sábado, novembro 05, 2005

Lá e cá
Lá e cá
E quem entende essa incerteza dividida?
Procuro um parêntese, para esconder tua calma:
Talvez essim te aconteça dividido.
Tem sempre alguma coisa querendo acontecer explodindo,
Alguma coisa que não quer ser mansa, não quer ser breve.
Quer se derramar, ser mais que, embotar os sentidos, rabiscar o nome.
E do outro lado, mansa, a vida dá duas voltas ao redor de si mesma
Cava um pouco o firmamento, afofa, se ajeita: tão simples.
Tão simples o bom dia, o café da manhã o beijo de café,
a certeza de maisum fim do dia.
E se fosse.
Um dia colado em outro, esticando os olhos, arranhando a lucidez,
Toda aquela noite que encharca o coração e não se aquieta,
Tudo aquilo que dói, sangra, e sangrando reflete, então é possível sentir.
A vida, latejando em cada pesadelo, reclamando cada noite mal dormida,
Os papéis se acumulando, os relógios aflitos, compromissos rejeitados.
O estômago lembrando que é mortal, a boca amarga, o olho seco, afinal.
E se fosse.
A vida se remexe um pouco no meu colo, suspira, estremece:
Talvez o sonho, selvagem, lhe assalte as pálpebras cerradas.
Mas e se fosse?

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