terça-feira, dezembro 27, 2005

Não sei se você, mas eu. E é urgente falar, arrancar da língua toda essa bola seca e amarga. É terrível você perceber que é. Humano, obtuso por espécie natural, e por definição, parasita. Parasita dos burros, mata o hospedeiro. Mas isso eu já. Mas o que assombra é aquele ângulo mais feio de cada foto. Sabe, onde cada um é porque é. E isso de ser humano já enjoou. Náuseas. Tanta prepotência, tanta arrogância. E tanta ignorância para tudo quanto. Dá ânsia. É, eu também sou, isso também me irrita. Os laços inalienáveis de espécie te amarram forte ao próximo, mas nem por isso. Não posso decidir, mudar o rumo. O rebanho é mais forte, numa direção mais tola. Então sentar e aproveitar cada gole d'água. Cada beijo, cada pássaro, cada amigo, cada chocolate, cada cachorro bobo abanando o rabo, cada pôr-de-sol, cada manga, cada amor, cada gemido, cada secreção, cada flor, cada sensação, cada folha nova, cada suspiro, cada saudade, cada rede na varanda, cada amanhecer, cada lua que mergulha o mar.O ser humano é muito estúpido. Tudo rápido e de uma só vez. Porque.

3 comentários:

Sergio Domingues disse...

Rebanho sem pastores... por onde andamos, pequenina, que nos perdemos em nossos detalhes e em nossas vidas, como se ela fosse um imenso mar com dois portos? Ah, Rayanne, o mesmo pasto nos prende, nos aleija, nos consome. Beijo tua mão.

Rocky Shade Metal disse...

porque é assim que tem de ser.
Ser humano, imperfeiro em todos os aspectos...

Beijão

paredro disse...

Agora me lembrou Fernandinha, com suas coisas de médica no meio dos pensamentos bonitos. Ficam bem, as especialidades, as vidas diferentes.