quinta-feira, abril 20, 2006

Eu não queria estar ausente.
É que o tempo me atordoa.
E desculpe se eu estou sempre cansada
mas a pretensão de abraçar o mundo me consome.
Tantas vezes eu me olho no espelho, e posso ver o que tantos vêem:
Uma tola, desgrenhada, arranhada, roxa lá e aqui, tantas cicatrizes mal curadas,
um cansaço incoerente se arrastando pelos anos.
Às vezes eu posso ver no espelho e enxergo dentro espaços azuis e flores brancas.
Eu escrevo um verso vermelho quando dói muito, eu mergulho e bebo dele,
quando triste eu escrevo cinza e me exilo. Quando forte eu espalho tintas e manchas e cores,
eu caminho em meu norte sem saber quando. Nunca fui rosa. Não sei ser. Cores confusas,
texto sem métrica, transbordo quereres, ardências, urgências.
Eu não queria estar ausente.
Mas há sempre tanto por fazer.
E para ti eu volto cansada,
as unhas gastas, a voz rouca, e um sorriso bom de luta. Ah, porque esse dia-a-dia me destrói
e me edifica, seduz e depois decepciona, rodopia e volta só prá ser outra vez.
E eu deixo que seja, a dança é esta, e tanto dói quanto levanta. Desde que meu caminho
volte sempre até você.
Com teu abraço calmo, como se fosse o mundo.

7 comentários:

A czarina das quinquilharias disse...

e o mundo está ocupado demais
pra se ocupar de nós.
lindo e delicado, fio de teia de aranha.
beijocas.

Diana disse...

Li um batalhão de textos teus agora, e tenho que dizer que tudo é muito lindo por aqui...

"Eu prefiro tombar quantas vezes for preciso, apenas para erguer os olhos e continuar acreditando".

Muito bacana, o blog inteiro.

Octávio Roggiero Neto disse...

Que preciosidade, Rayanne, a sua Poesia!
Privilegiado é aquele que, como eu, teve a sorte de poder conhecer as perspectivas que suas mãos traduzem com generosidade e beleza ímpares.
Quero que saiba que será um prazer ler o seu blog com assiduidade, agora que sei da existência dele.
Aliás, gostaria de adicionar seu nome aos dos poetas que indico em minha página, posso?
Beijos pra você e até mais!

pedro pan disse...

, teu abraço acalma. e tantas cores, confusas & profundas. espalha cores. até arder.
|abraços meus|

Moacir Caetano disse...

cansaço passa...
amor não!
beijos!

camila disse...

olha só, eu me vi inteira (pelo menos do que resta de mim) nesse aqui...

Briza disse...

Menina, tu, nem sei.