrigada. Foi bom poder compartilhar um pouco mais de ti. De fragilidade aparente e uma imensa força que nos faz acreditar na possibilidades.
Lubi, minha flor. A segurança vem crescendo nos teu olhos, a vida bordando um lindo caminho nas tuas letras. Obrigada.
Thiago, Samanta, Cíntia e demais amigos do Múcio que eu não conhecia: Obrigado por nos brindarem com sua alegria!
Rodolfo e esposa, obrigada pelos sorrisos fartos, pela delicadeza das palavras e dos gestos!
Moacir, goiano mais que querido, coisa linda, Patrícia, linda, indiazinha dos negros cabelos: obrigada. Por virem, por serem,por estarem. Pela alegria que espalham onde passam.
Luzzsh, eu não podeira esquecer: obrigada. Pela sua encantadora e doce presença, e por nos presentear com a presença da sua mãe queridíssima!!!!

E, Octávio: agradeça pelo carinho e pelo abraço de mundo da sua mãe-baiana-porreta!(E ela me desculpe no lançamento, eu tava muito tonta de câmera-girl com 3 câmeras, acabei faltando com um abraço indispensável!!!!)
E obrigada ainda, Octávio, pelo presente-surpresa Paulo Bomfim, poeta do meu sempre.

À todos que eu não citei nominalmente, que a minha memória teima em me deixar: OBRIGADA!!!

Como eu já disse antes: OBRIGADA POR SEREM.

Por esse encontro tão especial de pessoas tão especiais.
AMo vocês. Por favor não se percam de nós.

***TODAS AS ESTRELAS FULGURANTES***

Quarta-feira, Abril 29, 2009

EU VOU!!! (EU FUI !!!!!!!!!) emudeci de beleza tanta...

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Deboche.

Quisera ter sorte no jogo...
Mas foi me azarar,
O amor!

Quinta-feira, Abril 16, 2009

De longe.

E que seja certo
Esse estar sempre
Esse querer incerto
Esse amor fluente
De querer-te bem
Sem saber-te perto.

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Do amor à poesia.

Cravar os dentes bem no cerne das palavras
Saborear as palavras picantes cavalgando a língua
E lambuzar-se de doçuras.

Embriagar-se das mentiras mais sinceras,
Absorver-lhes o inebriante veneno.

Tomar da poesia em goles grandes e fartos,
deixá-la escorrer pela pele, cobrindo o colo,
a voz, a vez, o sexo.

Saciar papilas, reverberar cordas laríngeas,
Adensar a alma espremendo-a palavra adentro.

Palavras são fragmentos da alma encapsulados.
Quando poesia, dipostas em harmonia de versos.

Terça-feira, Março 31, 2009

O SEGREDO DO NEGÓCIO.

Ô nêgo...
É o cio
que me faz
Negar o ócio.

Sábado, Março 21, 2009

Você

Inspira
Ação.

Quarta-feira, Março 11, 2009

De tudo

E de tanto
transversa:

Canto, pois faz sol.
Quando chove, pranto.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Espera lasciva.

E falando desse jeito velado,
que o corpo tem de gritar.

São bicos de seios crispados
E uns pêlos eriçados de revelar.

É a boca que se morde muda,
os lábios que umedecem
de fazer corar.

O brilho não se esconde no olho,
a ansiedade nos suspiros que encolho
Nessa espera do teu regressar.

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Faces.

Sou.
Soul
.
Sul

ao

Sol.
Somos
sons:
Sonoros
"sim's"
e sinestésicos
"In"
sensos.



Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Tentativas.

Com verso
Com Tigo
Com Igo
Tentei o inverso,
e agora,
. com
Sigo.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Escarlate.


rodopiar um corpo louco
boca silenciosa

orquestra e completude

mãos que guiam

olhar ilude

sem saber, só querer tu dança

eu danço

giramundo, giramentes

giratudo

minha carne e a tua

falam esperanto

hay milonga de amor

hay encanto

hay tu cuerpo en mi mano

hay un tango.



**Ganhei de presente.
DELE, DOCCA DEVILKIN

Obrigada, poeta!!! Estrelas, estrelas!!!

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Das tramas.

Em silêncio observo
Teias que se tramam.
Em tristeza, me enervo:
Por que atacar os que amam?

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Dois incêndios.

Você, chama.
Eu, fogo.

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Amor daçado.

Amor dá:
sei.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Inverso

Tem isso de ser
exatamente assim:
isso de ser
o verso mais "in".

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Poema-grilado.

Todo poema é um grilo noturno
perfeito no contexto,
inquieto no conteúdo,
incômodo aos demais.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

Coordenadas.

Querendo rimar quem sou
Perdi-me nos passos
E em destraços soo.

E por querer rumo sul
Abri o compasso
Buscando "I love you"

Agora desfaço
O cansaço e te doo
Minha rota azul
E meu plano de voo.

Ps:. Como eu sinto falta dos meus circunflexos e tremas!!!

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

Calafrio.

Calei, frio,
todo o canto dos cristais
todos os sonhos imortais.

Calei, frio.
Pela espinha,
circulando a turbulência
dos pavores ancestrais.

Calei, frio.
Suando vertigens,
O temor mascarado
dos desiguais.

Domingo, Dezembro 28, 2008

Poeiras, poemas.

Soul
Pó & SIA.


**Queridos....
Devido à interpretações "erradas" que me façam aqui, explico:

Pó & SIA = Po E SIA, por isso SIA com "S".......ai, ai.

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

A janelinha.

Hoje me abriu um vazio e um silêncio,

As mãos ausentes das tuas,

A falta daquele abraço de natal tão familiar.


Já faz um tempo, vó, eu sei.

Mas é que os teus ensinamentos seguem

Setas do meu caminho,

Passos de caminhar.


Doeu um bom tanto a saudade.

Aí busquei no céu,

Uma janelinha pra te abraçar.


**Para minha avó, que voltou a ser anjo num dia 23 de Dezembro de alguns anos atrás.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Mínima

Resumir
Redesenhar
Definir
Até restar
apenas
Sentir.

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Verborragia.

Um balde,
por favor.

As palavras, sumarentas,
fogem da garganta, às golfadas.

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Dos escritos.

Sol_letrar o verso,
iluminar o vórtice
Desse escrever
Que é vício.

Verso, meu vício
do amor, ofício.

Terça-feira, Dezembro 09, 2008

Insistente.

Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Entre hematomas,
meu coração celebra a vida.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Adaga.

Dar fio às palavras,
ver luzir na superfície
a (cor)tante das verdades.

Dar fio às palavras,
dividir o silêncio ao meio
reverberando as coordenadas.

Dar fio às palavras,
perfurar os tímpanos
com a lucidez das metáforas.

Dar fio às palavras,
colorir os versos que ainda eu risco
e tingir de sangue as declarações de amor
cortar a garganta das censuras
e aclamar os verbos,
desafi(n)ar a dor.

Dar fio às palavras,
Alinhar as sílabas,
De_compor.

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

Palavras...

Tem aqueles dias de palavras mansas
que sozinhas montam sonetos.

Tem aqueles dias vermelhos,
onde você solta a palavra no vento

E corre para salvar os calcanhares.

Tem aqueles dia que as palavras não dizem,
Calam-se abraçando olhares,

E tem aqueles dias
Minhas palavras deslizam macias na tua língua,
escrevendo volúpias no céu da boca.

Tem dias em que palavras,
são o cultivo milenar das horas
florindo vocábulos distraídos.

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Amor em papel e caneta.

E dentro do papel a velha espera,
Um emaranhado de fibras vorazes pede tinta.

A caneta inocente entrega-se ao beijo, morte lenta,
à brancura angelical e às linhas frescas.

O papel, de diabólicas imagens suga-lhe a seiva,

Bebe o céu contido nesses beijos,
Se declara e oferece o peito aberto.


Envolvida e misturada ao seu anseio,

Beija e se declara, comovida

Mil versos de paixão mal resolvida,

Para entregar, num suspiro derradeiro,

Todo seu mel ao papel tão traiçoeiro,
Que lhe arrebata, enfim, o azul inteiro.

Domingo, Novembro 16, 2008

Cão sem dono.

A poesia é uma cão sem dono,
vagando a liberdade abandonada das veias.

As metástases desse sentimento empoemado,
a febre que nos rodeia, a palavra que ergue os dentes,
do verso que dilacera o juízo e espuma ausências.

E depois vem poema, lambendo as reticências,
abanando incertezas nos olhos tristes de espera.

A poesia é cão sem dono e sem abrigo,
esse cão itinerante das vontades,
uivando a solitude dos sentidos.

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

E quando as palavras tépidas
esbarrarem sussurros no teu arrepio
Eu vou escorregar dentro
dos teus olhos, cordilheiras,
E vou alçançar o horizonte
pela fresta dos teus medos.
À noite, quando a febre visitar tua insônia
Beberei dos teus dedos a fúria dos sentidos
Inquietando ondulações da táctil alma.
Depois, lento, o sabor invadindo tua veia
O calor à espreita na tocaia
E a vida, armando sua teia.

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Momentos.

Tudo tão,
e eu nem.
Tudo enfim,
você, também.
Tudo então,
aqui, ninguém.
Tudo assim,
e sem porém
Em silêncio,
Repito: amém.

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Círculos.



Essa eternidade agarrada aos nossos dedos.
_____________________aos nossos medos.

Essa eternidade engole por um instante a sombra.
____________________por um instante assombra.

Esse eternidade que nunca fez segredo, é sua.
_______________________________é minha.

Essa eternidade é um círculo,
E pode ser o amor, um conceito.
Pode ser que.
Escrevam.
Discutam.
Teorizem.
Esperneiem.

Mas o que eu sei dor amor,
_____________________só soube,
___________________________amando.

Quinta-feira, Outubro 30, 2008

I can fly.

De alinhar avessos,
Até arder reticências.
De desalinhar versos,
Até desabotoar as frases.
De alimentar metáforas
Até engolir unânimes juízos.

Até abrir as asas contra a luminária estupefacta
E alçar céus de violetas lentas,
violados centros sentidos,
violentos sempre sofridos.
Violáceos certos gemidos.

E guardar as asas delicadas sob a inquietude do vôo
extenuar-me sol, mente comungando hipótese,
exasperar-me sal, de ar, dentes cravejando distâncias
extinguir-me se, mente planejando prima ver em cores.

E quando a dor, mexer os nãos suavemente,
Para o redemoinho de encontro - ar,
Derreter parcelas afastadas
Permitir às penas
Acreditar

Fecho as incapacidades
Estendo as mãos sobre o tempo
e e percebo que posso voar.

Sexta-feira, Outubro 24, 2008

O preço da liberdade.

E liberdade de quê?
Liberdade do amor?
Ou de amar?
Vale a pena ser livre,
Ou, amando, voar?

Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Abraçando, ainda.

Poesia pode ser uma tentativa de abraçar o mundo com palavras.

Terça-feira, Outubro 14, 2008

Ternuras.

É terno
Ter na mente
Eterna idade
Amor crescente.

Sexta-feira, Outubro 10, 2008

De abraçar.

...um abraço guarda um tudo,
um abraço é derrubar um muro,
abrir os portões da alma,
despir-se de mundo.
Um abraço é baixar a guarda,
permitir que dois corações unam ritmos,
que as intimidades se reconheçam,
que as digitais do corpo imprimam
marcas noutro corpo.
Abraçar é amor, é amar.
É abrir, revelar.
Abraçar é a nossa tentativa mais próxima
De um ser só, de união.

(e de tentar - como disse minha querida Czarina)

Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Apenas sei

que esse amor,
meu doce,

É terno.

Terça-feira, Setembro 23, 2008

Das ausências.

SÓ,
CORRO.

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Emergente

Contra tempo
Encontre tempo
De a ré, invente
Faço de novo
Um poema
Diferente.

Contratempo
Econtra a gente
Prá sorrir
Até o dente
E se comovo
É nova mente.

Contra tempo
Entre e tente
Contraprovo
Que alegria é
Ex-poente.

Segunda-feira, Setembro 08, 2008

Dos rumos.

Tinha esses dias guardados como se fossem imprescindíveis. Veio o vento, o amanhecer do outro dia, uma folha que caiu, uma curva que mudou e nenhum rumo mais se encontra perto daquelas esperanças urgentes de ontem. E as coisas pareciam ser tão mais precisas. Eu continuo assim completamente densa, mas as coisas me atravessam cada vez mais líquidas. O pensamento segue assim, fluido, se ajeitando às expectativas. Você mudou minhas repostas e o trilho dos meus versos. Sim. Eu quis, ardi trançando a espera dessa incandescência, e agora os pêlos sentinelas temem o aconchego das tuas mãos. É que o sempre tem uma sombra tão comprida, e essas curvas que não me deixam ver adiante. Eu, que sempre fui de horizontes. Mas eu vou conversando com as distâncias e elas me falam de tantas possibilidades, de sorrisos intensos como essas palavras, de lágrimas temperadas de tanta história, que eu quase posso provar o sabor dos próximos capítulos. Mas as nossas pegadas é que vão ditando os próximos parágrafos. E entre uma vírgula que ficou engasgada e as reticências que não me disseram nada, balanço entre exclamações buscando pontuar nossas encruzilhadas. Deve ser assim, esse tamanho todo que eu queria. Fecho os olhos e sinto tua palavra macia roçando meu cabelo, mergulho os dedos e posso sentir teu amor colorindo a minha pele. E quando eu sinto um sorriso eu abro os olhos e quase posso ver a vida, ventando nas cavalgadas, passando rápido quando a gente é feliz.

Quinta-feira, Setembro 04, 2008

Sem estrelas...

