terça-feira, dezembro 30, 2014

Pupa.

Diluído nos pulsos
Um tanto:
Sou todo.

Um tinto de nada
E um pouco de Deus:
Parte sagrada.

Singrando existência
Sem pertencer:

Em tudo, sou nada.
No todo, entretanto,
Tanta jornada.

Pacientando meus seres,
Meu ínfimo universo:
Partícula de tudo
Que em nada espelha...

Silêncio, lento,
Denso,
Pausa quase palpável.
Aqui, sob a pele,
Plasmando metamorfoses.


segunda-feira, junho 17, 2013

quinta-feira, março 07, 2013

Insônias.

INSOLENTE,
A madrugada
A calma COME.
Depois a madrugada acalma
E ACABA,

INSONE.

terça-feira, novembro 27, 2012

Do desassossego.

E quando
dentro dos silêncios a velha angústia
e os caminhos se arrepiam
sob as solas dos pés

Dentro dos olhos tormentas se levantam
Afundam corsários, derrubam bandeiras.
Os pelos erguem-se
na mais antiga curiosidade

E tudo
Grita calado a mesma urgência.

Quisera ser
Em calmarias de um Maio preguiçoso,
Mas nasci rente ao nível do desassossego:
beiram em mim as turbulências,
bebem dos meus dedos
a tinta das palavras.

Que remédio
Senão os grandes goles de madrugadas,
em bordas de insônia e brancos largos
pedindo por mais traços, ansiosos?

quarta-feira, outubro 31, 2012

Onde...? Aqui.


Veio o dia e eu não dei a outra face.
Virei as costas, perdi ou achei meu rumo.
Interpretem como quiserem,
Apenas eu e meu mundo.
Se a ditadura dos iguais exclui,
Chega de camuflagens,
De medos, de culpas,
Não sofro mais dessas arbitragens:
Descanso doce,
Em minhas paisagens.
Eu não exijo mais nada desses todos
Também não me expliquem,
Eu não venero seus deuses.
Prefiro o diálogo tépido
Com os silêncios travestidos de pássaros,
Com a diminuta magnitude do verde
Que enlaçado ao horizonte borda as imagens.
Os pelos convidativos dos amigos de quatro patas
Brincam distraídos sob os meus dedos
O amor que chega sem pressa
E fica dissolvido dentro de mim
Perfumando todas as lembranças.
Sem sobressalto
 a vida se torna simples.
É só andar
Fora destes mapas.

sexta-feira, outubro 26, 2012

SOL Maior.

(*para Múcio de Lima Góes)

Soberano,
Sobre os anos
Sobra amor.


sábado, outubro 20, 2012

SITIADA.


Essa agonia sitiada
Refugiada no estômago.
Refém de mim mesma,
Ainda não saquei
Pois nem sei,
O resgate.
Aqui, na margem das coisas,
Entre a hesitação de ir,
A pressa de voltar.
Permaneço
Em mim.
Olhos atentos a qualquer
Que ausente, mova,
Qualquer, que
Compreenda
Nada mais está ou esteve
Em seu lugar.
Dentro do meu silêncio
Todo esse barulho
Ainda há
De calar.

quarta-feira, agosto 22, 2012

No Topo do Tempo...ou...EM CASA.


RespirAR
O ar leve da manhã
O breve aqui
Efêmera matéria rosada das manhãs
RespirAR
BreveIDADE arrepiando a manhã
Neste lugar
Tão IN
Nada tenso
Denso
De brevidades
Onda viva Onde
Anda a manhã
Ainda mais bela que a madrugada:
Respira: AR.
Passar os olhos sem pressa
Pelo verde desafio da serra
Sentir o perfume do mato
Ouvir os sons do silêncio.
Tirar os sapatos, despir o urbano,
E lentamente me infiltrar na terra:
Ao invés de âncoras,
Lançar de volta as raízes...
Em casa.

terça-feira, julho 31, 2012

Sol.

Pisar o sol,
Piscar o sol
Pesar o sol,
Apesar do sol.
Penar o sol,
Picar o sol
Pifar no sol.
O sol!
Apear o sol
Parir o sol
Parecer o sol.
Solenemente
Solo
Só( l ).

domingo, maio 20, 2012

Di (s)sol VER-se.

