sexta-feira, março 24, 2006

ENTRETANTO

Tão breve partir, tão longo o regresso. Tão dolorido regressar. Olhos engessados e algumas fúrias castradas. Sobreviver, é preciso.Mas no fundo da noite, dentro das pupilas do sonho, no mais negro do silêncio eu descubro o PORQUÊ. Ser humano é milagre. É promessa. É sonho. Ser humano é confundir-se nas cores, dissolver-se no vento inventando horizontes. Mas há quem nos furte horizontes. Mas. E sempre haverá. Eu tenho passos partidos, esperanças arranhadas, eu tenho sorrisos derramando dos bolsos. Eu tenho fé no dia que virá. Eu tenho dias e noites e posso partí-los ao meio para dividir, eu te dou segredos pintados em vermelho, a vida, trêmula nas minhas mãos, mais uma vez renascida e abrindo em espanto os olhos pela milésima vez. Não, não é essa a pausa, o intervalo. O intervalo é quando nossas mãos se cansam de esperar respostas e as pegadas se perdem em partidas breves, e até o fundo é um caminho tão duro. O entretanto é deixar de olhar as unhas quebradas para olhar a face riscada dos medos. Não desistir. Desistir é o segredo furtado, o ponto, o vazio. Eu prefiro tombar quantas vezes for preciso, apenas para erguer os olhos e continuar acreditando.

4 comentários:

A czarina das quinquilharias disse...

a vida é um filhote de passarinho.
lindo!

rocky shade metal disse...

num desiste mesmo não.
não vale a pena.
beijao

Sergio Domingues disse...

elevas-me e, lá no horizonte, antevejo teu olhar. entretanto há as distâncias de teus contratempos e do nosso compasso anacrusico. teu coração estaria distante?

Moacir Caetano disse...

keep going...