sexta-feira, junho 09, 2006

Antes.

Um minuto antes, como à beira de todas as coisas.
Como se houvesse uma margem indelével no princípio.
E adiante, a visão embaçada, o cheiro do medo, o vazio.
O vazio. Tão insalubre não saber.
Tão assustador precipitar-se sobre a iminência e não.
Apenas a amplitude da indecisão.
Quisera dias calmos e passos distraídos, mas a fome antiga.
O chão que não chega e tudo o que nunca bastou.
Como esperar que alguém compreenda?
Que direção dar aos passos sob a garoa?
Como desmanchar todas as pétalas
e inventar outro nome que não seja flor?
Mas eu preciso.

11 comentários:

A czarina das quinquilharias disse...

o bonito do antes é que pra ser antes é preciso que haja um depois :)
vai fundo, ray :)
beijos, vários

Múcio Góes disse...

que de vazio
se encha o
silêncio, ou,
seja como flor...

:*

Rayanne disse...

Czarina, é justamente o temor...há um depois que eu não sei...

Múcio...o vazio floreceu em silêncio...e atordoa.

***estrelas***

pedro pan disse...

, a direção dos pássaros em a garoa.
não se mancha todas as pétalas...

|beijos meus|

Lubi disse...

Ai, ai...
Eu fico sem palavras lendo as suas. Tanta, tanta inspiração, menina, que inunda.
Impressionante, como me acho sempre em seus escritos. Sendo passado, presente ou o futuro apressado que virá.
Espelho.

Nanna disse...

Inverto.
Inverso.
Inverno,
do verbo.

Beijos...
:)

A czarina das quinquilharias disse...

não sei. inconsciente coletivo, talvez?
mas o nome do texto é uma música, se é que isso ajuda :)
grandes abraços!

Leandro Jardim disse...

Não sei se sei do que está falando...
Sei que sei que é lindo, porém.
E triste, talvez.
Mas se há algo pelo que vale,
sei que é pelo que fez.

Sua maneira única de enxergar sensações sensaciona!

bjs admirados

ricardo disse...

as vezes não dá pra entender por que nomes inventados antes simplesmente não bastam...

Octávio Roggiero Neto disse...

"O chão que não chega" saltou aos meus olhos como um baque abismal: Inimaginavelmente dolorido!
Mas o desfecho foi digno de um adarilho dos arrabaldes do sonho. Dessa perseverança colherás um amanhã ameno!

Anônimo disse...

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