terça-feira, outubro 11, 2005

Chuva. Aqui dentro uma tempestade, fora eu chovo. Vertical como a chuva. Descendo, sem escolher onde, seguindo, seguindo, passando sobre os rostos, sem nome, exaltando-se, plena, encolhendo as gotas, encontrando frestas, abrigando-se nos sótãos, na poeira, gotejando escura e triste: aqui, ali e lá. Forma poças em lugares estranhos: formamos, movidas por forças, muitas gravidades além de um tempo que não para. Emboloramos livros, fotografias, sorrisos perdidos, sonhos esboçados, previsões para um futuro que se esqueceu de ser. Provocamos o medo, o sono, o frio, a insônia. Ao insistir aborrecemos, desistimos e por fim esquecemos. Retorno chuva, os passos cansados pra casa, levando nos bolsos oceanos inexplorados. Os olhos rebrilham, na sincronia apressada das marés. Amanhã quem sabe, com mais tempo.

Nenhum comentário: