quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Seguindo,
Simplesmente indo.
Sem querer, mentindo.
Conseqüência exata
De sangrar sorrindo.

Indo.
Mentindo exata,
Em conseqüência de sangrar.
Simplesmente sorrindo,
Sem querer.

Seguindo exata.
Sem querer sangrar,
Sorrindo, mentindo.
Indo em conseqüência:
Simplesmente.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A Fera

Quando eu caio - e dói
Sangro as feridas, não escondo.

Depois

Aperto os olhos,
acerto o passo
e preparo o bote.

armo um sorriso e assim disparo:

Quem sabe a fome,
devora qualquer instante.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Sem tempo

Sem tempo prá pensar
Sem pensamentos prá tentar
Outra vez entender o caminho
que se deve caminhar sem entender.
E eu sinto tanto.
Sinto a morte de tantos minutos queridos
Chacinados e esquecidos
Dentro e bem fundo de cada vez que eu respiro.
E esse grito rouco que me escapa
Lamento de poema ferido,
Uma vírgula afastada
das conseqüências inevitáveis da rotina.
Creia-me quando eu digo
e não creia neste sorriso:
Sorrisos
são minha maneira mais discreta de sangrar.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

ONCE AGAIN

Porque as feridas latejam coisas nos ouvidos da gente
E as lágrimas formam filtros que revelam o revés das máscaras.
Eu esperava tanto, e a vida me apareceu assim:
abanando o rabo com esses versos sujos na boca,
coçando distâncias e exalando horrores.
Alguém me diria para deixar de ser tola.
mas eu confesso que só sei fazer assim,
a cada milímetro que o ponteiro avança no meu sangue,
a cada gota nova que se forma sobre a dor curtida.
Eu não sei ser senão crença, e sempre a velha decepção.
Não foi a última vez que atingi meu centro,
não foi a última vez caindo assim tão longe.
Eu sei.
Mas sempre sobram algumas palavras com que atirar,
e aquela teima ressecada na saliva densa.
Então às velhas pedras
o velho caminho
E alguns moinhos prá derrubar.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Eu trago apenas estes versos cansados
E toda essa fúria sangrando as paredes...

A sensação constante de estar caindo
Caindo bem dentro, no fundo, meu centro.

Talvez eu tenha sido

Como este verso fechado
Sem saída, implodi.

** Porque o poeta me disse que eu tinha que parar de doer tanto...
Mas parar é um gafanhoto de salto longo, que me foge.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

NÍVEL CRÍTICO

Eu busco um sorriso
Talvez guardado dentro de um comprimido.
Busco uma ordem nas horas
que acontecem sem aviso, sem ordem
Busco um motivo
Fora a tua esperança que reza ao lado da minha,
morta.
Algo suficiente para eu enroscar os dedos e
Mais uma vez tentar vir à tona gritar, buscar ecos,
compreender lógicas, passos, inércias.
Enquanto isso, esculpir o contorcionismo idiota
Dessa dor que lateja o peito, pulsando como se fosse nova.

INTROSPECÇÃO

Eu mergulhei na essência dos dias.
Dissolvida entre o esquecimento e a ilusão,
brinquei fúrias e bebi oceanos frios...
Eu ví a cor vermelha marmorizada em falsos risos
Eu ví o pretume das mentiras se escondendo sob os olhos.
Eu toquei os pilares do amor,
estremecidos pela angústia vária das horas.
Eu voltei assim, sem margens,
Com contornos borrados no precipício das tardes.
E cada vez que o ser humano, o contato,
eu deixo um pouco de mim derramado na ausência.