quarta-feira, junho 14, 2006

Dentro do nó.

Prá falar de hoje, latejando ontem.
Prá tentar drenar da ausência, a dor.
Prá decifrar a dialéctica do coração.

Secar devagar entre as páginas de um livro
Guardada em essência na memória dos versos.
Embriagar-me de poesia e ser apenas etérea.

Seria necessário retirar toda a urgência de ser
E a primata urgência de respirar.
Para ouvir em som puro a ressonância clara
De cada emoção pontuando a eternidade.

Mas eu.
E a dor tem um som agudo e constante
entremeado pelos rangidos da angústia.
E eu não
sei.

Talvez todo descompasso seja eu
Que nunca encontrei ritmo nos sorrisos
Que nunca soube intercalar humores e abismos
Derramando apenas todo o reflexo em intensidade
Porque tudo gravado na pele delgada dos sentimentos.
Porque talvez eu nunca tenha compreendido
Que o objetivo é a jornada e não
Cada paisagem estampada
Na retina.

12 comentários:

Octávio Roggiero Neto disse...

Rayanne, dizem por aí que cada um sabe da sua dor. Mas o que cada um sabe por saber disso? Você se nos apresenta e confessa não ter a dimensão exata de seu próprio sofrimento, chegando a sondar seu íntimo para tentar diagnosticar por que não consegue encontrar ritmo nos sorrisos. E ao demonstrar que sua tristeza pode ser proveniente do rumo de seu entendimento acerca da vida, apontando o que pra você parece impalpável, permite-nos entrever qual sua busca sincera.
Talvez a ruptura com esta amargura que vasa em literatura dependa de mais atitude nossa, porque, por enquanto, percebo que os poetas apenas a constatamos, mas fica por isso mesmo.
Devemos propor a mensagem de esperança e não apenas nos resignar com os ventos contrários.
Beijos!

pedro pan disse...

, intercalar humores, abismos.
e inda embriagar em poesia.
& pontuar a eterna[idade]. intesa[idade] de as retinas.

|beijos meus|

rocky shade metal disse...

não saber não é problema.
Difícil e saber e não fazer.

beijão guerreira.

ricardo disse...

tão triste quando sorrisos não têm um compasso... ouvi dizer que quando se sorri a quatro mãos tudo fica mais fácil...

Moacir Caetano disse...

pois eu amo a paisagem... sou completamente viciado na paisagem... assim, se o destino não valer a pena, a viagem valeu...
beijos!

Múcio Góes disse...

faça do etéreo,
um brado e bom grito,
em som estéreo.


1bjo.

Lubi disse...

As três últimas linhas tuas dizem tudo.
Você deve saber, eu acredito.
Beijo enorme.

Leandro Jardim disse...

Podem não ser o objetivo,
mas eu acho lindas as paisagens que você estamapa na minha retina, e adoro vê(lê)-las.

bjs

A czarina das quinquilharias disse...

mas não.
de que importa caminhar e não absorver a beleza armada de sopetão contra as retinas?
melhor encará-la como quem diz "me aproveita mesmo, como paisagem, que vc fica aqui. eu estou só de passagem"

Keila Sgobi disse...

e a paisagem na retina não é a paisagem de nossa jornada?
ela é o retrato do nosso caminhar, seja ele de dor, de amor, pedregoso ou nebuloso...

se teu caminho se encontra no nó dos encontros e desencontros da vida, procure afrouxá-lo pelas pontas. Assim, o centro fica masi frágil e você pode puxar a linha, dminuindo a dor.

beijo, menina-mulher

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