Perdoem essa minha falta de estrelas,
Mas é que a noite desceu tão, mas tão escura.....

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Das distâncias.

E nessa falta de ar
O som abafado dos delírios
Correndo aflitos pelas janelas
Rebrilhando futuro distante
Buscando exílio desse verbo amar.

O brilho da tua lágrima
viaja anos-luz,
margeando os silêncios,
buracos-negros de inquietação par
Para rasgar meu universo ao meio,
Para tirar os versos do lugar.

E ainda que te busque
as digitais da ausência insistem
em tocar, lascivas, toda ardência.
O tempo murmura preces e promessas,
sorrateiro e esquivo em cada frase
que eu dito ao vento.

Tomo as mãos da noite,
Para riscar no avesso da história
Finais felizes que decorei
Enquanto lia os arrepios
E os sorrisos pregados na memória.

Ainda é cedo, meu amor.
Tantas pegadas
ainda nem se descolaram dos passos,
E primaveras ainda nos farão flores
para morar entre as nossas páginas.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Da solidão.

E de poema tinge a boca
Em carmim e fome louca
É nesses versos se derrama
E geme, e chama
A cada letra se arrepia
E o sexo inflama.
É nessa noite acorda a lua
Veste seu corpo a prata nua.
Nas mãos que buscam gozo,
ordinárias,
Crescem sussurros,
brotam ais imaginários
Calam vazios
Nasce o urro solitário.
Recolhe as garras
Amansa os dentes
Acende as luzes,
olha no espelho:
A sua amante
batom desfeito,
dor publicada,
borrão vermelho.

Terça-feira, Julho 29, 2008

Das doçuras.

Nunca houvera doce mais doce.
Você
Fosse o que fosse.

*Para Múcio Góes

Terça-feira, Julho 15, 2008

Quando enfim.

Quando escrever era o exercício diário
De uma dor humana, verso ordinário.

Quando a dor era uma rima constante
E te roguei cor
Prá disfarçar nosso instante.

Quando eu não quis mais rimar poemas
E vesti os teus olhos
Olhar de preces tão serenas.

Foi quando eu quis seguir só, adiante,
E os passos se perderam nos seus, bastante.

E não bastasse a dissonância
Da tua ausência, e a distância,
O coração ancorado no verso
E todo amor declarando infância.

E quando enfim olhos nos meus
entendi que meus passos são seus,
apaguei a espera e o adeus.

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Até a volta.

Um universo em translação.
Trans.
Lúcido.
Toda a agitação a buscar
pá.
Ciência.
Mas é que o amor me morde,
Dor.
Avante.
Enquanto ainda estiver só,
Dê.
Mente.
Espero pra fazer sol
Ri.
dente.
Volta logo que é
terna a
mente.
Todo o amor que vi
Na
(S)cente.

Segunda-feira, Junho 23, 2008

Um dia eu escrevi mais ou menos assim, prá ela:

Eu passeio meu dedos pelas horas e as palavras tateiam teus fios formando renda.
Porque não é nada não. Às vezes a vida dói assim um pouquinho ou mais, quase isso de misturar céu com o sangue e ferir as imagens que não podemos mais.
Tem que ser o que cabe no abraço, senão o coração derrama, e olha a bagunça que faz!
A Briza toda derramada e eu te dissolvo num abraço apertado pra te inflar novamente num soluço de risos.
Agora:
Olhe! Foi-se teu pensamento borboleta assoprar outros risos!

Não chora ainda não
que mais ali na frente
Nós vamos cantar.
Eu sei (nunca)
Mas eu canto.

Estrela.
Prá menina bonita.


**Né, Bri?

Quarta-feira, Junho 11, 2008

Sobre tristeza.

Tristeza é perder os passos
Quando se tenta apontar direções.


Tristeza é aquele silêncio
Entre a sístole e a diástole.


Tristeza é alcançar a flor
E ver em seguida caírem as pétalas.


Tristeza, mesmo,
É uma agulha que alinhava as lágrimas por dentro.


Tristeza é um espaço imenso
Que nem eco encontra volta.


Tristeza é quando você tenta abraçar
E quebra ossos, versos e tentativas.


Tristeza costuma ser isso que te afasta
E te traz insuportavelmente perto,
É isso que anula enquanto precipita,
É essa ânsia de frio
Quando dentro expõe entranha
E chora.

É tudo, no entanto, que eu já não. É pranto.
É tudo que hoje cala, quando eu canto.
É tudo que silencia,
E eu, tanto.

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Do amor pleno.

Eu queria trançar nas fibras do papel esse amor.
Eu queria saber dizê-lo, contorná-lo.
Queria conhecer sua forma e suas margens.

Mas é tão longe o horizonte
E eu aqui no meio do sentir, tão submersa.
Tão à revelia do para sempre.
É certo que as palavras fugiram de mim,
Subiram como hera sobre a respiração
Trancando os versos, a necessidade solene
De encadear belezas sobre a fibra virgem.

Eu me rendo,
Eu já sou tão sua.
Amor que me assoma,
Alma já tão nua.

Eu sigo meus passos,
Meu passo é dentro,
A solidão em coma
E essa certeza crua.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Dos silêncios.

É a poesia que me assoma,
Que me salva.
Mas intensidade também
Precisa pausa.


**Mesmo porque, agora,
fiz um pacto com o destino:
Ele me devolve o sorriso,
E eu adoço as cores que rimo!

Quinta-feira, Maio 01, 2008

Morde.

Saudade tanta, assim

que late, late

E às vezes morde.

Quarta-feira, Abril 23, 2008

Naufrágio.

Meu coração é hoje um naufrágio,
é todo peso e profundeza
arrastando consigo meus olhos,
meus pensamentos e minhas vontades.

Meu coração hoje tem toda a agonia das marés
O desespero nebuloso das tempestades,
A melancolia das raízes que descobrem o ar.

Meu coração é hoje a tua ausência,
Recolhido em trovoadas rabugentas
para pensar.

Meu coração é hoje meu naufrágio,
e vai tão cansado
de busc_a(r)_ mar.

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Não venceu a maldade?

O que é que se faz
Quando tudo o que se inventa
tem o mesmo cheiro?
Todas as podres delícias,
que tem início em Janeiro
e assim empesteiam o ar
pelo ano inteiro.
Assim.
De um lado, a acidez maldosa
do outro, o espelho.
De humano basta.
E de onde vem?
Sobe pelas narinas
essa sensação nauseante
a consciência ferina
dessa nódoa estampada
em cada pensamento
e a cada dia refeita.
Não venceu, a maldade?
Não infiltrou-se,
silenciosamente,
buscando abrigo em cada dúvida,
em cada fração de humanidade,
em cada ocasião,
fazendo corruptíveis
todas as células e ações,
emoções e nervos?
Não venceu a maldade,
substituindo os valores,
alimentando fomes fúteis,
violando tratados selados
pelo coração dos homens?
Eu busco a resposta negativa,
Mas em seu lugar,
acena o silêncio.

Quarta-feira, Março 26, 2008

Dentro da linha.

Verso me vive
Inventa a vez,
Destila a voz.
Vacina fez
De duvidar,
Feroz.
Verso me vive
No vácuo do vôo
Anulo o solstício,
Engulo, entôo,
Um verso físico
Prá me lançar na foz.
Verso me vive
Vicia o cio
Morde na risca
O que não perdôo.
Verso me vive
A singrar as sínteses,
Verbalizando a dor.
Verso me vive
E em rimar
insiste a cor.

Terça-feira, Março 11, 2008

Livre.

Eu ouso.
Você não.

Eu repouso.
Você, tensão.

Eu, ou.
Você são.

Você pouso.
Eu avião.

Você tenta...
E eu te(a)nt(a)ção.

Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Minifesto.

Profundamente a ponteira aperta o peito, afundando a angústia como um grande parafuso enferrujado e lento apreciando o revolver dessas coisas tão imensas. Enquanto isso um pássaro canta fora de hora, na indústria é preciso destruir ovos, ninhos e filhotes dos pássaros sem controle que infestaram o forro e os beirais. Sem controle. É que já não há lugar para corujas, lagartos, gaviões. A paisagem dobrou-se para agradar aos pés do seu insensato mestre. O mesmo mestre que vai pagar altíssimos preços por suas próprias obras, como num capricho de narcisismo irrefutável. Eu vou aqui me apequenando ao som das horas, sabendo o amor próximo, a vida bela e curta. Preciso muito ser egoísta, fugir depressa das garras da consciência que me acusa incansavelmente, “humana”, “humana”, “humana”. Eu preciso esquecer a crueldade para apreciar os sabores, preciso esquecer o lamento das águas para apreciar a grandiosidade das represas, preciso urgentemente parar com isso, isso de tentar justificar o mundo frente ao espelho. Eu sou a menor parte. Eu queria esquecer que a esfera transformou-se numa panela fechada, que vai esquentar, ferver e evaporar até secar. Ou ainda haverá descuidos, antes. E aprender a cerrar os olhos e sonhar milagres, porque eu vivo os milagres todo dia. O amor, o saber, o sorriso. Mas eu. Eu sou a menor parte. E eu sangro.

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Profissão

Verso,

Meu vício:

Do amor,

Ofício.

Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

Exílio interno.

Longe, tão longe,
tantas milhas abaixo da alma.
Essa vida abafada,
Esse som rouco de hora que não passa.

Esse quê arranhando as paredes,
dores antigas ruborizando
florescências sobre a pele.

Cansaço permanente de escuro morno,
Reunião abissal das coisas que nos sentem.


Um rio sem deitar leito me agita,
Ave sem retorno descubrindo aridez no ninho.
E de alado pensamento entôo
Esse cantar diário sem primavera que abrigue.

Quando de repente se esquece o caminho,
E perder-se seria questão de um rumo.
Apenas esse cair constante, e eu nem chuva,
eu, como chumbo soldando, sangro.

Com meu peso de todas as ausências

vou quedando tudo o que sou,
À revelia das distâncias pontuo,
Sem me encontrar reticências.

É quando me ensurdece o silêncio

Dobrando cada esquina de noite,
E em nada sôo.

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Dois prá lá...

As duas mãos sobre o coração frágil, apertando.
Sufocamento quase inevitável.

As tristezas em suicídio coletivo,
Atirando-se do mais alto dos olhares.

Enquanto você não vem,
eu vou separando os dias,
dois prá lá, vem prá cá.

Sábado, Janeiro 05, 2008

É você.

O que, como te dizer?

Que você foi crescendo dentro dos meus dias até preencher todos os espaços?
Que a tua falta é a latência permanente, um silêncio que grita, um vazio que sente?

Já houve o momento em que eu pensei que eu tinha inventado todo esse sentimento em mim. Já houve o momento de confusão, seguido de dor. Uma dor aguda que eu não podia entender. Aos poucos pude recobrar o fôlego e fixar de novo os olhos prá de novo poder ver. É você. Sempre foi você. Só pode ser você. E a história toda dolorida e encantada, como tinha de ser prá fixar as tuas raízes bem fundo, onde eu nem pudesse mais saber se era eu ou você. Então, um só.
Eu não discuto mais com o destino. Ele me trouxe você, apesar de qualquer distância. A vida me entregou de bandeja o grande amor, pelo qual vivem e morrem todos os seres.

Essa ausência vai bordando cicatrizes dentro, e as lágrimas tentam levar a dor: ao mesmo tempo eu abro meu maior sorriso, prá você, por você porque você. E é feliz quem tem saudade, quem pode sentir rasgar-se por inteiro, porque sabe que será. Esse amor veio prá realizar, acontecer, ser inteiro.

AMO você assim, maior e permanente, o amor que caminhou todos os versos e espantou todo meu sono. AMO você assim, com todo fio dos sentidos e a amplitude dos minutos, estancados do meu pulso no momento em que ousamos ressonância.

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Resoluções de ano novo.

Um ano novo.

Onde eu quero me enganar de novo.
E errar, tentar, acertar, cair, levantar.
Onde eu possa ser sol
e chover de mansinho
"sem ninguém saber por quê".

Mais um ano prá iluminar os lábios com meu carmim
Mais um ano prá adocicar os amargos,
Colorir meu nankim.

Mais um ano eu passo,
Mais um ano aterrisa em mim.
Mais um ano pra me passar a perna
prá me pegar no colo
Prá me lembrar as morenices
Que deixei, amor, derramadas no teu peito.

Esse ano eu quero amar mais e maior,
Quero entender meus defeitos
Que afinal, nossos feitos,
São prá quando a gente quer ser melhor.

Esse ano eu quero rir mais largo
E quero andar mais à toa
Eu quero ficar de boa,
Quando for prá engolir o amargo.

Esse ano eu quero lembrar
(mais uma vez)
Porque é que a gente nasce chorando
Se no final das contas
Quer viver tudo outra vez.

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

Sou.

Eu sou uma fração do agora.
Sou parte do acontecido.

Acontecimento.


Urgência encarnada na boca.

Carmim.

Eu sou norte, eu caminho em mim
buscando sentido, me afasto de tudo.
Eu encontro existência na areia,
e o mundo desabrocha sob meus passos,
Como se fosse primavera:
Eu tenho sorte.

Eu amo
.
..
...
Derramo
.
..
...
Estrelas.

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Para a moça.

Ah, meu amor.

