terça-feira, outubro 25, 2005

Para Hoje:


Hoje:
Tentar despir o sol
E entender as asas quebradas.
Abrir o zíper do cinza
Consertar engrenagens do sorriso.

Hoje eu queria entender
Porque o corpo leve do sonho não alça vôo
Porque as asas se partem tão fácil
O que tem dentro do olho
Pra escorrer tanta água?

Porque até logo é risonho
E adeus (que é até mais logo) dói tanto?
Eu queria perguntar à angústia
Porque ela não vai logo daqui
Ou veste outra cor, pinta de azul essa idéia?

Porque tenho tanto medo
E o medo é esse cara pesado
Que se esquece em cima da gente
Como se não fosse amarelo?

Porque fica tudo sem graça
Quando uma estrela se vai
Se nasce outra em seguida
E o brilho não se apaga?

O que é que tem do outro lado
Que a porta abre tão fácil?

2 comentários:

diovvani disse...

Sabe o que impressiona Rayanne... é ninguém ter tido um minuto para esse poema.

"Hoje:
Tentar despir o sol
E entender as asas quebradas.
Abrir o zíper do cinza
Consertar engrenagens do sorriso."

Principalmente isso é uma maravilha!

Obrigado.

Lubi disse...

"O que é que tem do outro lado
Que a porta abre tão fácil?"

Esse poema não poderia ter outro nome. Para hoje. Como o hoje. Por isso estou aqui. As lagriminhas escorrem e se empoçam na mesa. "O que tem dentro do olho
Pra escorrer tanta água?" Que completo!

Eu te amo.