Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Apátrida.

Não sei se permaneço
ou me mudo de mim.
Venho provisória,
Sem saber a que chão
Chamo casa
Não tenho asa
E não tenho fim.
A história chama
Me precede e continua.
Estranha ao espelho,
Continuo ocupando os teus olhos.
Preciso de um horizonte menor
Que me acolha como lar
Prá poder descansar...
Preciso ganhar margem
Que mesmo borrada,
me contenha.
Para ser-te, amor
Mais inteira e menos lúcida,
A prender a balançar
Nas bordas do teu riso
E não somente
Na pré ocupação
Do teu olhar.
Preciso de menos poesia,
E mais blindagem,
Pra barrar meu rio
E gerar a energia
Prá mover meus passos.

Sábado, Janeiro 21, 2012

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Dos retornos.

Eu disse eco
e fui tantas
que me perdi.

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Feliz ano novo.

Quero desejar a todos um ano novo de luz, abençoado, de muitas realizações.

Que nos traga desafios suficientes para nos estimular, mas sem nos tirar a vontade;
Que nos traga alegria na mesma proporção em que levarmos sorrisos aos outros;
Um ano que nos acolha nda mesma forma que acolhemos a vida em nossos corações.

Que a gente saiba perdoar e saiba ser perdoado;
Saiba que as tempestades caem, sim. E depois delas o céu volta a ser azul.
E que a vida é cheia de ciclos,
Que essa Terra é só uma passagem, uma oportunidade para sermos bons e felizes.
Porque uma coisa leva a outra.
Que a gente possa enxergar
Que o bem que fazemos a outro fazemos em dobro a nós mesmos.

Que a gente saiba o valor do amor, próximo ou distante,
Porque amor, eu bem sei, não respeita os mapas. Nem os muros.
O amor constrói pontes.

Esse é para desejar-lhes um bom ano-novo.

Dizer que as saudades são enormes.

E o amor, também!

Sábado, Dezembro 17, 2011

Interno Revolto.

O universo
Arremessado em looping
Vertical sob a pele...

E eu aqui
Sentido falta nem sei
Mas tempo.

Há tempo desaprendi.
O sorriso nunca me foi
Dessas pinturas fáceis.

O poema sim.
Nasce colado, correndo,
Pulsando líquido e tenso:

O poema bebe de mim
E eu esvazio no instante
O escarlate dos versos...

Quando volto à mim:
A porta da frente
E esse coração pulsando aberto.

A natureza segue
em pronúncia íntima:
Chove na alma,
De ver de arrepio
Ver melho queima
O sol meu sozinho
Há mar e elos
Trincam meus pulsos

Adormeço os escuros
Tremendo meu frio.

Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

Quem não me abandona.

Até a raíz dos meus gestos,
Até o silêncio mais profundo,
até esse cotidiano ardente,
colado à sombra dos olhos.

Todos os caminhos
Chamam-se poesia.

Essa que ferve na boca,
Cola as pontas dos dedos,
Derrete vermelhos no horizonte
E o Carmim do canto dos sorrisos....

Essa que não cede aos passos
nem aos rumos ou às rimas.

Poesia que alinhava, escarlate,
O tom picante na lâmina dos versos
E apunhala exclamações 
Na chave de estribilhos.

Poesia que não me deixa sombra
Que me arranca à Pá
Em lavras de sol
E adormece só,
Balbuciando-me indecências ao ouvido.

Domingo, Dezembro 04, 2011

Sem fé.

E se foi mais um ano.
Que até seria melhor,
Não fosse
Ser humano.

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Desfocada.

Vou ser
Voou
Será quando,
Você?

Domingo, Setembro 11, 2011

Eu te desafio
Com o fio dos meus versos
O traço afiado da letra,
A estocada pontual dos gestos.

Eu te desafio
À singularidade no tom dos protestos,
À retidão afiada
Abrigada no ângulo agudo em que eu testo
Os passos, e palavras, confesso,
No som ondulado
Desse minifesto.

Eu te desafio,
E toda eu,
Resto.

Segunda-feira, Agosto 29, 2011

Crônicas da volúpia.

Ajeitou o cabelo e olhou de relance no espelho, ainda uma vez.
     Carregava nos lábios o veneno escarlate da solidão.

Um passo à rua.
A curvas longas
Os olhos cheios.

Veneno escarlate.

Os olhos da fome
Os olhos sem nome
Os olhos que homem.