Prá você eu também digo:
abre todas as portas e as janelas.
Deixa a tristeza passar por ti, minha pequena. Não segure as mãos, não olhe demais nos olhos da fera. Abre as portas e o coração, abre os olhos, deixa ela passar. Ela vai devastar o que encontrar por cima, tristeza é besta fera, se não encontra colo, quebra. Mas é só o de cima que ela desmancha. Você leva um sorriso prá dentro de você. Ela não vai poder derrubar. E aí, depois de tudo vc sai: e começa de novo.
Eu sei. Sei o que é acordar sem ter sonhos e desejar voltar. Mas é quando a gente dá abrigo à tristeza. Abre a porta, deixa ela passar. Tristeza é fluida, não represe. Abre os olhos agora.
Inspira. Vê?
Milagre: é vida.
Olha no espelho, enxerga:
alma sua, todinha.
Olha na janela:
Não, as pessoas que andam,
brincam ou sofrem lá em baixo,
não são medíocres. São pequenos milagres ambulantes. Pequenos universos que podem ser desvendados pelo teu sorriso.
Quando a gente oferece tempo demais à tristeza ela não esquece...se o de dentro dói, vive o de fora! Plante em alguém um sorriso, cultive carinhos. Eles estendem as flores e os brotos novos para o seu dentro. O amor não é só o romântico. É amar. Só. Começa fora quando dentro dói e volta prá dentro. AMA. Entrega tua alma e vê. Quem te precisa? Tanta gente de alma à beira da morte precisa de um sorriso teu. Essa morte lenta do espírito. Quando você não tiver mais nada, dê. Dê de si, é o segredo. A dor se assusta com a bondade. A tristeza teme o amor.
Acredita em mim se eu te falo, minha pequena.
O céu se veste de azul para os teus olhos.
As folhas mergulham de um balé único e acrobático do alto de suas copas, suspirando pelo teu olhar.
As folhas se dobram branquinhas ante as tuas mãos pedindo tuas letras,
teu amor, teu viver.
Ponha um pouco de cor na ponta dos dedos, experimenta abraçar antes de esperar o abraço. A ponta de um sorriso pode começar na solidão de um, pincelada na tristeza d'outro e unida pelo abraço. *Um uníssono com a vida, amar, se aprende amando*.
Aqui dói também...
Mas eu já aprendi que passa.

AMo.

***Todas as estrelas***

Terça-feira, Dezembro 04, 2007

PLÁGIO

PLÁGIO

ATENÇÃO, FUI PLAGIADA:

ESSA MOÇA É UMA FARSA, ME AJUDEM A DENUNCIAR:

http://pachequices.blogspot.com/2007_10_01_archive.html#5901739886459683303

O TEXTO INTITULADO " ESGOTOU-SE" É MEU, COM CERTAS MODIFICAÇÕES,. AJUDEM A DIVULGAR A CARA-DE-PAU!!!!!!!!!!!!!PLÁGIO E VIOLAÇÃO DOS DIREITOS AUTORAIS É CRIME!!!!!!!!!

MEU TEXTO: "FELIZ ANIVERSÁRIO", DEDICADO AO MEU IRMÃO, ESCRITO EM 23 DE SETEMBRO. CONFIRAM.

Terça-feira, Novembro 27, 2007

Da volta e o vazio.

Voltando à velha falta de ar causada pela tua ausência,
E tua impressão em digitais claustrofóbica.
Um pêndulo no peito
Auscuta os espaços que se alongam.

Toda noite a pele te procura derretendo os lençóis
E quando pensa tocar-te em segredo de sonho,
A manhã descobre o esconderijo do amor
Gritando estridente as horas de mais um dia ausente de nós.

Mas eu guardei um pouco de ti
Sob a minha pele, minhas unhas e meu silêncio
A memória colada em recortes sobre as retinas
Prá quando não houvesse palavras de tocar.
Então eu silencio,
ouvindo a tua música que ficou vibrando nos tímpanos,
E tento imitar um sorriso que se contorna de lágrima.

Todo o resto é saudade.
E essa insossa sucessão de esperas.

Domingo, Novembro 11, 2007

Fui por aí.

É porque você verso
E valsa, insiste.

Vai rodopiando a letra triste
Versando amor
Que sussurando teu sabor
Persiste...

Num movimento impensado
Desço da dança.


E se alguém perguntar por mim
Diz só que eu fui.


É que quem tem vai por aí.
Amor.

Tava me chamando assim, sabe?
Uma voz doce.
Quem resiste?

Fui por aí.



Uma volta no mundo,
um mergulho bem fundo,
Que eu só de incêndio,
A (s) cendo.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

Estrelas abertas.

Então tá.
Chega.
Cansei de esperar o amor.


Se alguém perguntar
Eu saí.
Fui ali buscar.


Abri a porta,
Saí de mim,
Tomei carona
Nas estrelas e parti:
Viajei para o amor,
Destranquei o segredo,
Abri a gaiola dos medos,
Despi a lógica.

Se alguém perguntar,

Segui sorrindo,
Não estou mentindo,
Fui ser feliz.

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Sem você.

Ando de besteira em besteira,
Tentando, sem você, ser inteira...

Sábado, Novembro 03, 2007

Da ansiedade.

Como se ainda houvesse em meus dedos o espetáculo crepuscular dos teus acontecimentos.
Ouço teus passos distantes, como um sonoro não desenrolando o novelo das horas.

Entenda.

O início ainda plasmava a substância inútil quando teu verbo abandonou minha plenitude.
Agora segue o ponteiro reincidente sobre o tempo que insiste em teimar distâncias.
A tarde joga suas peças, alheia aos meus nervos embaralhados sobre a carne.

Tudo segue em paz.

Exceto o reflexo borrado do teu sorriso
Nos meus olhos.

Terça-feira, Outubro 23, 2007

Para você.

Então abre as tuas mãos e deixa o vento ir.
É preciso ainda que ele acarinhe outras despedidas
Antes de confundir a saudade em teus cabelos.

Abre os olhos e permite o salto dessa lágrima:
Ela tem sede do chão e de fundir-se ao mundo...
Não a guarde só para sí na penumbra do teu dentro.

Inspira essa urgência das coisas, deixa a vida passear em ti.
Ela anda curiosa dos teus silêncios e dessa pausa,
Essa vírgula que se abriu na tua alma,
Separando o ser e o riso.

Olha.
Vem sentir na pele essa chuva que é a libertação
De todos os choros enclausurados, do suor dos esquecidos,
É a essência do mundo vestindo tuas idéias.
Toma para ti essas histórias e vê como é fluido o tempo.

É uma hora azul agora,
porque a bordei com esse fiapo que escorreu do olhar
de um oceano inquieto com reflexo celeste do horizonte.
As tuas horas podem colorir-se de histórias.
Basta que tenha a paciência de abrir os dedos,
e descobrir as cores ansiosas nos teus medos.

Não é preciso fechar a porta:
As tuas pegadas desmancham distâncias,
Assim,
como se fossem parte do caminho.

Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Eu queria que você pudesse
sentir o cheiro do meu cabelo.
Ele hoje brinca de chocolate
e bem poderia derreter entre os teus dedos.

Eu queria te dar o gosto tinto da minha boca
Para impregnar minha essência em teus sentidos.

Mas você é tão longe.
E os meus suspiros quase não alcançam
A fome publicada nas tuas mãos,
retesando a carne.
Ouve enquanto eu derreto a espera
adocicando meus dedos com as tuas vontades.

-Não demora-
É o delicado o aroma da tarde
Brindando vazios sobre os ardumes.
-Não demora-
É pesado o tapa calado da tarde
Multiplicando os minutos
Entre as nossas horas.

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Eternidades divididas.

Eu quero que o eco do teu sorriso forme uma arco
E, unindo nossos absurdos
Cristalize em sol a eternidade da tua volta.

Eu quero abrir meus braços e abrigar todo o teu silêncio
No macio mais doce dos meus sussurros.

Eu quero invadir tua veia e tingir tua lógica
Com a fome mais insana dos meus beijos.

Eu quero ser estrela,
meu amor,
iluminando o caminho dos teus olhos.

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

Do amor pausado.

Toma.
Meu desejo está construído de partida,
e é uma lâmina dolorida a alegria plena
-E breve -
De te amar esse instante antes da eternidade.
Os pulsos seguem ritmando a saudade:
Perdi as linhas e o compassso do que deveria dizer.
Olha
É cristalino o sorriso que se funde à lágrima
Selando a branca espera, sinfonia fecunda em Si
Enquanto eu moldo o teu abraço na ausência
Para acomodar meus soluços.
Amor,
Teu beijo,
Vírgula mais feliz da página,
Sangrando meu lábio na frase,
antes de continuar a história.

Segunda-feira, Setembro 24, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO.

Atravessa o vendaval das horas.
Prá ti,a data crava os dentes no tempo,
Marcando novamente os pulsos
Com a viagem que nasce programada.

O tempo nada tem de sutil:
Traça caminhos na cara
Escreve com borrões
E nos troca os passos.

Mas sabe também desenhar azuis
E descrever belos contornos
Que se assememelham ao riso,
Matéria bruta de sonho.

É com os dentes de dilacerar
Que lapida as almas mais bonitas.
Acredita então na alegria, não no penar.

Só desistir não pode escorrer das páginas,
que enquanto é escrita a história
Sempre pode haver
Mais uma página,
Mais um personagem
Mais um caminho,
Mais uma paisagem.

Enquanto não for escrito fim
Sempre cabe mais um sorriso na memória.

Te amo, irmão.
Feliz Aniversário. Seja feliz não só uma data, Mas uma história.

**Estrelas**

Prá ele, PAREDRO

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Da linha reta.

Eu prezo a cara limpa.
A consiência aérea.
A dúvida etérea,
Com a retidão dos passos.

À boca pequena
a maledicência, o susurro,
o lucro come a ética:
embola o estômago.

Espírito inflama quieto
Na explosão nem é discreto
Cara à tapa, e arde:
Eu não me escondo,
Coisa de quem fez por onde
De quem é covarde.

Eu prefiro o ângulo agudo das palavras
E o corte claro da honestidade.

Erro sim:
Muito.
E para os erros,
aprender e perdoar.

Mas dissimular não peçam,
Não me adoça o paladar.

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Meu amor.

Bom vai ser quando eu puder descolar os silêncios que grudaram sobre a pele. Lavar o sal seco dos poros para receber teus sussurros. Bom vai ser quando a pele reconhecer teu nome, esticando os pêlos para tocar as suas mãos. Quando os músculos puderem desmanchar a contração da ausência para se misturarem ao teu peso, aos teus dentes. Bom vai ser, meu amor, quando eu perceber de novo as cores pelo filtro mágico do teu olhar. Quando o sorriso não for mais visita, e ocupar os lábios e os capítulos. Quando as agonias fizerem as malas e deixarem o seu lugar, eu vou pintar o dentro de sonhos e perfumar de esperanças, meu amor, o seu ficar.

Terça-feira, Setembro 11, 2007

De um momento triste.

Não há nada, meu amor,
Nada dentro da noite escura.
O vento reclama triste,
O vinho sela amarguras na língua,
A lágrima sulca, doce,
O caminho conhecido dos anos.

O suspiro morre o peito e arde,
Enquanto todas as coisas mergulham
Fechando sobre si os fios
que pesam o coração em vazio.

E não há nada, meu amor.
Nada dentro da noite escura.

Um nada a dissolver ossos e angústias,
Nada lambendo incertezas,
com olhar amarelado de rato.

Nada florindo hematomas sobre o sonho,
Meu amor,
E sobre o nada,
a noite dura.

Domingo, Setembro 02, 2007

Da música corporal.

Acorda-me em SOL, amor,

REnde meu corpo sustenido,

Derrama em MInha boca

Teu amor bemol...



se prende

Onde é desFAzer tua morada.

Provoca meu mais lírico sentido:

Em SI, reúna a explosão dos nossos versos,

Regendo a sísmica impressão da sinfonia.

Segunda-feira, Agosto 27, 2007

Da manhã silenciosa.

Eu me tansfiguro em silêncios tensos:
Roucos, nulos, tantos
Transpasso, transverso, transcendo.

Guardo intensidades sob a pele fina do sonho,
A um instante do sol que arde os olhos.

E me transfiguro em silêncios:
Verbos novos
Devoram a luz da manhã.

Quarta-feira, Agosto 22, 2007

BLOG 5 ESTRELAS.

Pois é, minha gente.
Essa queridíssima aqui me indicou, Ó:


FEITA EM VERSOS

Os meus cinco indicados, seguindo o regulamento, são:

DOIDA DE MARLUQUICES

MEU PAREDRO

CZARINA DAS QUINQUILHARIAS

MÚCIO GÓES

DIOVVANI

O regulamento completo pode ser visualizado em:

NADA PRÁ MIM

Valeu!

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Perdoem...

A intensidade com que respiro
tem superado a poesia que inspiro...

É a força do amor,
Despindo a cor das minhas letras
Prá vestir os sorrisos!

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

De saudade.

Estrelas alinhavam linhas
Salpicando a cor
Nas entrelinhas:

Eu aqui amor, tecendo,
Bordando na dor
As estrelinhas.

Terça-feira, Julho 31, 2007

De Primavera.

Cada manhã que nasce

Sorriso se agita,

Sem disfarce.

Segunda-feira, Julho 23, 2007

Dedicatória.

Eu vinha guardando esse amor.
É uma jóia delicada, um amuleto poderoso,
é a maior coisa da vida, sem ele, tudo vale nada.

É teu.

Bebe a essência guardada nas estrelas do céu da boca.
Colhe esse arrepio que planta caminhos na geografia.
Absorve no meu abraço toda a entrega incandescente,
Guarda o reflexo da minha alma nos teus olhos.
Assim, segue comigo.

És agora a outra metade destes passos,
e a fusão da sombra, do amor e do destino.

És minha vida.

**Para você.

Quarta-feira, Julho 18, 2007

Palavras curtas prá amor tão longo.

