Do amor e da guerra.
Vale esta sorte
Ai de quem erra
Quem espera, é a morte.
Contratempo é um filho meu com o silêncio É minha maneira de surpreender as horas, alcançar os segundos que se espalham no ar como estrelas, pulverizando um tempo que se vai do meu pulso num fio delicado...
Hoje me abriu um vazio e um silêncio,
As mãos ausentes das tuas,
A falta daquele abraço de natal tão familiar.
Já faz um tempo, vó, eu sei.
Mas é que os teus ensinamentos seguem
Setas do meu caminho,
Passos de caminhar.
Doeu um bom tanto a saudade.
Aí busquei no céu,
Uma janelinha pra te abraçar.
**Para minha avó, que voltou a ser anjo num dia 23 de Dezembro de alguns anos atrás.
Eu queria trançar nas fibras do papel esse amor.
Eu queria saber dizê-lo, contorná-lo.
Queria conhecer sua forma e suas margens.
Mas é tão longe o horizonte
E eu aqui no meio do sentir, tão submersa.
Tão à revelia do para sempre.
É certo que as palavras fugiram de mim,
Subiram como hera sobre a respiração
Trancando os versos, a necessidade solene
De encadear belezas sobre a fibra virgem.
Eu me rendo,
Eu já sou tão sua.
Amor que me assoma,
Alma já tão nua.
Eu sigo meus passos,
Meu passo é dentro,
A solidão em coma
E essa certeza crua.