Sentou no café,
Cruzou as pernas,
Ancorando olhares.
Nem a fumaça
De eternas esperas
Era possível, agora.

A demora.
1, 2, 3, 30 minutos.
Aos 37, atrasado como.
E o cabelo em desalinho,
Aninhando as desvontades.
O perdão já se precipitava
Fugindo entre os dentes,
Cela que não continha as doçuras.

No toque das mãos
houve um princípio de incêndio:
Que aumentou logo depois,
3 quadras de distância,
motel barato,
Taj Mahal de desejos.

Despiu os pêlos
E à pele arrepiada
Desde os lábios
Amaciando os caminhos
Em reluzente carícia.

Ao tocá-lo,
Armadura sem palavras
Agonia em tantos versos mudos,
Os poemas verdes,
As conjugações mais duras:
Lhe mordia o sal dos picos
Apressando rimas e estribilhos.

E foram tantas rimas ricas
Que de poema
se declararam juntos:

Até que o palavra os saciasse.

Terça-feira, Agosto 09, 2011

Cabe ao poeta.

Esse costume de adestrar a dor
Até que se torne mansa, dor,
Até que venha nos lamber as mãos,
E nos acompanhe as solidões.

Esse vício de agregar dor,
Até que se torne parte
E nos tome por arte
Profissão poesia, de
Contar a dor.

Sábado, Julho 02, 2011

IN vento.

IN ventar... e na ventania,
Por dentro do tempo,
IN tento
Sonhar.

Sexta-feira, Maio 20, 2011

Saudade das raízes.

Quando as palavras parecem engasgar,
machucadas com a distância.

A distância agora das raízes...
em cada pegada, encravada
verso amarrado de saudades.

As palavras são manhosas...
E quando assim, com as vírgulas afastadas,
Negam-se a florir estrofes,
Suspirando as raízes,
sob milhas de acontecimentos....

Segunda-feira, Abril 25, 2011

De felicidades.

É que a boca, cheia de estrelas,
Quase não dorme à noite,
Ensaiando harmonias.

E quando de manhã,
O travesseiro,
'inda quente dos versos,

Agarra para si
O cheiro doce

das rotinas.

*ser feliz é um gesto...

Quarta-feira, Março 23, 2011

Kocham Cie*.

*Do polonês: Amo você. Pronuncia-se "Korram Tiê"

Basta.  
Dessa lonjura dos espaços,
A distância entre a pele e o carinho.

Basta.

Que o tempo avança inconsequente,
roubando sorrisos da boca das gentes,


Basta
De linha para dizer que te amo

Se o pensamento

Transpassa horizonte e o céu inflamo.

Basta.

Que o amor é paciente,

Mas hora se avoluma

Risca o juízos, 
De estrelas cadentes.

Basta,
Dessa coisa larga

De dizer adeus sem metragens.


Hoje,
Inauguramos
uma ponte entre as saudades
Pelas luas que entrelaçam os dedos.


Hoje,

A primeira passagem,

bordando o epílogo do enredo.



Hoje 
basta-me
teu abraço,
Quando acordo maior,
Na soma de imagens:


Hoje, meu amor

E amanhã(s)
Também.


*...Eles são um casal que não acreditou na distância. 
Usando o amor, construiram uma ponte de palavras 
para alcançar um ao outro. Parece que deu certo.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2011

PS:.

Fui ser prá sempre.
Em dupla.
Depois eu volto.
***Estrelas***!!!

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

Sí.

Em sí,
sol.
Em si mesmo,
chove.

Ensimesmada,
a matéria bruta foge das re(o)tinas.

Domingo, Janeiro 09, 2011

Manual desengonçado do silêncio.

Se fosse feliz, seria o início.
Os inícios são felizes.
Os finais sempre precedem os silêncios.
Podem ser silêncios, também.
E se fosse possível ilustrar na ponta dos dedos
Essas coisas impassíveis que nos ditam.
E se estivéssemos a salvo.
Depois dessa enfadonha batalha dos dias
Dialogar rotinas e retinas, luz e mistério,
Prismas decifrando as íris irriquietas sob os arcos dos olhos.
E se fosse possível.
Talvez o silêncio viesse antes, não sei.
Antes dessa incômoda falta de ar.
Da lacuna aberta antre lábios
Do olhar selado de tanto calar.
Sei apenas que se fosse feliz, seria o início.
Porque os finais precedem o silêncio das coisas.

Segunda-feira, Janeiro 03, 2011

Too soon?