Há quanto tempo as visões e profecias estão no ar?
Há quanto tempo transitamos entre saber e não...?
Há quanto tem entre as dimensões, entre o todo e a ilusão?

Eu só sei dizer que hoje eu sei
O que a tanto tempo me vira do avesso
Planta arrepios e tempestades no revés dos pêlos

Desespero na imcompreensão dos cataclismas internos
E agora sorrisos no olho-furação do não-ser?

Hoje eu posso me abandonar ao sabor dos tsunamis
Deixar que me levem, meu querido Paulo Bonfim,
"Agora que todas as avalanches
Rolam por mim,
Agora que todos os atalhos
morrem em mim
E raios e porcelanas
Me atravessam solidões"

Me abadonar e
"Deixem que se cumpra
O desígnio dos rios,
Que a primeira floresta
Rasgue o ventre do asfalto"

Porque não importa,
Está tudo certo,
Como deveria, como foi e será,
Porque as rédeas não são minhas...
E eu posso enfim relaxar da insana tentativa
De compreender e controlar a vida -
Que não me pertence.
Eu pertenço - Sou parte, sou arte, sou TODO.

Indivisível acontecimento onde não cabem dores,
apenas alegria, encontro
E sim,
Amado poetas:
Nós somos RE encontro.

Apenas o coração é sábio.

(feliz como passarinho em céu de outono).

[Trecho entre aspas são partes do "Poema do Desespero" do grande mestre PAULO BONFIM]

segunda-feira, maio 07, 2012

Como é que faz?

Como é que a gente faz, 
quando as bonitezas do mundo 
parecem soprar dentro e fora da gente, 
dobrando todos os pelos, as vontades e os sentidos?

O que fazer quando a vida é um suspiro maior 
e não cabe nem no portão nem no sorriso 
e essa onda sempre vindo, inunda o espírito?

O que a gente faz, quando o sol derrama 
sobre a pele toda a riqueza das esperas, 
o céu abraça com todo azul das calmarias 
e as distâncias completam ciclos revolutos dentro das saudades?

O que, me diz, a gente faz, 
quando tudo é assim tão grande, tão voraz?
A vida é um gole grande, mas o depois, 
O depois, consegue ser tão mais...

terça-feira, abril 24, 2012

Nada sei.

Por ignorância
Tornei-me curiosa.
E hoje, quanto mais eu vejo
Mais perguntas me assaltam,
Mais vazios me tomam,
Cada vez menos sei.
Sinto apenas
Que a cada venda
Se descortina a razão,
E talvez um dia eu fique
Nua de existência.
Completamente pura,
E consiga ser
Ao invés de tentar
Apreender.

quinta-feira, março 08, 2012

Com todo meu amor.

Eu não vou parabenizar as mulheres pelo seu dia.
Eu não vou compactuar com os rótulos da mídia.
Com os pseudo-heróis. Com a mídia enlouquecida
Que transforma jovens perdidas, participantes de
reality shows em musas, em heroínas, e apaga da
nossa memória as Marias, Marianas, Luízas, Silvanas.

Que glória é essa de fingir que são amadas, respeitadas?
Glória tem esses seres humanos iluminados, sexo humano,
que não se corrompem, não se vendem, que amam simplesmente,
que percorrem os dias distribuindo a força das suas pegadas
como se fosse o gesto mais leve.

Chega de vender datas e seres humanos, como se todos fôssemos
rotuláveis, catalogáveis, vendáveis.
Vamos tentar apenas ser, desligar os televisores e enxergar o mundo
que tentam nos esconder.
Ele é mais bonito do que possa parecer.

Felizes sejam todos os dias, para seres humanos como você.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Apátrida.

Não sei se permaneço
ou me mudo de mim.
Venho provisória,
Sem saber a que chão
Chamo casa
Não tenho asa
E não tenho fim.
A história chama
Me precede e continua.
Estranha ao espelho,
Continuo ocupando os teus olhos.
Preciso de um horizonte menor
Que me acolha como lar
Prá poder descansar...
Preciso ganhar margem
Que mesmo borrada,
me contenha.
Para ser-te, amor
Mais inteira e menos lúcida,
A prender a balançar
Nas bordas do teu riso
E não somente
Na pré ocupação
Do teu olhar.
Preciso de menos poesia,
E mais blindagem,
Pra barrar meu rio
E gerar a energia
Prá mover meus passos.