quarta-feira, março 01, 2006

Mergulho cinzento
Metros abaixo, toda a revolução das ondas,
Toda palavra navalhada e as escarpas dos sorrisos.
Tantas vezes voltei à tona:
A mesma tempestade,
Olhos miúdos de vidro e dor de gotas verticais.
Com a serenidade dos náufragos eu bebi a água dos temporais
E estranhamente incômoda, como a alvura dos afogados, retornei à este cais.

Eu trago uma estória de algas bordada na memória
E ofereço estas mãos de sal e de sangue rajadas.
Eu venho emergindo da cicatriz do tempo,
trazendo esses minutos, esses tesouros perdidos.

Venho do mais fundo do pesadelo
As mãos cortadas de riso,
guardando meu segredo.

5 comentários:

Ricardo disse...

As vezes eh mais facil respirar embaixo d´água por um tempo.

:)

Sr. N disse...

lindo.

A czarina das quinquilharias disse...

as coisas se conservam assim tão melhor no sal.

Moacir Caetano disse...

sangrando...

paredro disse...

Estás a criar uma unidade, riso-rubra. É esta a imagem que você quer ?