sexta-feira, outubro 07, 2005

O sol não se arriscou hoje pelas minhas frestas, mas não faz mal. O cinza é claro, a as árvores elevam as mãos ao céu, buscando as mãos de Deus. As árvores. Ontem gemiam uma história triste sobre seiva e raízes. Hoje tremulam as folhas de um jeito estranho: devem saber. Devem saber disso que me cortou o ar por alguns instantes, dessa pausa tensa que se abateu sobre as horas, pousada sobre aquele relógio com uns olhos grandes de abutre. Permaneceu ali uns dias, atraída pelo cheiro mórbido que se desprendia da angústia. Mas hoje eu abri a porta e não estava mais lá. Ainda posso sentir o cheiro, sentir alguma coisa de sua presença, a grama amassada sob a sua lembrança. Mas hoje eu não sei. Quero ir por aí com a certeza de voltar e simplesmente sabê-los. O pai, a mãe, o irmão e o cronópio (um velho novo amigo). Cão, casa, flores na janela e um sorriso de boas vindas.

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