segunda-feira, outubro 17, 2005

Reflexo numa poça d'horas

Os minutos se desprendendo do relógio:
Leves, secos, vividos...
A iminência de uma primavera que nunca floresce
Na boca um gosto amargo da noite.
Tanto porvir detido em um quase:
Uma quase pedra, tropeço do caminho.

Sem saber rumo vagou ainda um pouco
Idéias brilhantes piscando a todo instante
O ar perfumando-se de quando;

Mas estava tão escuro
E sentia o gelo entrar sob as unhas.
Sabia dos dedos azulados, embora não pudesse vê-los.

Amanhã seria primavera
Mas a noite
A noite enorme não descansava.

Aborrecida, sentou-se. Os minutos secos espalharam-se
Formando leito macio aos pensamentos
Entregou-se.

No sonho, uma noite sem fim,
às vezes sugeria uma estrela.

Quando acordasse.

Um dia seria primavera.

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