Às favas com as métricas, as rimas e a simetria. Das favas.
Inicio o ano deslizando 
Diz (soon) antes
Very soon. E antes.
Antes que eu me perca de vez nesse labirinto de rotinas e relógios e compromissos e prazos e preços.
Eu me perdi nos rumos e rosas e nas horas teimosas, sons que insistem em vir.
(too soon).
Tudo vai mudar, você sabe.
Eu não sei. Sei. Tenho medo.
E não tenho. Eu quero.
(e também quero correr muito disso, sem olhar prá trás).
Mas se eu me afastar de você, vou ficar tão sem.
Ar. (too soon, babe)
Quando meus dedos se perdem dentro daquelas suas mãos grandes,
depois que você me encontra dentro do que eu sou (soul)
Então nem sei mais, sou. Soul!
Então. Tudo vai mudar, eu disse, mas já mudou antes. 
Você se mudou prá dentro do meu pensamento e me arrasta muito longe quando sai.
A saudade tem esses fios compridos embaralhando as vidas das gentes.
Aí eu disse que agora não tinha mais rima, nem simetria.
Mas sim! teria, a simetria de ser exatamente desse jeito que eu disse,
E de não ser porque eu me perdi. Ainda não sei quais são as guerras que eu vou ter que lutar
Pra poder ser capaz
Prá poder ser a capa
E az
Desse meu despertáculo.
A vida roendo a ponta dos dedos, e eu não
Esse não saber que me arde, me urge, me argh.
Ar.
Quando eu estiver finalmente contigo talvez faça sentido.
Sem ter, sentir não me é tido.
Too soon, babe.
But I'm really ready to know.

Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

FELIZES SEMPRES.

Enquanto as palavras somem
Sei que voam livres e anamoradas
Altas, doces e desgarradas,
Inventando novas cores, gargalhadas
Para quando retornem às pontas dos meus dedos
Leves e coradas.

Enquanto as palavras somem dos meus dedos
Descrevem abraços e carinhos imaginários
Que a vocês,
Amigos, irmãos, poetas, almas pensantes,
Dedico e dedilho em sono e sonho, embora poucos,
Do meio da correnteza farta das rotinas.

As coisas me exigem mais do que desenhei,
Mas é bonita a paisagem ligeira que vão escrevendo as passagens.
Tão logo diminua o ritmo veloz das corredeiras
As estrelas vão pontuar novamente,
Ao invés de riscar o céu de desejos breves.

O amor é latente.

Sejam felizes, sempre!

Terça-feira, Novembro 23, 2010

Rotina.

E ainda
Sempre
Sem pressa,
Precisando mesmo
sem presságios,
ser.

Quinta-feira, Novembro 11, 2010

A esta hora....

A esta hora vivida
Nem poesia me abriga.

(nem obriga)

Quinta-feira, Outubro 14, 2010

As palavras.

De meu, trago as palavras.
Não as criei, mas sei dar-lhes aquele sopro
Que coloca cor nas suas linhas e movimento aos corcoveios.

As palavras são a minha máscara
minha espada,
meu escudo,
minha capa, minhas flores,
e serão minha mortalha.

Palavras me detém
Me contém e me suprem.
Das palavras vou além
E depois torno,
Quando convém.

Essas palavras, bem costuradas,
Se calam, me vestem,
E ao dizer me despem
Para depois saciadas,
dormirem, calmas,
porque me têm.

Quinta-feira, Setembro 30, 2010

Das metades.

Isso de querer rasgar o coração na metade
E viver duas metades num mesmo tempo.
Isso de ser duas e não ser nenhuma,
De querer bem e fazer mal,
Isso de não saber comum,
Isso que não é normal.

Isso de alinhavar o destino com linhas de esperança,
Esperança de reencontrar o caminho fundo
Que as raízes que eu tenho buscam dentro.
Isso de precisar voltar sem ainda ter ido,
Isso de sentir que meu sentir é partido,
E que não encontra lugar.

Isso de querer ser inteira e uma contigo
E sentir que pulsam quentes 
as veias ramificadas
que comigo divido.

Isso dói.

Terça-feira, Setembro 28, 2010

IMPORTANTE!!!

Gente,

Votem no Múcio Góes. Não só porque ele é um solzinho.
Mas também porque é um dos melhores poetas que conheço.


CONCURSO FLIPORTO DIGITAL

ESTRELAS prá vocês!

Quarta-feira, Setembro 22, 2010

Pausa de cortantes brancos...

O silêncio senta dentro dos olhos
E com mãos azuladas traça arcos de fúria.
Fúria, sim. Rubra e turva de inquietudes.
Parte no ar suas espirais e deixa tingir
o colo, do escarlate agonizar das horas.
O silêncio de mãos longas e azuis
Redesenha os contornos frágeis das lágrimas
Que ameaçam partir-se à melodia dos prantos.

O silêncio de mãos tão azuis
Dentro da minha pausa entre cortantes brancos.
Eu ainda posso ouví-lo partindo espirais
Mas já não posso respirar
Sufocada pela ressonância que arrebenta as margens.

Quarta-feira, Setembro 15, 2010

EM TEMPO.

Unir versos e mãos
Na pausa momentânea do tempo:
Nossos minutos de ponteiros colados

Calados, encontram tempo.

Sexta-feira, Agosto 27, 2010

Distante?

Distante
Diz tanto,
Esse jeito
Inconstante
De amar.

Diz tanto
Que até te escuto
Pensar.

Distante tuas mãos,
Embora me abrace
O olhar.

Diz tanto
Distante
Que já nem preciso ligar:
Basta que o pensamento,
Pouse em teu nome,
Feito um sopro sozinho,
Que já te escuto chamar.

Quarta-feira, Agosto 18, 2010

Das saudades.

Sinto falta de mim.
Sinto falta de vocês.

Sinto falta do brilho
De todos os sorrisos
Que já passaram pelos lábios.

Estive olhando fotos
E descobri
O quanto a gente é feliz
E nem sabe.

Quinta-feira, Agosto 12, 2010

Vírus.

Relógio-precipício.
Um tique-taque azedo
Arranhando a garganta.

Cada ponteiro
Sugando afiado
A vida das minhas veias.

O peito respira fraco, sem vontade.
Algumas palavras, depois que entram nos ouvidos,
Se assemelham a vírus, infectando as células.
Uma à uma.

Parasita do que queria ser felicidade...

O tempo vai passando,
o vírus se espalhando
e eu não encontro antídoto.
Vacina.
Remédio que controle a dor.

Algumas palavras
Deviam
Ser erradicadas.

Segunda-feira, Agosto 09, 2010

Afasta das minhas mãos

O frio que insiste em rendar as madrugadas.

Afasta do meu peito

O vazio que me procura com os olhos de fome.


Aqui nesse nosso mundo

Eu consigo ser feliz e rir com os pássaros

E seguir lá na frente

Os passos rápidos da esperança.


Mas eu estive lá fora novamente, amor.

Eu nem sei, não resisto.

E a realidade machucada das coisas

A brutalidade dos sentimentos acinzentados

Essa aspereza na superfície dos olhares.

Essas coisas tão sem fundo, tão poucas de si,

E o barulho ensurdecedor das horas rolando,

O tique-taque surdo dos corações tombando,

E a pele parecendo quebrar sob o peso das aparências.

E a incapacidade que eu tive de respirar

Aquela fumaça densa que contornava os princípios.


Eu voltei assim, amor,

Consegui ouvir a tua voz doce sob a cortina de estilhaços.

Mas segue em mim esse descompasso

O que sei, o que sou, o que há.

Eu trouxe comigo essa perturbação,

Essa pobre impotência aninhada em meus braços,

E aquele velho cansaço, feito pixe nos calcanheres...


Desculpa, amor.

É em mim o poema, querendo voar além

Eu não resisto a tentar abrir as portas...

Quinta-feira, Julho 15, 2010

CONTRA O TEMPO

Sopro de concentrações,
Forca dos minutos que me excedem
Que escorrem tênues e gastos,
Pela borda afiada dos meus dentes.
Pela borda sempre
Em que desgasto a suculenta impaciência
nesse abismo de estrelas tantas.

Abro a porta do peito pro temporal
Tentanto engolir o vento e tornar

A temporal.

Sexta-feira, Julho 02, 2010

Dores, poemas.

Poeta finge dor?
Ou é o poema,
Esse alfinete de estrelas
Se enterrando fundo
No centro da palavra vazia
Até sangrar seu lugar?

Poeta fingidor...
Talvez seja o poeta
Esse ator do sentir
Vestindo as paisagens alheias
Para o sentir fotografar.

A dor vai de mãos com poeta,
E não me entenda mal,
Nem toda dor é feia,
Tem dor que dói de tanto brilhar.
Tem dor feita assim pro poema
Poder, findo, desabrochar.