**Eu quero também
Matar a sede
Apanhar na rede
Essa alma além!**



**À nossa imagem e semelhança
Segue a vida, vai,
Que a medida que te alcança
É a altura do teu próprio ai!**


**Meu perto
Mais dentro:
Trago você
No pensamento**


**E torna em sopro
Coração desconfiado
Alegria de vento
E amor descompassado**

***Inspirada no amor, cantiga de vento, e em tantos queridos!!! Vocês.

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Das coisas que só o amor.

Porque é prá você que eu visto meu melhor sorriso*.
E quando a saudade insiste, eu bordo um telegrama
n'alma, assim:
Urgente envio coração Sobrecarregado de ausência
tua Beijos se derretem na candura dos teus dedos
quando me lêem Ps:. adoro e estrelas

E na ponta dos pêlos, das peles, desejo domado pela
espera. Uma lágrima antecipada de despedida antes,
para guardar apenas o aperto entre os teus abraços.
O encontro anunciado causa agitação entre as células,
comove águas e sais dos olhos, agita todas as flores
que emergem na superfície tensa da pele.

É fácil saber-te próximo, quando a carne se abala
sísmica, entre a idéia e a mensagem. É doce saber-te
guardado nas estrelas dos olhos, gravado à tinta e-terna
no negrume das pupilas. É sólida a construção do querer,
para abrigar todo o florir dos acontecimentos.

**Com rumo. Com riso. Com rima.
*linda metáfora da Czarina.

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Doce.

Meu amor,

O dia amanheceu os olhos vermelhos,
afirmou cansaço, imaginei saudade, firmou-se distância.
Um sorriso tangencia a borda mais calma do sentimento,
enquanto a lágrima afiada corta a rigidez da pele.

Pressinto teus olhos grudados no azul e me transfiguro
em horizonte, para caber-te dentro.
Vai distante o dia em que caminhavas mudo e sem rosto,
meu pensamento.
Hoje vejo refletida uma estrela em cada palavra que
que se aninha no teu sorriso.
E a tua chegada vai descabelando os calendários,
Levando os minutos de dentro.

Espero.
Espero teu desembarque em minha alma,
Teu lugar posto em meu peito,
E o olhar aceso, com jeito.

** Com rumo. Com rima. Com riso.

Sábado, Junho 30, 2007

Tão longe.

Porque você passeia as idéias macias,
meu segredo,
Caminhando a memória de imagens
no verso do sorriso.
Agonia branca parte muda
E encerra um sonho em seu abraço.
Sono de distâncias,
Abrigo invisível de estar deserta.
A letra cala
O silêncio opressivo do branco
E enquanto
Estremecer minha rima,
doce,
Espero.

**com rumo.

Terça-feira, Junho 26, 2007

Do risco

E se me pede um riso
arisco,
lhe dôo.
Esse turvo misto
de dor
que lhe sôo.

E se lhe sobra um cisco
confisco
e perdôo.
Esse amor arisco
que arrisco
e entôo.

E se vez rabisco,
conquisto
e abençôo:
Esse é o terno risco
bem quisto
do vôo.

**Não sou escritora, propriamente;
Sou um caminho para as incorporações da poesia.
Não forço.
A poesia vem quando quer.
Me toma, me doma.
Não basta que eu lhe queira escrever.
Um poema
Deve querer ser escrito** JB Rayanne

***Poema Publicado em 08 de Maio de 2007 no BLog de Sete:
http://blogdesete.blogspot.com/

Terça-feira, Junho 19, 2007

Do traço.

E da dor do traço
Retiro a cor, refaço
Nosso verso antigo
Revejo, e passo
Torno em flor
Meu estilhaço
Arrisco abrigo
No sorriso e sigo:
Não há espaço para castigo.
E eu aqui vou leve,
se a vida breve
ou semelhe o aço.
Empunho o braço, brigo.
Mas se me adoça
Um bom pedaço
Serena enlaço
E desobrigo.
Já é amor,
Esse amor máximo,
A seguir comigo.

Quarta-feira, Junho 13, 2007

Garoa.

Eu acordei semi-tom.
Derreti uma nota clara
Arfei em meu dentro
Minha ausência mais cara:
De ti, versinho, ao mundo.

Confesso:

Hoje acordei reverso
E só tenho vontade de ir
Sorrir não posso
Não permite o verso
Que corre minhas faces
Com o jeito mais controverso.


Eu acordei levinha
Como a garoa sem direção
Dos rios que se precipitam
Sobre a profundeza da vida.
Mas te peço, versinho,
aponta logo o meu caminho!


Enquanto eu cultivo as palavras,
Regando as flores da pele
Com a orquestra de cordas
de nervos, de aço,
Eu vou cantar baixinho
prá espantar esses males
Enquanto você não vem.

Segunda-feira, Junho 11, 2007

Do olho do furacão.

A vida simplesmente.
A vida, por si só.
A vida é o presente.

E é simples como percebê-la
de dentro
Olho de furacão:
Dói até chegar lá dentro.

Mas a vida, bem no centro
É doce e calma
Como qualquer tormento.

A vida
Faz bem à alma.

100%.

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Divagações sobre o amor - ou sobre mim.

É fato:
Eu me derramo demais quando amo
Excedo à mim mesma e vou tão além
Que chego a parecer ausente.
Eu causo em mim um grande tumulto.

Mas eu não procuro mais o amor.
O mundo é grande demais...
Quando ele quiser, me esbarra.

Fato:
É, repara_dor
Costura a ferida e lá em cima o nó desata.
Ninguém mais fica bobo de amor
Assim de mal-me-quer, bem-me-quer.
Basta a boca, o beijo, a fome, o gozo desenfreado.

Eu não.
Eu quero amor prá sempre.
(mesmo que seja curto, o sempre).

Fato:
Eu tenho tanto medo.
Você tem tanto medo.
De caminhar sozinho no meio de toda essa gente.
De entregar a alma, de misturar pronúncias.
Porque o amor é dois e fala línguas diferentes.

E eu derramo,
Horizonte vermelho contando estrelas.
Aquelas,
Que esqueci de amanhecer.

Quarta-feira, Maio 30, 2007

Da espera febril.

A lua doendo o céu
e geando incertezas.
Ardências azuladas escrevendo em pele
o recado familiar de esperas.

E está alí, a dez passos impossíveis,
ao alcançe intangível da razão.
Mas saber-te.
Ao sabor doce e denso que nunca
- Nunca -
Cavalgou a língua
Tropeça desejo em minha insônia.

Picante assim escorre a pele
- Febre -
Onde segredado está o amor.
É assim saber-te:
Vulto, vão
vil, visco
vário, vilão:
E o olho agarrado no teu passo lento
Cisco
De quem não tem pressa de chegar.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Ganhei de presente.......

Será que a imagem fala, mesmo, mais do que as palavras?

Bom. Vídeo e Som de um amigo meu.

http://www.youtube.com/watch?v=AfhVapovaRE


Quando uma estrela
risca horizonte
E passa por ti,
Tenha certeza,
Essa estrela
É cadente em si....

Sexta-feira, Maio 18, 2007

Outonal.

E o pôr-do-sol que incandesce o olhar
Contrasta com o ar que, frio, invade o peito.
Eu vento prá casa
Sigo as estrelas em meu peito.
A geada é fina cá dentro,
E guarda a beleza rendada dos cristais da dor.
Tem alegria onde sou rio:
Lavando embora o que não é cor.
A vida brindando,
brinca morna,
Na ausência do amor.

Terça-feira, Maio 15, 2007

Da estrela-mãe, estrela-guia, amor maior.

"Rever-se,
Reverso.
Revisitar
O verso."

(Néli M. Brandão)

**Isso mesmo, mamãe!!!!
Ela não é o máximo???

Terça-feira, Maio 08, 2007

Um pouco de poesia.

Poesia me toma -
Doma,
Me adensa.
Alargo o sorriso
prá caber
Lua cheia.
Esse encanto é disso:
é que o amor,
enleia.
E abraça, acontece,
mesmo o amor amigo
é mais doce,
parece.
E é por isso,
eu canto
E derramo um verso
na tua pupila:
e enquanto te converso,
segue o amor
Comigo.

BLOG DE SETE

Hoje postando aqui:

http://blogdesete.blogspot.com/

Sexta-feira, Maio 04, 2007

Da dor

E quando doer, ria.
Mas ria alto
Prá toda dor te esquecer.
E deixa todo o vento
E a chuva forte
Abraçarem você.

E quando a tristeza te olhar de frente
Mostre os dentes
Ela vai perceber.
E deixa atravessar todo o frio,
Que te resta o verso
para aquecer.

Fecha os teus olhos de prece
E deixa a poesia
nascer.

Quarta-feira, Maio 02, 2007

Mudança.

Mudando,
Mudez
Muda.
Amiúde,
Miudezas
Mandam.
A mistura:
Amor.

Quinta-feira, Abril 26, 2007

Cinza.

Uma longa tragada na esperança,
Mas a fumaça cinza ainda assim enche o lugar.

Quando o vazio abre os braços
e toma os abraços do verso amar.

Eu não sei.
Será que um dia ainda vai me encontrar?

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Sobre.

Inquieta.
Quilômetros de veias além.
Motivos.
Iras multiplicam micro-explosões,
Celulares.
Afunda no sono e a vontade,
Primeiro.
Não sei quem era,
A geografia diversa das verdades.
Busco.
Resistente à globalização do sexo e
das vaidades.
A uniformização do amor.
Antes.
E os sussuros declarados
assustam beijo revelador.
Depois.
A pele morde os dentes
E o que era choque vira panfleto
Carregando de mais cinzas a cidade.
Quero.
O perfeito sentido e o resgate da cor.
A cantiga distraída entre os lábios
Os bem-mal-me-queres da flor.
Quando.
Espalhados no ar vão meus ciscos,
teus olhos de passagem ariscos,
E a mais fina, fina dor.
Conquisto
Com cisco
Seu amor.

Terça-feira, Abril 17, 2007

Nota.

Meus poemas de amor
Não tem destinatário
Misturo no vento e sopro:
Um dia, no olho de alguém vira cisco.

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Corpoema.

Vem e me arrebata:

Revolve meus cabelos
Golpeia meu juízo,
Suga minha fala.
Arranca à minha voz a falsa calma,
Transborda meu sorriso.

Seja aquele,
devassa meus limites,
derrete meu pudor entre teus dedos,
Rasga minha carne rubra de desejos.

Deposita em mim a essência morna dos teus beijos,
Cola teus versos de sal e alinhava
teu poema em meus cabelos:
Publicado em mim, me baste.

Quarta-feira, Abril 04, 2007

"Iliterante"

Calo,
Porque estou repleta.
Falo
Porque me arde o horizonte,
e cerro os olhos para respirar
a intensidade das palavras.
O contexto me adiciona e multiplica.
No céu,
Um pôr-de-sol domado glorifica,
Escorrendo de nuances meus desejos.
Sei
Imediatamente enquanto nada busco.
Silencia o fantasma singular:
Sou comunhão dos versos que me adensam.
É assim que me vento e assim que me vejo:
Intensidade

Na procissão das palavras.

Sexta-feira, Março 30, 2007

Das histórias.

O absurdo do teu toque transversal
Quando eu andava em versos plenos de geada.
Teu sorriso espesso derretia a madrugada,
A inenarrável criação da primavera,
conjugando em pressa
verbos antes do pudor.

Fui tua, simplesmente,
Enquanto teus dedos percorreram todas as estações
No meu corpo enclausuradas.
Teu beijo trouxe um sol,
de vermelho lento, dor quase doce,
Derretendo qualquer dureza em minha boca.

Acordei de qualquer dia assim,
Intensa:
Pelo irreal dos teus sentidos
Fui amada.

Segunda-feira, Março 26, 2007

Rompantes.

Arranca de mim toda a certeza
Descola meus pés do chão:

Hoje eu quero flutuar
sem dimensão exata nesse verso.

Costura essas estrelas no olhar noturno
Varre os meus passos desse chão:

Por hoje.

Exige apenas que eu flutue,
Conduza-me calando meu não.
Desposa-me poema,
Faz-me um filho
Em uníssono soneto.

Cega-me hoje.
Deixa-me enxergar apenas por tuas mãos
E que os nossos medos
Não frutifiquem distâncias desesperadas.

Por hoje.

Amanhã sacudo o sono dos cabelos
Esfrego esse sonho entre os meus dedos,
Vou prá rua e bebo a realidade.

Quinta-feira, Março 22, 2007

Do pôr-do-sol.

Plena.
Singular.
Amanhecida em vermelho de bordar sorrisos.
Eu ouso vôo
E o horizonte me abraça, claro.
Eu já não sou mais a mesma,
eu me remonto a cada verso
numa melodia diversa,
borrada de outras cores.
Ou não poderia sê-lo.

O vermelho me veste de paisagem
E se põe nas pupilas,
como se eu fora a noite.

É serena que me avança a madrugada.

Segunda-feira, Março 19, 2007

Poetica mente.

Abriu a linha com seu passo tímido
E engravidou a rima com seu verso ríspido.

Lançou sobre o soneto sua idéia ilógica
Despiu toda a gramática com avidez inóspita.

Adormeceu ouvindo o som de um poema lúdico
Sonhou a poesia como uma pausa sísmica.

E sepultou no peito trágico
O seu amor irônico.


(**Inspirado em "Construção" de Chico Buarque de Holanda)

Sexta-feira, Março 16, 2007

De ser.

Não serei tua distância,
Tua ausência.

Não serei lágrima manchada
Sobre uma fotografia desbotada.

