sexta-feira, novembro 25, 2005

Tristeza

-Shhhhh.........fala baixo.
-Mas tá doendo.
-Eu sei. Mas se você não contar, eu também não conto.
-Ela vai acabar descobrindo. Você é incapaz de não se derramar toda.
-Não, eu seguro. Aumento a tensão superficial, efeito bolha de sabão. Ela não vai notar.
-Mas continua doendo e se você ficar aí brilhando, não vai dar. Fico na adrenalina, acelero e ela vai perceber.
-Não agüento.
-Então o jeito vai ser derramar.
-Vai você então. Você vai a galope e em seguida eu salto.
-Não vai me deixar sozinho?
-Nunca.
-Promete?
-Prometo.
(...)
O coração dispara, num apelo violento
E a lágrima precipita-se pelo horizonte dos olhos.
Realmente era dor. Em tudo a ressonância delicada da tristeza.

2 comentários:

paredro disse...

Me lembrou tanto as pobres translúcidas gotas de Cortázar.

Briza disse...

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