quinta-feira, dezembro 22, 2005

Vem. Me acompanha numa taça de silêncio. Eu queria brindar à vida, e tantas coisas lindas, mas as coisas insistem num tom cinza. Assim. Sabe quando as coisas ficam estáticas, como um passo à beira do quase e não. Apenas os supiros, as idéias do que seriam. Sabe, isso aqui está realmente acabando. Uma grande pena, e penso se talvez. Mas não há mais tempo. A atmosfera bebeu mais fumaça do que podia suportar. A terra engoliu mais sujeira e veneno que conseguia e. Ontem à noite, antes de dormir, a Terra conversou comigo. A voz era baixinha, a voz de um doente terminal. Mas tanto carinho nos modos dessa jovem senhora! Ela me disse que estava morrendo. E disse que sentia não poder mais sustentar seus filhos. Não sei, mas aquilo doeu tanto. E não há mais tempo para fazer implantes ou transplantes. Seu corpo se desmancha e seca. Por isso. Senta ao meu lado. Um gole de silêncio em homenagem ao pôr-de-sol borrado de fumaça.

4 comentários:

Briza disse...

Eu fico tão.

alisson disse...

adorei o hai cai logo ali abaixo... tem outros? beijos.

Rayanne disse...

Briza: então me faça companhia!

Devo ter mais alguns, Alisson.....preciso ver por onde andam passarinhando. Quando eu achar, posto por aqui prá vc ver. Beijos.

Briza disse...

Passei tanto tempo à beira do quase e não...
Agora, sinto alívio.