Eu apenas serei se marcar as tuas retinas
Estampando para sempre de azul as pupilas
Gravando estrelas de fogo no sal fundo dos olhos.

Eu serei para sempre se teus pêlos lembrarem meu tom
E meu corpo quedar tatuado na tua pele, tua entrega.
Eu serei uma parte construindo a tua célula e serei sempre,
se ao meu nome teu arrepio fizer ondas, buscando-me.

Eu não serei queda para as sombras que te seguem.
Eu seguirei o rumo, guiando teu sorriso onde o caminho
ausentar flores.
Eu não serei apenas.
Serei tão somente, ousando eternidade,
e não serei só,
que é a poesia quem embala minhas dores.

Eu serei a linha que abraça a geometria do teu verso.

Terça-feira, Março 13, 2007

Amortecimento.

Amortecimento.
Amor-teci-mento.
Amor-te-cimento.
Amor- tecimento.

Faz sentido.

E acho que vou trocar meus sonhos
por um gole, um trago e uns beijos baratos.
Vou ver se arranco da insônia teu nome
E ante, após, até qualquer tolo pronome,
vou riscar essa mágoa se nessa letra couber.

É que só o tolo não desiste
e o talvez que persiste
já me ardeu demais.

Amor, te cimento.
E vou indo. Até mais.

Sexta-feira, Março 09, 2007

Da tempestade.

Eu queria tanto que você me amanhecesse
E livre de tempestades ancorasse teu azul
Em minhas terras, meu porto, minha espera.

Mas se vier com cheiro de mar e relâmpagos
Eu estendo a ti meus remansos e te ofereço um sol
Para aqui refazer o cansaço, o desgaste, o juízo.

E se vier com sede eu te dou a beber minha boca
Te hospedo em meu corpo, minha alma
E faço uma renda do som da chuva
para agasalhar teu sono.

Eu serei tua pausa.

Terça-feira, Março 06, 2007

Planando.

E azul de vôo
eu tomei carona no vento.
Pousada no porto dos meus olhos,
A entrega reunida brilhando em sol.
Eu hoje acordei nota clara,
De sinfonia passarando o acontecer.

Uma brisa breve,
Uma vida quase leve,
Que me vele, revele no contorno
Do sorriso que estampado em mim, presença.
As folhagens agitadas à beira
Do azul que precipita a paisagem.

São tantas coisas formando renda
E eu enredada quero mais
Desse tecido que suave me recubra
De nudez e alma bordando a paz.

Quinta-feira, Março 01, 2007

Conjugal

Eu, passo.
Tu, o passado.
Ele, a passeio.

Nós descompasso,
Vós, impassíveis
Eles, passageiros.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Edições.

**
A idéia que mais me acalma:
Lançar uma nova edição
Dessa mesma velha alma.
**

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Estrelas maduras.


Eu sei.
A vida abre as mãos azuis
e chama meu nome.
Seu colo é vasto, um universo,
onde eu deito as idéias
e colho estrelas maduras.
Eu sei.
O destino é o menino da vida.
Os olhos deles brilham de encontro.
Mas destino é menino arteiro.
Ele gosta de pregar peças na vida.
No final riem ou choram.
Brigam, às vezes.
Um vive mudando as cores do outro.
Eu digo que eles nasceram sem contorno,
Prá poderem se misturar e criar o novo.
Eu sei.
O caminho é cheio de claro-escuro-claro-escuro.
Por isso eu colho estrelas maduras.
Quando escuro eu enfeito as margens,
Prá não perder de vista
a vida e o menino.

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Por um triz.

Balela.

Tantos finais guardados,
Ela sem final feliz.
Quis compor um poema
Livrar-se de um risco
Talvez ser atriz.

Achar um verso amassado
Tomar um sonho emprestado
Ser a mais bela
Meretriz e donzela,
sonho do aprendiz.

Quis talvez o amor,
Grande telenovela
De um mal sem raiz.

Balela.

A vida toda era aquela:
Feijão com arroz,
pão com pão
Cansaço no rosto,
Levando bem dentro a cicatriz:
Vida sua, vida assim,
por um triz,
sem final feliz.

**Reedição do poema publicado em 15/02/05

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Antes da tempestade.

Eu não te reconheço nos álbuns de fotografia,
Nas minhas memórias, não recordo as palavras doces,
Minha pele não lembra o arrepio da tua
E os lábios não enrubescem ou se torcem à tua lembrança.

Eu não consigo lembrar daquele último beijo sob a chuva,
Das vezes que fostes meu abrigo, meu colo, meu amigo.

Talvez eu não reconheça o som da tua voz na multidão
Por ainda não tê-lo ouvido
Talvez todas as memórias agridoces da tua passagem
Ainda não me cheguem por não terem acontecido.
Talvez a tua chegada ainda não tenha fechado minhas
avenidas, minhas veias, meus sentidos:
O horizonte se alonga e te esconde, retilíneo e vago.
O som morno das batidas me atormenta, a credulidade
desse músculo, no peito náufrago.

E ao olhar em volta eu percebo muralhas que ergui,
distraidamente ao evitar tua chegada;
Eu não sei que coisa é essa que ergue a impaciência das tardes
E isola a possibilidade dos limites.

Ainda não compreendo se é o chão que foge aos pés,
Ou as asas que vão longe demais.

Sei que ainda é cedo
mas o caminho é longo
e o horizonte insiste à frente
Obrigando o passo a ir.

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Distante.

E lá embaixo, sob os pensamentos aéreos
Rios de brilho riscando minha carne verde.
Arbórea, etérea, eu escorri montanhas,
depois me despi de verde e ergui versos concretos ao céu.

Mas,
o chão e o toque, o profundo silêncio da realidade.
O ar fervente cavando bolhas nos poros.
As coisas todas que a gente sente,
os olhos que se encontram e fogem, mãos não relaxam.

Cheiro agreste,
Sabor incandescente de erro ou desvio, corrente.
Dia amanhece na chuva, as sensações caminham pensativas.
Todo o desaprender de certezas.
Sem saber por onde,
eu vento
eu volto
eu penso
e calo.

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO, POETAMADO

Porque um brinde ao azul
lembra a doçura dos seus versos
Anjo disfarçado, poema fluido.

Porque a vida caminha seus passos
Independente do doce ou amargo
Mas ele - ele alarga o sorriso
Com a medida longa das asas.

Amado, sempre. A jóia rara.
Eu falo de Múcio Goes,
Poeta e poema, verso único.

Esse menino tão grande
que brinca palavras
como se fossem pipas
no azul da boca.

Esse homem que é-terno
incandesce as rimas
e ascende.

É teu aniversário, poetamado.
E eu queria dizer,
Além do normal,
Um muito obrigado.
Por ser.
Amo.

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Do coração.

Meu amor é pa(z)arinho
enrouquecendo versos de sol
Na janela do amanhã de Domingo.

Meus versos se acalmam
às margens de só-riso

Enquanto sopra
o pó: ema de vento
sacolejando esperanças estradeiras.

Meu coração é um menino
À procura d'um abraço de mundo
Onde possa pousar os vazios
E ensinar-lhes travessuras de vôo.

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Entre dentes.

Eu te tenho entre dentes
te entretenho entrementes
Entretanto sei, mentes
Seguimos trocando mentiras
sorridentes
Entrelaçamos sentidos
dormentes
Eu te mantenho
em quase dor
Eu te trago este amor
estridente.


_*_
Rumo rima ao seu redor
Redoma fina -
Nada pior
_*_

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

PAI.

Do meu pai herdei os olhos castanhos e alguma morenice
que veio, carioca, alguma pincelada presentear.
Herdei certa teimosia e um jeito forte no falar.
Do meu pai eu lembro, na minha meninice, as histórias
que eu pedia a ele prá contar.
Ele sempre foi um cara meio quieto, quando a vida turbilhona,
E não tem esse costume assim selado de abraçar
Mas o amor sempre esteve derramado em cada gesto
E no jeito fundo que ele manteve no olhar.
Eu sempre escutei os silêncios se agitando nele
Quando eu adolescente, dei motivos de preocupar
E senti aquele orgulho derramado
Quando eu, mulher, comecei a trabalhar.
Do meu pai herdei honestidade,
e dom com as palavras,
que ele não costuma mostrar;
Herdei uma zanga danada,
E a voz debochada
que ele tem de brincar.
Do meu pai, herdei vida. Valores.
E é esse herói velado
que eu trago guardado
E hoje eu cubro de amores.
Pai, FELIZ ANIVERSÁRIO. Hoje e sempre.
Eu te amo.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

DA SÉRIE PARCERIAS - POEMAS DE COMUNHÃO

Por Rayanne, Marla de Queiroz e Leandro Jardim.


Céu dezembra desaguando
Lava tristeza
Leve daqui

E dessa água sinto
A força e a beleza
Leve daqui

Coração derramado na areia
Rebentando no mar da cura, agora:
Tão leve aqui.

E de levezas aflora
Tão intensamente agora,
Embora eu
Breve-me aqui.

Então leve daqui toda mágoa
e revele:
O belo sorri!


Rayanne, À-mar-la, Jardinzim.
Em 28/12/2006.

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Sem pétalas.

Porque eu sou feita de tantos gritos quanto silêncios
E nas minhas lacunas, vertical, infiltra-se uma ausência.
Porque eu sigo ensombrescendo coloridos
Prá ensolarar manhãs cinzentas que me acordam.

Porque eu vivo em busca e nada digo
E quando cala em mim, galopa em flor ardência crua,
Beirando a dor da pele, quando noturnamente poextasio nua.

Porque eu procuro converter o meu juízo
E sustentar-me entre os fatos que ditam caminhos
Pervertendo passos, derrubando granizo entre os atos.

Porque muda frente a tua litania, vida. Eu. O destino.
E a cada traço enrouqueço um passo, estendo um poema e peço,
Dançando sobre o absurdo de todos os desencontroversos.

Essa palavra querendo desabrochar sem pétalas.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

De intensidade.

Não sei ser senão intensa.
Condenso teu sal em minha pele
E amanheço devorando teu juízo.

Os pêlos procuram o rastro dos teus beijos
E a pele se inflama, concluindo a rima.

Eu conto um arrepio velado aos teus ouvidos
E me tomas nua, pela raiz dos versos.

Teus dedos cavalgam meus verbos
E o corpo corcoveia, tensionando desejos.


Em tua pele escorre o som do meu sabor.

(Decifra-me, ou te devoro)

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

E o tempo passa...

A história é um pouco nebulosa a mim, naquele início.

Era noite e algo me compelia a explorar o mundo.
Deixar o aconchego e a segurança da simbiose
e devorar o desconhecido.
Minha estrela lia e me convidava a vir olhar o céu.

Até que numa noite estrelada daquelas, a curiosidade superou o medo:
Era frio e hostil o mundo de fora.
Mas aquela voz era tão suave, e a pele tão macia. Ela tinha o olhar mais doce
que eu nunca tinha visto.

Os anos que se passaram foram descoberta:
Sons, perfumes, texturas, sabores.
Mundo era, sim , hostil. Mas tinha um céu enorme
que às vezes chorava, ou uns olhos ardentes que se revezavam:
Um, irradiava o dia, cegando de beleza,
O outro piscava às vezes, e serenamente fitava a noite.
E aprendi que estrelas são amigas, e que basta olhar para unir.
E descobri que tem gente que dói na gente,
e outras alargam o sorriso e quase não cabem no peito.
Descobri que a beleza às vezes também escorre dos olhos...
E tristezas às vezes simplesmente calam dentro, selando fundos.

Mas não há tristeza que cale o amor quando ecoa na alma
Uma nota sol, nada sustenida, abrindo as avenidas do sorriso
e inaugurando as portas do acontecer:
Tanto tempo depois, hoje,
estou re-aprendendo a viver

Olha o presente LINDO da moça Czarina das Quinquilharias (Zazá):

Para bens

Onde ela
(em)contra tempo
Pra subir em nuvens
Pra catar vento
Se todo dia
Quando anoitece
Ela segue estrela
No firmamento?

http://sabedoriadeimproviso.blogspot.com

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Se vier.

E se vier, não esqueça de trazer
As estrelas, que de azuis,
esqueci de amanhecer.

Não esqueça de contornar meu sorriso
Que se aquietou, amanhecido
Naquele instante de acontecer.

Sábado, Janeiro 06, 2007

Àquele.

Eu sei que você vai chegar
Num arroio de presságios,
Quando o tempo cansar dos desencontros.
A vida vai soar cristalina,
vertendo densa sobre a pele.

Eu sei que não haverá mais
o descompasso dos minutos sobre os momentos,
e os lábios crispados de ausência
selarão toda promessa retida
Na união incandescida das fomes.

Eu encontrarei teus passos
no instante exato em que as pupilas
unirem-se em negrume derramando estrelas.
O corpo se arqueará num doce sussurro à passagem tua,
e envoltos de pele, teceremos imagem de labaredas
gravadas em eternidade sobre a efígie do amor
em cântaros de passagem,
cativando o vento.

Domingo, Dezembro 31, 2006

Das ardências.

E como se não soubesse que eu tenho essa urgência escancarada em minha boca.
E como se eu pudesse estancar toda essa verborragia em meu olhar.
E logo eu, que tenho vertigem de silêncios!

Eu que me sobressalto a cada dedo que desliza a pele desenhando um rumo
Eu que tento conter desejos dentro, estremecendo corcoveios mudos
Eu que amarro na saliva teu gosto de carência.

Eu não abraço ausências.

Eu gosto de arder possibilidades quando me derramo em tua entrega
Gosto do murmuro baixo na doma das peles
E da mão entrelaçada sob o arrepio:

Eu abraço a carne fresca desse tom arredio.

