terça-feira, outubro 04, 2005

Mastigada e cuspida pelo dia. Tragada pela chuva, tragos largos, verticais. Incapaz de resistir à insônia, suas longas mãos sedutoras. Dentro, o espírito tilintando com delicadeza, quebrado. A noite enorme que não desce, enroscada na garganta como um grande comprimido amargo. Tento dominar o asco: água, como se lavasse a revolta. Água, como se diluísse o caos, re-hidratasse a face marcada de sal.Desânimo para seguir adiante. Decepção. O mundo nunca foi tão pequeno. O ser humano, só uma bola fedida de carne, mentira e arrogâncias. A fé, diluída na chuva escura, mancha a calçada, desce pelo bueiro. Dentro de casa a luz, a realidade dolorida das coisas, o colchão faminto: comprimido e sono. Sem sonhos.

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