segunda-feira, janeiro 30, 2006

Tentar explicar,
Entender.
Diluir,
Execrar e sofrer,
Perdoar, moderar,
Prá esquecer.
Prá sorrir,
Prá viver.

Um mundo realmente estranho.
Uma vida mais estranha ainda.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Porque tantas vezes eu me sinto assim...

O derrotado invencível

Gigantes!
(Moinhosde vento ...)
Malinamandinga,
traçad‘espavento!
(Moinhos e moinhosde vento ...)
Gigantes!
seus braços
de açome
quebram a espinha,
me tornam farinha?
mas brilha
divino santelmo
que rege e ilumina
meu valimento
doído
moído
roído
perdido
curtido
morrido
eu sigo
persigo o lunarintento:
pela justiça no mundo luto, iracundo.

** (Imagem: Dom Quixote de Dali - poema de Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Ganhei de presente

  • Foi ELE quem fez.....

    A alma só se acalma quando ama
    A corrente chama
    O mar diz vai...
    Por onde o verso avisa
    Onde bate a brisa
    A saudade cai

    Desarma a dor do peito
    Desanda o imperfeito
    Grita, esperneia, conclama.
    A onda ainda habita
    O céu que nada engana:
    A alma só se acalma quando ama.
  • *(brincadeira em cima do verso -inicial e final- de "Paco", amiga e palavra de longa data)

    terça-feira, janeiro 24, 2006

    De não saber

    **Da arte de sobreviver a mim mesma**
    (E da vontade de comer milho cozido)
    que nasceu agora, alheia aos meus conflitos.

    Vontades. Tantas, tolas.
    E às vezes tenho certeza que não,
    mas de repente por que, eu apenas não sei.
    E não saber é tão mais fácil.

    Mas apenas assistir aos fatos e cruzar os braços
    Permitir que um copo caia e quebre
    Que alguém diga e não
    Que a lágrima caia
    Que o grito saia
    Não sei.
    Fica essa mania tonta
    De empurrar cabeça contra destinos.
    Esse agonia avessa
    De não controlar
    minhas próprias asas.

    sexta-feira, janeiro 20, 2006

    Sobre o Silêncio

    E um dia decidiu pelo silêncio, como a forma mais humilde de intenção. E o silêncio cresceu e criou asas, asas de vôo cego preenchendo a noite escura. Mas tinha lua. E a lua, nas asas do silêncio, fica tão prá sempre. A lua, toda dele, vestida de silêncio alado, quase um poema: não fosse o céu ficar tão zangado, ela era prá ser só dele. Seguiu seu vôo preenchendo os rumores da noite, até que o sonho, legendado e tolo, pousou qual uma borboleta inconseqüente sobre o nariz do silêncio. E não podendo mais com a graça daquele tolo amarelo e desajeitado sonho, romperem numa risada que acordou o dia.

    quinta-feira, janeiro 19, 2006

    Da tristeza

    Eu sei que a vida é azul.
    Mas ando cinzenta, meio fora do tom.

    terça-feira, janeiro 17, 2006

    Você

    Por mais que o dia percorra distâncias
    E as distâncias, ausentes, me levem você

    Por mais que o descompasso ceife o ritmo
    Da sinfonia que meu coração entoa

    Meus pensamentos, toda a noite,
    Voltam pelo caminho apressados,
    Pra dormirem em teu nome aninhados.

    sexta-feira, janeiro 13, 2006

    PARA TENTAR EXPLICAR

    Eu continuo aqui.
    Vocês me fizeram sorrir um pouco, ontem. Mas continua tudo tão. Triste.
    São os bastidores desse espetáculo de máscaras que vivemos. Muito podre.
    As pessoas, o ser: nada vale. Honra, dignidade, são palavrras incômodas: velharias abandonadas pelos cantos.
    Logo eu, peça obsoleta, serei atirada para um canto: para não perturbar a passagem.
    A cada dia eu ouço e vejo mais absurdos, e o estômago fica cada vez mais torto.
    Mas alguma coisa aqui dentro ainda pula tão insana e indignada, que não posso.
    Abandonar tudo e viver do vento na janela e das coisas bonitas que se reduzem no horizonte.
    Já que acreditar não me parece possível, insisto as garras sobre a teimosia.
    Eu realmente quero tentar fazer algum ruído, alguma diferença, sinal de fumaça.
    Devem haver outros de nós, eu sei. E em algum lugar a palavra de um homem ainda vale seu peso, em algum lugar 1 kilo continuará a ser eternamente 1 kilo, e os olhos continuarão refletindo a alma.
    É.
    Em algum lugar bem longe eu talvez ainda acredite.
    Mas existem aqueles que nada podem, porque nasceram com as asas tortas e plumagem puída.
    E eu preciso, preciso preciso. Preciso cuidar dessas asas. Ainda que depois me transpassem os bicos, que a natureza do ser é um mistério sem calma.
    Mas é tão triste.
    E eu me sinto tão pequena e tantas vezes tenho medo, tenho medo porque não sei simplesmente brandir minha espada e investir contra esse exército zumbi, eu também quero, às vezes, uma casa, um quintal, um riso de criança com bola e um cachorro. E que guerreira pode ser esta que quer uma casa com quintal?
    Mas é que eu, ainda.