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

PORQUE O DIA 28 TEM O NOME DELA.

Eu mal consigo ordenar as palavras para dizer-lhe.
Porque, à tua frente, elas se animam feito crianças
Em sol de Domingo de férias, tarde quente.

Eu sei de um verso seu que voou até os meus olhos
E fez revoada de cores, de dores, amores. Até que.
Cresceu um elo forjado com palavras banhadas
Em amor-luz, sol-riso, encantos de mar-lá.

Então disse: vem. E eu fui. Mergulho no mundo.
E o abraço foi tão grande que coube uma constelação.
Eu te trouxe estrelas, e você enfeitou as bordas do sorriso.
E as palavras estreitaram distâncias até vibrar o único sentido.

Toque de luz que acende escuros.
Borboleta que pincela a raiz dos sonhos.
Polinizadora de esperanças.
Minha flor, meu amor, minha menina.

Marla de Queiroz. Marla de todos os Santos.
De querências, de quereres.
Marla do dom de sorriso
Fada das continuidades.
Rendeira de palavras que se aninham nela
Como os pássaros que deitam cansaços sobre os ninhos.

Marla escrita no avesso da minha alma,
Matiz dos elementos que escreveram vida:
Minha querida, estivestes em minha’alma desde o sempre,
E redescobri teus passos de vento desdobrando os silêncios.
Ainda ecoa teu riso transparente a cada dia que renasce ardente.

E no teu aniversário desejar o melhor não basta:
Eu quero fundir o abraço tornando real o azul,
Quero libertar todas as alegrias guardadas como estrelas
encerradas no branco de um sorriso, para enfeitar a tua noite
e alargar teu mais lindo sorriso, para enlaçar o mundo.

Amo você, amiga, irmã, mãe, filha, poeta, pessoa: MARLA VILHA!

Terça-feira, Dezembro 26, 2006

Coisa de poeta.

***
**
*
Poesia?
Leio a esmo
Para que me diga um pouco mais
Sobre mim mesmo.
***
**
*

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Da noite acesa.

E quando as palavras tépidas
esbarrarem sussurros no teu arrepio
Eu vou escorregar dentro
dos teus olhos de vôo,
Vou alçançar o horizonte
pela fresta dos teus medos.

À noite, quando a febre visitar tua insônia
Beberei dos teus dedos a fúria dos sentidos
Inquietando ondulações da táctil alma.

Depois, lento, o sabor invadindo tua veia
O calor à espreita na tocaia
E a vida, armando sua teia.

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

PARA CZARINA DAS QUINQUILHARIAS

Porque hoje é seu aniversário,
poeta linda!


Ela é a Czarina de todas as artes
Tantas partes,
Todas as cores.
Ela é um riso doce ecoando
no primeiro sol da manhã.

Ela é a equilibrista das palavras,
Brinca com as realidades colorindo-as de circo.
Ela sabe desmistificar fantasmas
E pintar sorriso na cara das dores.

Ela é a Czarina de muitos nomes.
Escrevendo hoje mais um verso
No grande poema da vida.

Terça-feira, Dezembro 19, 2006

DA SÉRIE PARCERIAS - POEMAS DE COMUNHÃO


Por Czarina da Quinquilharias e Rayanne

As sementes germinam
inesperadamente
E rapidamente
Flores rompem
Qualquer silêncio
Qualquer assombro de vertigem
Em coração que inquieto pressente.
Canteiros pipocam cores:
Plantas nascidas direto da cal virgem
subindo, infestando o teto
brotando raízes na gente.
E colorindo do azul mais bonito
Tudo o que de infinito
Só - mente
Rompe o silêncio do rimar.
Assim - embotadas de céu
Czarina e estrela
Refletindo amor, há-mar.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Série Parcerias - Poemas de Comunhão

Por Rayanne, Czarina e Gil (Paredro)


Do Giro do Guarda-Sol

Afinal desfeito o engano:
Que o melhor de tudo
Ainda é a ausência de um reto plano.

É a ausência do sentimento mudo,
é a teia cruzada de arame
é o jogo de ludo mano a mano
diante do prato de inhame
e o passo a pressa acontecendo
direto perfeito até que, cruzada a crase,
o quase desengana.
Secreto frio amarrando entranhas
Desfiando a face do maior capricho
De um universo composto em frases
Que se ganha.

É jogo aberto, fechado
ou jogo do bicho?
(é só outra fase),
me disseram em cochicho.

A única certeza é que é errado,
O único erro é que não há certo
Só o que existe é uma presença,
Que cá, não está.

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Dos Presságios.

Eu gosto desse instante que ainda é quando,
Inquietudes em longos passeios pela veia.
Eu acho bonito esse vulcão sustenido
E o gesto contido, porque a alma receia.

Eu sinto na pele a ingenuidade leve

De um apelo percorrendo os pêlos
Caindo dentro como se fosse neve.

Eu acho belo o caminho do arrepio
Esse caminho torto por onde espio
Estrelas de pressa florescendo esperas.


Não sei o porquê nem sei se será
Mas a sensação troteando meu peito
É, das coisas sem jeito, a que mais me dirá.

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Química do Amor

Então não me venha dar a saber
Ou tente me fazer acreditar,
Que eu não me caibo, contenho, retrato:
Nessa tal química do amor
Um teorema barato.

Ora veja você
Que afirmação mais cretina
Fazer crer que o amor
Ora faça o favor
Cabe em serotonina.

E os ferormônios em flor
O que sabem do amor
E da exaltação das retinas?

Se você puder explicar
Como então se ama a vida
E no abraço mãe vira menina
E a poesia de amigos ganha calor,
Talvez eu possa então aceitar
Os tais dos teus fatos
que explicam o amor.

Mas... e quando é dor?

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

À vocês, amores.

E eu sonho de cá todos os risos de lá
Onde a positividade encontra seu pólo
E em ímã, universo atrái as sínteses
De todas as cores, de toda poesia,
Estancadas as dores.

Abriu-se dentro uma porta de onde
eu salto suicida e renasço em todos os verbos
encharcando a carne da madrugada de versos.
Então não cabemos líricos, físicos, estáticos:
Somos a ode em movimento das retinas.

Ao calor que se espalha de um abraço
idealizado, conjugado e repartido
Entre os bites e megas de cansaço
Um baque surdo semelhante ao grito
Invade amores consumando o regaço.

Assim, todos os dias ao descer os olhos,
Em fervura eu desejo os seus sorrisos
Para que sempre nessa comunhão de instantes
Eu possa partilhar do rumo dos seus risos.

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Vaga-Lumes.

A noite se cala e eu aqui.
Eu nem deveria, mas a noite é enorme,
E tudo dorme, menos o silêncio, que fuma um charuto na varanda.

Eu aqui, a tantas milhas de saber,
Mas tão perto prá sentir.
O que eu posso dizer?
Tanta vida se agitando inquieta dentro.
Mas não é essa a pulga-insônia que pergunta insistente.

Se ao menos eu pudesse capturar essas palavras borboletrantes
Ordená-las em um gesto, e em uma nota clara
Compreender a busca!

Mas a noite é enorme,
As palavras inutilmente reconhecem flores pelo caminho,
E esses sorrisos insistem como vaga-lumes dentro da noite,
Quando eu queria apenas caçar palavras e colar no papel,
forjando algum sinal.

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Conexão.

Fios invisíveis unindo as intenções
Gestos amarrados aos sorrisos,
Lágrimas coladas sobre a pele alva dos acontecimentos.

E tudo se move sincronizadamente,
Como a canalização do ódio urbano, gerando um novo ódio,
Um quadro vermelho cravejado de balas na esquina de sexta.
Como o amanhecer de uma flor que se encontra com o mundo,
Gerando o encantamento no ruflar das cores da borboleta,
Unindo na manhã de Domingo para sempre o amor, infinito enquanto dure.

E talvez ainda o sonho de todas as gentes
Canalizado assim nesse amor em fios transparentes,
Seja capaz de urgir contra a cadeia inconseqüente e frear a vida
Que principia a ruir sob a cacofonia humana dos nossos pés distraídos.

Porque mesmo quando os olhos avermelham
Ainda posso crer que seja pelo orvalho no pôr-de-sol que sangra,
Parindo uma nova noite, uma nova lua, um novo sonho. Até que.

Terça-feira, Novembro 28, 2006

5 minutos.

E deve ser isso assim, seu moço.
É esse agora tão aflito querendo os braços da gente,
Essa vida de boca faminta sugando os sonhos do peito,
Esse tudo prá ontem, porque tudo perdeu a noção do presente.

Dever ser, sim, seu moço.
Ainda ontem, era um tempo menino sorrindo tantos dentes
quanto tinha a mostrar;
E ainda agorinha, eu me lembro, tinha um sonho pequenino
que eu gostava de ninar.
Mas agora tudo é pressa, seu moço.
Porque as pessoas, parece, perderam a dimensão de estar.
Ficam nessa de querer. De se. De será.

Deve ser, sim. E esse seu tropeço, seu moço,
talvez seja esboço prá tú regressar...
Prá um sorriso bobo,
esquecer num abraço
Coisas do cansaço
de um tempo pouco
Eu não entendo, seu moço, porque tanta pressa prá acabar
Acho tão bonito
Isso de ficar
Isso de de estar rindo
De papo pro ar

Que cinco minutos por dia, seu moço,
Não há quem diga que há de faltar...

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Para a harmonia.

Ouve com cuidado as batidas do pensamento:
Às vezes se forma distância entre a mão e o gesto
E transformados em distância perdemos a compreensão do resto.

Sê gentil com teu coração que sonha:
Ele às vezes pede um instante de ti embrulhado em silêncio
Para acalmar as entranhas que ventam uivando urgências.

Oferece azul aos teus olhos pássaros,
Que eles permanecem em ti mesmo quando ganham vertigens
E calam em si toda a querência de imagens.

Permite calores aos teus braços,
Que buscam tanto outros calores em peles de trocar amores
E não querem quedar cruzados em negação à vida.

Derrama tua boca em outra boca
Revelando todo o fluido dos sentidos,
Que quem se doa dói e nobrece em si todo o juízo
Renovando a arte de acontecer solto no instante.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Correnteza

De algum lugar eu me fiz neste
Para a inadmissível omissão,
Pior mentira contada ao sentimento.
E esse caminho impossível formando leque
sob as pegadas, a ingenuidade do desconhecido.

Os segredos como pétalas desfolhadas se tornaram vento,
E é livre a sensação de absorver o mundo nú de todos os medos.
Um manto doce veste a alma, um manto amor transfere calma.
Amor feito comunhão,
quando a entrega ao acontecer conecta todos os sorrisos.
Como se houvesse um fio transparente ligado ao canto de todas as bocas,
formando uma renda de felicidade onde basta um tique, um tremor,
Para a gargalhada de todos os seres.

E de repente vida,
É como descobrir um sol
gentilmente aninhado entre os dedos
Esperando qualquer fresta de chuva no olhar
Para ser, raiar e rachar a semente.

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

Do (re) encontro.

Para Marla, Jardim, Grilo, Jordana, João Antônio e demais participantes da sinfonia...


E quando eu desci os passos das nuvens e toquei o chão,
o frio quis ainda saltar alto no estômago, tremulando as mãos.
As mãos suadas e a emoção descompassada.
Um abre-fecha rápido, como um piscar de olhos,
e já num sorriso: amados.

Um abraço de almas em festa, a impressão cognitiva
dos que estavam presentes, apertando os olhos de vontade.
Os abraços eram o mundo, os sorrisos desmanchavam qualquer cansaço.

E depois.

Depois uma dança de almas encantadas, apaixonadas,
desfile de belezas, laços irmanados de carinho, sol, rebrilhos.
Tantas emoções irradiando que todos apanhados, como uma teia.
Uma teia onde tantas almas se lançaram, tornando em infância toda a renda.

E acontecemos sem muito juízo, guiados pela mão doce do universo que era a vida,
Sem muito sono ou sonho porque tanto amor bastava.
Ali nasceram idéias, flores, fatos, sorrisos, lágrimas em verso ou felicidade.
Toda a conspiração da vida, admirada, seguiu os nossos passos.

E veio a despedida, com a sensação de âncoras fundas dentro, pesando longas saudades.
Mas a sensação de que a distância é incapaz de desmanchar o verso em laço,
Letra, abraço: ainda nos protege o amor irmão, o amor amigo, o amor em si,
Traduzido em tudo isso que simplesmente somos: poesia.

Eu amo vocês.

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Do parecer.

Pareço moleque
Trazendo canelas enfeitadas de roxo.
Pareço amor
Tanta pele em brasa que me reine.
Pareço menina
Tentando buscar nas palavras um colo impossível.
Pareço poeta
Bordando palavras pra enfeitar a vida.
Pareço uma fera
Os dentes e a fúria à mostra.
Pareço ferida
De longa dor, ferida exposta.
Pareço passarinho
Tão novo, querendo voar, tão fora do ninho.
Pareço estrela
Brilho distante e o olhar esquecido.
Pareço um cachorro bobo
Lambendo cicatrizes inventadas.
Pareço aquele que perde
Correndo desvairado como quem não tem nada.
Pareço rica
Juntando todo o amor reunido.
Pareço piada
Tentando sorrir sob tantas camadas.

E é tanta parecença
Que acabo parecendo comigo.

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Do que Será.

