sexta-feira, novembro 11, 2005

Caça-Sonhos

Gostava de caçar sonhos e alfinetá-losà páginas de um caderno.
Ali estavam seguros. Ali não seriam perdidos. Ou vividos...........

Pelos sonhos nutria fascinação e pavor: como borboletas. Levam
a gente a bordo de suas asas para dentro de um universo novo,
sempre e estranhamente novo. Ainda que repetido. A cada dia o
caderno engrossava. Sonhos tristes. Imóveis. Mortalmente feridos de sutileza....

Os olhos brilhavam dementes quando preenchia uma página. Ínfimas
vitórias contra a inquietude do universo. Caminhava distraído, certa feita.
Ouviu um ruído,viu a sombra, grande, julgou ser um sonho perfeito.

E já era muito tarde quando o pesadelo virou-se para ele,
os olhos muito amarelos e a pequena rede caça sonhos sobre a fonte: faminto,
o pesadelo logo abocanhou-lhe o sono, enquanto se debatia e o caderno ia ao chão.

Sonhos feridos, revoada imperfeita: aos olhos e à fome de um pesadelo que espreita.

4 comentários:

Moacir Caetano disse...

e quando a realidade e o sonho são um só?

Briza disse...

M E D O.

paredro disse...

um coração debaixo de cada calo, fiquei pensando em centopéias emocionais..

Rayanne disse...

É isso que o amor deixa:
Calo, e não cicatriz.

E sepultado em cada calo,
Cala um coração.