segunda-feira, maio 29, 2006

Porque eu queria ser bem grande e poder mudar tudo assim -zás- bem depressa.
Ou porque eu queria ser bem tonta e gostar tudo assim -rosa- como eles vêem.
Porque eu queria ser tanta coisa
e me sobraram estes braços curtos
que não conseguem abraçar o mundo
E essa voz tão baixa
que não consegue desenhar a história
E esse corpo tão frágil
que vai se desmantelando vida afora
E esse coração tão grande
que consegue abrigar um mundo
mas não me basta
não me explica
não consola.
Porque toda essa força calou represada
Na angústia chuvosa desses olhos
Que não vão nem voltam
Vivem na iminência do quase
que me sufoca.
Porque não vale a pena mas eu não
A palavra morde a boca e a mão
O verso me transpassa agudo
E eu tento ainda dar alguns passos.

10 comentários:

ricardo disse...

ser grande parece bom
ser grande parece fácil
mas deve ser tão...
ser gente é melhor.

A czarina das quinquilharias disse...

mas talvez você seja.
grandes abraços.

Leandro Jardim disse...

Lindo!

Bateu profundo!

Identificação total...

bjs

Nirton Venancio disse...

se o verso lhe traspassa, já é uma sólidaa esperança.

Moacir Caetano disse...

o coração é sempre maior que nós mesmos...
Não há problema! Ele nos contém e nos basta!
Beijos!!!!!!!

Octávio Roggiero Neto disse...

Eles vêem o mundo rosa eu eu adoro me debruçar sobre o mundo roxo... É melancólico e de um realismo que pode amedrontar quem não busca a vida em sua inteireza. Mas é belíssimo e isso ninguém há de contestar.
Sempre guardo suas palavras no coração!

pedro pan disse...

, "na angústia chuvosa desses olhos" & "a palavra morde a boca e a mão"... paraliza nós leitores. imagens lindas.
|beijos meus|

Nanna disse...

Pegadas graciosas no coração de quem passa por aqui... :)

Beijos!

camila disse...

rayanne. cara, vc escreve muito. até mesmo quando pouco.

Paulo Osrevni disse...

Que poema lindo! Acho que essa sensação de insuficiência perante um universo infinito é algo que nunca vai abandonar nosso espírito.