O tilintar do tempo - pardo
Sobre os versos cansados.
Ausência debruçada sobre o peito
Teorizando sobre os passos dados.
E quando talvez a certeza se aproxime,
Com seu passo arisco e ritmo desconfiado
Há que erguer da dor uns dentes tristes
E a afugentar longe e fora de qualquer traçado.
Porque a insidiosa orientação das marés sobre a pele
Do verso alcoólico
Do gesto cansado
Do amor sofrido
E em dor desgastado.
Deitar silêncio quando a exaustão tomar palavra
E adormecer sem ter partido
Solidão bilateral de única parte.
O que há sob o véu, através, manhã nenhuma.
E do que será marca alguma fica
Quando há que decifrar em todo
O que amor nenhum explica.

Sábado, Novembro 11, 2006

Da continuidade.

Porque há sol batendo na janela,
Há dias acampados frente à ela,
E há tantas coisas sob o meu olhar.

Porque tem esse milagre que se chama amigo,
E esse amor tão terno que chega a clarear.

Porque eu tenho poemas nos dedos
e tantas palavras que não quero calar.
Porque todo mundo tem medo,
mas medo é a vontade
que os olhos tem de ser mar.

Porque eu vou até ali buscar um sorriso
Porque essa tristeza uma hora tem que passar.

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Das decisões.

Choveu tanto e depois.
Flor seca guardando a memória
amarelecendo duas páginas.

Caminho pincelado em sobretons de vermelho.
Prá onde eu posso, aonde ainda quero ir.

Agora a sensação estática de uma falha,
Algo suspenso ainda, livro aberto, frase inacabada.
Falta saber amanhecer para pontuar enfim o poema.
Com duas gotas.
Ou duas risadas.

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Creia.

Creia:
Eu não planejei a ausência de mim deliberada
Não busquei a tristeza diluída em meu sangue
Não tatuei no corpo esta despedida.
Creia.
Cada célula tua que descolo dos meus versos queima
E o carinho que te acerca comigo teima
Mas eu não posso ficar na oferta do meu cansaço.
Creia,
Cada passo que me afasta de ti vai cadenciado
Pelo sonho são, não concretizado
Pelo caminho que me afastou do teu lado.
Creia
Eu vou te guardar a qualquer distância
Pausado amor tão belo que lembrou a infância
Enquanto me dói, me esconjura, esquece e desgasta.



CONTA

Conta.
Conta porque é que eu não evaporei naquele último abraço.
E quando as palavras se uniram formando adeus, não se fez silêncio.
Conta porque um presente tão bonito (amor) consegue doer tanto.
Diz porque é que a gente perde os passos do caminho.
Porque
eu
não
sei.
Diz.
Jura que eu vou saber e me perder de novo na tua pele.
Explica como é que pode a gente perder de vez o caminho do sorriso
E não encontrar mais as trilhas que se fecham no coração.
Conta.
Eu
sei
guardar
segredo.
Conta porque faz tanto tempo e eu não consigo ir
Conta porque é que eu ainda nem sei se eu posso voltar.
Eu só sei desse mistério que se abre em mim
E os passos que não me tiram do lugar.

posted by Rayanne at 7:50 PM

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

*Accipere iudicium*

Eu mergulhei tão fundo,
E agora me prendem os tentáculos da noite.
Eu cheguei ao prelúdio do silêncio:
Meus dedos azulados maestram muda sinfonia.
O coração bate apressado mas não sinto:
É inverno dentro, que intenso se anuncia.

Ainda sinto aquela velha asfixia
Contornando as tentativas em meu peito.
E não é à toa escorrendo pela chuva
Um fio de sangue fugindo deste feito.

O veneno que circula me entorpece
Embora lúcida estou distante, o corpo frio,
E esta morte aparente me entristece.
Eu aguardo cavalgarem estações,
que enfim me tragam primaveras e verões:
Eu aguardo aqui no fundo um novo dia

Porque hoje eu sou metade poesia
Amanhã seja talvez só desencanto.

Terça-feira, Outubro 31, 2006

Das tentativas.

Eu vou restar acima dos versos cansados
Quando as frases ruirem sob meu silêncio.
Eu vou dissimular até ver se esqueço
E de tanto buscar enfim mereço
Um quedar de palavras exaustas sobre algum abraço.

Eu vou procurar qualquer passo e traçar uma dança
Eu vou caminhar até arrancar do caminho uma trança
Que faça calar, que faça calar, que faça calar.

Eu vou tentar entender porque é que sangra
E fazer de um poema a minha canga
Prá me afastar dos perigos de outro tema.

E quando não restar mais nada além da vertigem
Eu vou mergulhar bem fundo no meio de tudo
E descobrir palavras cobertas de fuligem.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Irrevogável.

Ao contrário do que talvez nunca tenha sido
Eu sou
Nervos em flor,
Desabrochando agudos o alvoroço da primavera.
Estampido seco
Rompendo a tez desgastada.
Eu sou.
Cheiro de terra molhada ontem,
Com urgência de sementes hoje.
Sou o olhar do filho que não será
Entre os dentes em agonia de Gaia.
Eu sou apenas.
Tentando acontecer solavancos repentes
Em que suspiros direi quando cair.
Amor.
Eu sou todas aquelas coisas que ninguém entende
A resposta do que não perguntou.
Disparidade.
O meio inviolável do que secreto teima.
Eu sou continuidade de reticências
Nãos pausados
E entrega.
Eu sou entrega.
A necessidade absurda de jamais ter sabido,
E não ter provado,
Ou tocado,
Partido.
Sou ensaio de perfeição falido.
Sou vôo gauche, tristeza por não saber partida.
Eu sou espera,
E quando tudo em ti mais cala,
Eu terei sido.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Sobre o momento.

A amplitude incomoda a falta de ar. Vou buscando uma janela, pausa, espaço em branco que volte a sonhar. E sigo nublando tempestades dentro, com a inquietude de quem não chegou e nunca sabe se vai chegar. E esse espaço vazio que pode haver, de um lado. E esse silêncio todo, sem poder disfarçar essa ansiedade que conflita com o desejo de estar. Eu não me sinto mais confortável dentro da minha pele, minhas palavras, meu sorriso. O choro retesado até seu limite afogou a garganta. A mudez, agora. Essa paralisia para alcançar a manhã. Mergulho no momento, para camuflar a angústia, deixando as atribulações diárias subirem pelas pontas dos dedos e cobrirem meu corpo, sufocando todos os poros, todos os gritos. Então é tudo um torpor de minutos mornos e horas sucessivas. E fora tudo se agita com a atividade frenética do mundo, suas exigências infantis, a globalização das angústias. Mas eu estou aqui, muda. Esperando vir ou passar. Apenas aqui com meu peso impossível e a minha velha falta de ar.

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Ferrugem.

Como ferrugem, devorando os sentidos.
Como uma infecção, latejando a carne,
pulsando pus amarelo, dúvidas quentes.

Olhos embotados do grito, turbidez.
A mão ainda sobre a garganta, reação.
Olhos vermelhos de guerra, confusão.

A cabeça vai pulsando um som tão alto,
O coração vai fibrilando em sobressalto
E dentro, a ferrugem colorindo imagem.

(** constrói prá mim um sorriso? **)

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Desassossego.

E tudo tanto
que não me pareço comigo.
Deveras, sente?
A dor de mente
a que secreta abrigo.

É quando a poesia pouca
E se me falha a vontade,
A necessidade rouca,
Antes que tarde
A vida louca.

Brinco entre as rimas
um lirismo triste
a cor soberana
Sobre sentimento que insiste.

Eu tenho tanto para cantar
E a voz tamanha falta,
porque o peito se acumula
Em tempestades se estreita,
Para que tudo venha calar.

Eu não entendo o desassossego
Em que passeio em mim de lá prá cá
Não sei para onde vou ou onde chego
Buscando sempre algo que ainda será.

Mas ainda não.

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Feliz Aniversário, Estrela-Primeira.

Então fez-se seu dia,
com um novo ano inteiro
para florir todas as mudas que sonhar.

E um véu leve, garoa ousada,
refrescando qualquer possibilidade no ar.
Porque hoje é seu dia, hoje há que sonhar.

Porque quando eu tinha asas curtas emprestei seu vôo,
E foi você que me ensinou as nuances de voar.
Porque despidos de qualquer coincidência humana:

Ser humano é sede
sede que excede
a velocidade de amar.

Então fez-se seu dia.
Comovido, o tempo marejou os olhos,
Uma flor tão rara, uma flor que é toda vôo e que esquece de sonhar.

Amanhece o dia, e eu continuo a respirar poesia
Porque também você floresce
E segue a cativar o ar.

Como um verso que excede em si mesmo a capacidade
De, lírico, absorver e reinventar paisagem:
Mãe, amiga primeira, mulher verdadeira, vertigem de sonhar.

**Para você, mãe, no seu aniversário.
**Que os sorrisos brotem como a insistência da primavera.

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Da escrita.

Porque eu permaneço ausente quando você me transborda.
Porque sempre dói um pouco quando o sorriso.
Porque a distância cresce e a saudade ramifica.
Porque de paisagens provisórias forjam-se elos permanentes.
Porque a brevidade do silêncio não antecipa a intensidade desse grito.

E eu não sei onde fica o som da flor que se abre para a vida entre as buzinas diárias.
E eu não sei se aconteço simplesmente ou transbordo e caio.
E a poesia escorre pelas bordas dos olhos aflita, procurando qualquer que em silêncio tarde.
E as minhas mãos partem em busca das suas, e em binários, não vê.
O silêncio de qualquer resposta é o meu gesto extenso à qualquer pergunta.

Porque eu estou derramada aqui em em ti
E se me lê, me desnuda, envolve, me empresta um sopro de vida
Que, um pouco mais, permanece contido em meu hálito.
Passeia os olhos pela geografia das letras e creia:
Eu estou mais aqui do que em mim jamais estive.

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Amálgama

É quando dentro do mais azul dos matizes
Você se pergunta quando vai ser
E nada, nada responde, e o silêncio
Entrecortado pelo som doce do alvorescer.

É quando aquela velha força se acomoda no centro
E um sorriso fresco insiste na aridez diária
Dúvida acampa acerca dos anos e ao redor dos feitos
Na amálgama sôfrega que bafeja dentro.

É quando a aura ilumina sofrida
Prevendo um vulcão que ronrona baixo
A que com sacrifícios vários sustento
Mantendo em trégua a explosão contida.

É quando entre isso ou aquilo
Não há o que se queira ou à vida molde
Porque nunca nada basta e em tudo assimilo
Um equilíbrio partido que não há nada que solde.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Ao contrário, como nunca.

Ao contrário, como não houvera antes.
As imparcialidades repetidas,
As vicissitudes divididas,
Quimeras subtraídas.

Adeus moldado em forma de não,
lança pontiguda sangrando inquietudes.
Ela sentia e dentro, caminhos arguiam passadas suspensas.
No labirinto das veias, um sangue minotauro se perdia.
Na máquina dos medos, uma fábula impossível construía.

E amordaçada, a fúria chuta o peito.
Descompassada, harmonia veste espinhos e se encolhe em botão.
Mas havia sempre, dentro das coisas impossíveis,
um aroma doce pretendendo a baunilha,
a televisão ligada sob a folhagem densa das horas,
dentro de uma bolha de calor ameno,
em segura suspensão.

Ao contrário, nunca houvera antes.
E o tempo infalível, subindo como hera venenosa,
Encobrindo janelas e gritos, solidões invencíveis.
Ao, contrário, dentro, a animação das horas,
coloridas brindando ventos, descolorindo versos,
adormecendo fomes inalienáveis.

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

UM ANO DE CONTRATEMPO.

Há um ano atrás voltei a respirar.
Fundo azul de letras brancas,
Brincando estrelas prá brilhar.
Esconderijo nada secreto de todos os versos
Que me assaltam o sono na madrugada.
Abrigo de palavras,
malha de sujeitos e verbos.
Renda viva de sorrisos, reflexos e sensações partilhadas.
Entrega onde o tempo
Salta aos dedos,
Foge aos pulsos.
Essa entrega contra o vento
Perfuma os medos,
Floresce impulsos.
Meu amor, meu rebento,
Meu Contratempo.

**Ao seu primeiro aninho, criança**

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Era a chuva a embalar
o sonho do vento
que se esvai.

Era idílio de brisa ou furacão,
era mais...

Era o prenúncio da mesma dor antiga
Era o precipício quando acaba a imensidão
Era a tarde triste nascendo atrás da estória.

E era tão conhecida aquela sensação
Aquele telefonema mudo suspenso no ar
E o sinal de ocupado nos meses depois

Quando dobrou a esquina do sorriso sabia,
Não havia mais nada, nem suspiro nem pássaro.
Depois do último dente
Passo,
Escada.

Atravessou a porta do juízo e ganhou a rua.
Fora, a chuva lavou qualquer chance de grito
Guardou para si toda a dor; o vazio. Somente o vazio.
O vazio traçando rumos infindáveis dentro.

Porque era assim. Ao rio os pulsos, as horas.
Dissolvidos na água que fugia escura.
Porque nunca mais é ser tão triste.
Porque fechar a porta amputa tanta ternura.

Pensou em voltar e não. Tantas vezes. Até.
Mas a vida vai bordando escamas nesse “nãos”
E de repente a gente volta a flutuar...
Porque nada e tudo se aproximam tanto.


**Publicado no Secar ao Vento(http://www.secaraovento.blogger.com.br/index.html), Edição lençóis.

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Do que passou.

Fito o feito:
Fomos fato
Sem efeito.

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

WWW.

Quero um poema como um grito
Rompendo a mudez paralítica do verbo;
Quero romper a estática, a dialéctica,
Alçar vôo emblemática, ave poética.
Quero menos espaços e mais abraços
Fugir à prática matemática das horas.
Mas,
tenho apenas www.
e este amor,
maior que o mundo.

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Da Chuva.