    quinta-feira, janeiro 12, 2006

    Meu tempo que foge

    E mais um ano fez as malas
    Apagou as velas
    Fechou a porta
    E sumiu.

    terça-feira, janeiro 10, 2006

    Não acredito mais

    Não acredito mais.
    E talvez você me pergunte "Por quê?", e eu vou dar de ombros, e dizer que não importa mais. Nada.
    Não acredito. Você vai continuar ouvindo os meus gritos, a minha insistência insana, a minha infindável teimosia e ideal preso nas mãos, como arame farpado, firme, dolorido, marcado. Mas eu simplesmente não acredito, e aí você vai dizer que não entende, se continua tudo igual. E eu vou responder que é hábito. É um mecanismo automático de não aceitar esse automatismo todo, de buscar imagens quando se sabe que tudo é cenário. E tudo é cenário. É tentar desesperadamente ouvir, sabendo que há apenas ruído, mas eu espero a música. Mas não espero, porque eu não acredito. Mais. E você provavelmente vai me dizer que eu estou louca, e que falo coisas sem nexo, e que não tenho mais o que fazer. E eu vou te dar uma lista das milhares de coisas com que duelo todos os minutos, e você vai dizer é mesmo, então vai sugerir estresse. E aí eu te pergunto o que é isso, se você sabe, que palavra idiota é essa que nos desenha margens e tira aquilo que eu tenho de mais humano, que é esse desespero? Estresse é acordar de manhã e ver as mentiras todas enfileiradas nas prateleiras, nas ruas, no ar, nos supermercados, nas indústrias, nas pessoas? É tudo uma aparência, tudo fingindo ser o que não é, e a gente alegremente adoça o faz-de-conta e bebe acompanhado de bolachas fresquinhas. E finge que finge que faz-de-conta. Então não me pergunte por que eu não acredito mais. Esse barulho todo é apenas costume, essa coisa de não aceitar. Deve ser a idade, a gente vai vivendo e ficando bobo, cansando de brincar enquanto todo mundo acha graça e por aí vai, mas é que eu enjoei. Ou não.

    segunda-feira, janeiro 09, 2006

    A noite passada

    No escuro, ouço a tempesatade rosnar pela janela de vidro
    Ela não é má, sente-se apenas só,
    Como eu, esta noite.
    O silêncio equilibra-se pelos muros da madrugada
    Sobressaltado pelos clarões desse Janeiro inquieto.
    A noite bafeja o quarto, quente e pesada,
    afundando as garras em brasa no medo dos lençóis.
    O sono saiu a passeio, boêmio e rouco pelas calçadas.
    Tantos filmes rodam na tela dos meus olhos fechados,
    essa imaginação legendada de tantos casos tratados...
    Silêncio.
    E esse desassossego crescendo úmido como uma erva daninha.
    Poros abertos, procurando a tempestade impossível.

    quinta-feira, janeiro 05, 2006

    É...

    Tudo mentira
    Assim como é tudo
    O que respira.
    Série - Hai Cai

    segunda-feira, janeiro 02, 2006

    ANO NOVO

    E fogos, clareando caminhos para encontrar o ano feliz.
    Aquele, que todos tantos desejam.
    Eu com minha paz de verde escuro
    E chuva calando vaga-lumes.
    Prá que escolher tanto o caminho?
    Caminho sem chuva seca a alma
    Caminho sem sol o musgo cobre
    Caminhar sem dor ninguém consegue
    Caminhar sorrindo o tempo cansa...

    Eu quero um caminhar solto
    De flores e chuvas, sol, noites, trovões
    Algum sal prá temperar a face
    E um sorriso leve coroando esperanças.

    Eu quero um ano novo, de novo.
    Onde tudo o mais é surpresa.
    Como as rugas que visitam os olhos
    E os sonhos que pintam novas janelas
    No frescor da mesma velha paisagem...