Terça-feira, Junho 29, 2010

Ri Mar.

Essa sisma de rimar
o rir e o mar
Só prá
Te encontrar.

Quinta-feira, Junho 17, 2010

Libertação.

Abrir as janelas da alma num dia de sol
Libertar toda a metamorfose acumulada
Dentro do estômago.

Quarta-feira, Junho 09, 2010

"..."

Entre aspas
Saber tornar
Ex-tensões.

Quinta-feira, Maio 27, 2010

Entre as pás.

Um ser humano.
Ilha cercada de escuro
por todas as partes.
Uma pedrada
Um grito no escuro
A imperfeição
De todas as artes.

Um ser humano.
A espiar o futuro,
Entre risos e enfartes.
Um golpe de espada
A cara no muro
A comunhão
Desses rubro estandartes.

Um coração.
Um silêncio duro,
Pulsando escarlate.
Uma dor espalmada
Um amor puro
E a decisão
Que essas vidas reparte.

Segunda-feira, Maio 17, 2010

Na falta de versos...

E se por acaso atrapalhar você
Essa desastrada falta de versos
Ignore, não esboce gestos
Que o mal incerto das palavras
Talvez volte a pinicar
Já que não temos assim dias certos
Para brilhar.

Quarta-feira, Maio 05, 2010

Artista.

Se atreve
Os dedos emaranhados
Entre o nascer do sol e a tempestade.

Se atreve,
A vida cavalgando mergulhos
Na boca do estômago aberta em susto.

Se atreve:
O azul tingindo as pupilas,
A exposição colossal do artista.

Se atreve...
Rubra boca
Numa prece que não se acabe
Esse mundo, essa vida, essa sensação tão louca.

Se é febre,
Veste os delírios.
Que o tempo é curto, e avida tão pouca.

Se eleve,
acima do cansaço, das vertigens, da fumaça
Onde Ele pulsa, derramando as cores

Obra perfeita onde pixamos dores.

Segunda-feira, Abril 26, 2010

Concha.

Acredito,
não sou das pessoas piores
provavelmente nem melhores
ainda assim,
acredito, eu tento
sinto, não invento
e mágoa é dor fina
espeta a gente por dentro.

Acredito
na flor das esperas
tentativas deveras
nesse mundo de feras.
Egoísta não sou...
(acredito)
(tento)
Mas nas palavras
lanças
atravessando
as crenças.

Nunca pretendi sê-lo.

Apenas tenho dores
às vezes quero ser pequena
ajeitar-me num colo
que no meu não me caibo.

A imagem que eu bordei na porta
Forte o suficiente
Para sustentar o sorriso,
Abriga tantos abraços e carinhos
Quanto comporta meu abrigo:
Só não comporta
Meus próprios passos.
e eu também preciso,
embora quase sempre eu cale...

Quarta-feira, Abril 07, 2010

COM CIÊNCIA.

Compre
Compre
Compre
Consuma, é a ordem
Maioria geral.
Come, nem sente, consente
Inconsciente.

O lixo se acumula pelos cantos
O luxo sobe escadas e entretantos
O relaxo nos empurra aos solavancos.

E em algum lugar do planeta
Alguém rasura, censura a letra
Forja os grilhões da farsa
Para que gentilmente submeta
A alma e as cores, gerações.

Em coma, ainda ciente
Não consente e esperneia o coração
Busca outras vozes que entoem oração
A bandeira já sem graça da esperança
Erga o peito e desafie o ser igual.

Seja o vento que tosse, insistente
Essa fumaça que se forma à nossa frente
Não desbote a contradança do ideal.

É o lixo, o luxo, o relaxo:
Obras postas no horizonte em que me acho
Que não desçam as cortinas do final.


Quarta-feira, Março 24, 2010

Do relógio.

O ponteiro, de lança em riste
Caminha sem freio:
Nem percebe que é triste!

Sábado, Março 20, 2010

Carta.

Você ficou desbotado
perdido no meio de alguns papéis
algumas contas vencidas,
Uma carta com marcas d'água.

Acho que te amei.
Mas o tempo amareleceu as memórias,
embotou os sentidos.

Mas a carta denuncia a paixão
urgente e sôfrega,
a inocência escarlate da entrega.

Uma pena a lembrança da paixão
Ser volátil como as declarações
que fiz, ser tênue como a chama
que aos meus olhos ardeu.

Mas a carta não teu seu nome
amado anônimo,
sem cicatriz.
Amei, talvez.
Fui quem quis.