Na sinfonia da espera
Ela primeiro precipita
Depois, primavera.

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Da Amizade.

Preciso
Da palavra exata no momento exato
Do gesto impensado e do espaço branco.
Preciso
Do teu choro e do teu riso
Teu amparo, desamparo
Teu abrigo.
Preciso
Do teu fogo amigo
Do teu silêncio ou do acaso,
Teu sentido.
Preciso
Do teu ruído a preencher espaço
Tua mudez, teu leve traço.
Preciso
[Re]conhecer na distância clara
Tudo o que a poesia cala,
Sobre teu ser querido.
Preciso
Saber-te riso
Encontrar-te perto
E guardar-te dentro,
Para sempre amigo.

**Para você, Gi. E o melhor dos aniversários.

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

CURTAS

* Eu me debruço no poço dos teus olhos
E repouso afogada na floresta do teu peito*
**prá você.

*Prosa é o pluriverso da poesia
Quando goza*

*Ando tão à flor da pele
pele em flor
pêlo apela
dor*

*Pedaço de sal
No céu da pele.
Resquício soluça:
No som, sa[u]dade.*

*Raso em mim
desatenta, a medida dos teus anos
Claro equívoco
desses tantos desenganos *

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

DA FALTA

FALTA UM POEMA
FALTA UM LUGAR
FALTA DE AR.

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Bem?

Você diz que está tudo bem
e eu acredito.
Acendo minhas luzes e olho no espelho.
Você sorri de volta e eu quase me identifico.
Posso sentir o peito estremecer
naquela velha dor aguda e sem jeito.
O mundo parece desabar
Cada volta é mais funda e nunca acaba;
Mas se alguém perguntar por mim
você dirá que está tudo perfeito.
Hoje é um daqueles dias em que a maré enche os olhos
e eu me amiúdo tanto, sinto tanto frio.
Mas você se mostra tão forte.
E as balas que em você ricocheteiam
atravessam meu peito.
Eu tenho que seguir recolhendo pedaços
remendando verbos,
construindo um abrigo de palavras,
um abrigo anti-aéreo, anti-etéreo.
Mas você é o inverso das palavras.
Você sabe censurar a dor.
Eu olho no espelho e você diz que está tudo bem.
Eu olho no espelho, esse sorriso colado em meu rosto,
e eu quase acredito ser você também.

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Galope vermelho.

Palavras soltas
_segredos_
Galopando a rima dos meus medos
_Ágeis_
Saltam sobre os dedos
_Indomáveis_

De relance através dos arvoredos
A vasta crina confundindo o horizonte.

_Vermelho_

Olhar no espelho
O amanhecer
A fonte selvagem

Derramando em pêlo
Pele
Palavras ariscas em tropel
Delineando poesia
Sobre papel.

**Inspirada no belo poema _Indomáveis_, do moço Diovvani <http://www.diovmendonca.blogspot.com/>

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Caminho de volta.

Meados de primavera... como as folhas correm, brincando em tons de marrom e barro pelo vento, ora pela chuva, fica difícil dizer. Difícil dizer das incertezas que se assemelham tão pouco a nada. Apenas essa inquietude, aninhada em mim como se eu fosse o mundo, e em mim coubesse todo o seu drama. Eu sei caminhar sem rumo. Contar gotas de chuva. Sei dar colo. Coisinhas estúpidas. Isso eu sei. Sei da minha intransponível condição humana, sei desse medo – amarelo – que se parece comigo, sei das peças que não se encaixam. Do tic e tac do relógio. E que perdi o ritmo. Andava tudo tão quieto, tão mecânico, estranhamente compassado no tique taque surdo do relógio. Até há pouco fazia tanto sentido. Tanto sentido o trabalho por fazer, a xícara de chá sobre a mesa, a segurança aguardando em casa, o amor. Tanto sentido. Em algum momento entre o tique e o taque houve um golpe surdo, como seu eu tivesse sido atacada por minha própria consciência, um mata-moscas gigante. Caí do relógio. Ele continua correndo e nem sabe que eu estou aqui. Sabendo. Muito embora não compreenda essas coisas estúpidas como acordar, escovar os dentes, tomar café, entrar no carro sair pra trabalhar. Todos os dias, de forma tão massacrante que se torne mecanicamente correta. Voltar pra casa no fim do dia, com mil problemas sem importância martelando a massa encefálica. Mal ter tempo de mastigar uma coisa qualquer, tomar um banho e apagar um pouco. Sem sonhos, por gentileza, o dia foi deveras difícil. Não compreendo onde fica o azul ou o cinza estampados no céu no meio disso tudo. Ou onde renderemos homenagens àquela pobre mariposa tola que se espatifou no vidro do carro. Onde, desfiguradas as cortinas dos olhos lampeja um sonho, janelas fechadas de um mundo sem limites. Onde foi que eu deixei de ser doce, onde foi que eu deixei minha ira, onde foi que eu parei de respirar?

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

O sol abriu os olhos vermelhos do dia.
Depois sorriu devagar, afugentando preguiças noturnas.
Lavou o rosto demoradamente,
fecundando os poros, a pele terrosa rachada e seca.
A melodia era "Uma ode à alegria", Beethoven, sempre.
Depois estendeu-se sobre a tarde, um véu cinza e refrescante.
Como se a chuva não oferecesse a paz, radiante.

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Tinturas.

Tinta
Para sempre cicatriz
Meu receio.
Sol que se põe quieto
Em meu peito.
Tinto
vinho seco que reclama a sede
Tinta
ansiosa cor a debruçar parede.
Tinto
O coração exposto
Partido ao meio.
Tinta
Palavra posta
Mal feito.
Tinto
Brincando como se fosse amor
Tinta
Tentando mascarar a dor.
E tintos pela cor de seus mistérios
Adormeceram em separados hemisférios.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Diálogo do Eclipse.

-Conta.
-Não.
-Mas não tá doendo?
-Tá.
-Diz então. Onde foi? Como foi?
-Não posso.
-Ah. Mas eu queria tanto saber. Conta.
(silêncio)

Foi tanto tempo assim, distante de saber. Foi tanto tempo assim, tão longo prá saber. Foi tão certeiro assim, ferimento prá morrer. Foi tanto ter assim, tempo não basta prá esquecer. Foi bom saber-te assim, amor para viver. E foi amor assim, tanto de não caber. E foi por isso assim, aqui vivendo a te querer.

(engole seco)
-É que você não entenderia.
-Você não tenta dizer.
-Eu esqueceria.
-Mas eu não sou você.
-Amo.
(silêncio)

E coração partido de agora, rebrilha a dor que comemora seu quinhão. Sabia. Não deveria dizê-lo, pois a dor rege tudo que aflora, e o sol, o sol sobre a delicadeza do sentimento que chora. Tarde. Recolheria seus versos minguados e tristes e voltaria ao hemisfério congelado de seus versos. Musa assim. Musa morta e branca idealizada em versos a que não pertence.

-Espera um pouco mais.
-Não posso.
-Mas...
-É tarde.
-Mal começamos...
-...?

Beijo.
Um instante apenas.
Amanhece.

Ele espera, um dia.
Ela impera, em paz.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

E se...II parte

E se?

E se eu não sou aquilo o que digo
Porque tudo isso
Se parece tanto comigo?

E porque eu pergunto, se nada responde
Como se a questão
Impedisse a aurora?

E se a verdade se estilhaça à toa
Porque guardamo-la
Com tanta vaidade?

E se o que cabe em nós não nos pertence,
E se amedronta frágil, sob a gente,
Por que a vida lhe arreganha os dentes?

E o que esperarmos frente ao nunca,
Se não somos nada, senão a confissão do agora,
Acontecendo de novo e a cada instante?

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

E se...

E se hoje eu arriscasse amanhecer mais azul
E o azul borrasse tudo o que eu penso?
E seu eu conseguisse ser menos úmida
E menos hera crescesse nas frestas do que eu sinto
Deixando aparecer quem eu sou?
E se eu desistisse, e acompanhasse a correnteza macia?
E seu acordasse borboleta, colorindo a idéia de sê-la?
E se o silêncio ganhasse asas, e seguindo o nascente, partisse?
E seu eu pudesse ser apenas o que sou
Sem que nenhum desejo pousasse triste em minhas tardes
Sem que sonho algum beijasse os meus caminhos
Sem que dor alguma rabiscasse meus espelhos?
E se eu despisse a alma que me reveste a angústia
E entrasse verso no teu pensamento?
E se você, distraidamente inquieto,
Pousasse suas mãos sobre o instante exato
E partisse em mil segundos minha essência?

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Dias sem vento.

E nesses dias sem vento
ficam os poemas assim estagnados nos dedos
e o cheiro parado do que não precipita.
Apenas o enjôo permanente adotado de maneira morna
E a sensação equivalente das notícias amareladas,
tempo gasto, tempestade represada dentro.
E nesses dias sem vento
as idéias não cavalgam os cabelos, não balançam ausentes:
As idéias afiadas cravam dentes, garras, intentos.
Apenas a mão forte da razão cala a tapas
O grito, a sorte, o lamento.
E nesses dias sem vento
Derramo o corpo, qualquer canto
alheia ao encanto da poesia vária com sede de vôo.
Apenas estaciono as vontades no comprimento
Mirando o horizonte a afiar um verso vago
Que hei de cravar na mediatriz do tempo.

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Das palavras.

- É que eu gosto das palavras, sabe?
Palavras são peças
De um jogo de armar
Posso ter um castelo
Posso ser mesmo o elo
Unindo inverso
e o paralelo.
Bem semeadas,
palavras dão flor.
Quando empunhadas,
causam a dor.
Palavras megeras
Palavras queridas
Que vestem poemas
No baile das rimas.
Palavra é passageira -
No revés da mentira,
A palavra,
Palavra certeira.
Palavra é asa
aprendendo a voar.
Palavra menina
Cresce ligeira
E aprende a ensinar.

**Inspirada no que você disse, Bela Caleidoscópica.

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Incessantemente.

Incessantemente.
Incessantemente.
Insistentemente.
Repetidamente.
Essa letra
luz elétrica
Essa idéia
Sempre acesa
Essa fome
essa urgência
Tarde exposta
sobre a mesa.
Porque não cala
porque não quer
porque não pára
E me requer.
Sorrisos
Suaves
Semblantes
Rapidamente mariposa
Tresloucada choca
o vidro, a luz
idéia solta
insistentemente
repetidamente
incessantemente
Até que alguém socorra
e cole asas à poesia
do papel.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Do dia-a-dia

*Para Paco

Os dias tem sido tão bonitos.
Quando entro no carro o volante ganha asas,
não tenho mais vontade de chegar.
Pena o pouco tempo, a vida tanta.
Toda manhã a lua vem me visitar.
Cada dia veste uma roupa mais bonita.
E o sol, com ciúmes,
veste vermelho e vem vigiar...
Eu hoje te encontrei como há tanto tempo.
É só assim que a gente percebe como memória é coisa viva,
que lambe os nossos dedos e late no inverno.
Tinha pôr-de-sol de cinema.
Tinha vontade de pausar o tempo.
Vontade de viver mais devagar.
Tinha o olho de vidro que nada refletiu
Guardou para si os segredos e apagou,
Partiu.

Segunda-feira, Agosto 14, 2006

Preciso

Eu preciso de repentes inexatos
E escancarar a memória em sol ao meio-dia.
Eu preciso assim, da vida inteira
Acontecendo acontecido, passo arrebatado
grande ao nascer, solidão primeira.
E quando eu penso em acalmar meus olhos
vem a vida, em mar revolto
tomba o centro, espuma o nó.
Esperança de lastro,
porta estandarte redentor.
Eu preciso de sorrisos grandes
navegando a tempestade de voar.
Clar [a] idade.
Eu preciso acreditar no amor,
temível como o mar e seus escuros.
Eu preciso aliviar a dor só de ser humana.
Eu preciso
silêncio discreto de montanhas,
pavor secreto das entranhas,
Para vestir de novo a cor.

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

POESIA LEVE

Escrevo não.
Transcrevo.
Transpiro.
Transcendo.
Sentir pinga o papel
E da inundação brota a paisagem.
Ver suplica mãos
e vou bordando letras à tela.
Nasci incompleta.
Inexata.
Imprecisa.
Poesia preenche os poros
E torna o caminhar possível.
Porque eu,
perdida entre tantas lacunas.
Espaços mortos,
brecha impossíveis.
A singularidade das minhas ausências.
Eu preciso de olhos.
Inquietudes.
Intensidades.
O tempo rasga e me dissolve,
aos poucos
borrando
a mensagem.
Procuro caminho,
que leve, sobrevoe e me entregue:
para o mundo,
meu mais secreto sorriso.

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Queria...

Eu queria mesmo é ser pessoa de coragem. De me jogar na vida assim. Sem pudores, pára-quedas, dicionários, roteiros, traçados. Eu queria saber viver de repente, sabendo que a vida assim passa, e sobra pouco ou nada na gente. Queria não ter tantos poréns. Nem tantas ações calculadas. Viver o hoje sem planejar o daqui a pouco. Mas acontece que eu sou pessoa de planejamentos detalhados e kit de primeiros socorros. Porque se doer. Ah. E sempre dói. E às vezes eu me pergunto então por quê. Mas sem mapa, eu não sei chegar. E eu queria saber ir, mesmo sem saber prá onde. Quando, ou porque. Subir a montanha mais difícil sem saber prá que, e chegar lá só prá ver. A lua, a lua nascer. E quando der vontade, ficar triste, chorar tudo o que vier, quando for. Não engolir nós, abraços ou sorrisos. Eu queria mesmo é ser pessoa de coragem...