quarta-feira, julho 19, 2006

Eu sentada ao computador, uma xícara de idéias fumegantes se insinuava sobre a mesa, e na tela um traço preto piscava, exigindo palavras e mais palavras que simplesmente recusavam-se a sair, trêmulas, friorentas e indecisas. Duas da tarde. Notei uma pequena rachadura na parede, no canto, indo de encontro ao teto. Notei pela primeira vez sua pequena presença, próxima à quina da parede. Pequena, contorcida, inquieta. Parecia ter sempre estado ali – a despeito da minha insônia, minha angústia ou meu medo. Senti algum conforto à sua presença. À medida que o tempo avançava, ela crescia. Preparava seu caminho e armava tramas para suas conquistas. Parecia sempre inquieta e insatisfeita. Era um espaço pequeno para seu reino. Não sei exatamente como foi, mas passei a temê-la. Sua observação constante me incomodava. Assim como o jeito inquieto e o corpo retorcido. Eu entrava e saía da sala mil vezes ao dia, sendo preciso desviá-la a todo instante.O ambiente começou a ficar sufocante, sua presença grande e maciça. Um dia, farta da vigilância atenta, mandei o sapato na parede: o corpo esmigalhado sob aquela passada impossível mostrava ainda alguns reflexos de existência. “Melhor assim” – pensei. “Era mesmo uma idéia muito subversiva” .

9 comentários:

Múcio Góes disse...

chega uma hora todo fantasma merece um chute.

matei meus fantasmas
com goles de fanta
e golpes de asma.

:*

Octávio Roggiero Neto disse...

primeiro pensei fosse uma frincha na parede. mas aí minha imaginação torta me fez pensar em um rastro de formigas. depois, atônito, cheguei a cogitar em uma largatixa. por fim, percebi que não entendi nada, principalmente por causa do "era uma idéia muito subversiva"!

Leandro Jardim disse...

ai ai não digo mais nada
essas palvras tais, "Ray's"
tem tanto, tanto em cada
Dá nem pra pedir mais


bjsssssss

paula disse...

Serás tu a personificação da tal rachadura??
serás, serás?
Será que eu viajei??
será, será?
Não sei,
só sei que assim interpretei ;)

A czarina das quinquilharias disse...

genial, posso dizer que achei absolutamente genial esse daqui?

Keila Sgobi disse...

às vezes,
as rachaduras são pequenas portas para nossa
alma.


Beijos, Rayanne!

Octávio Roggiero Neto disse...

Mil perdões, Rayanne, mil perdões: quis na verdade escrever "lagartixa" no comentário logo acima. Sei que o mais importante é nos fazermos entender, mas bem que este aprendiz de poeta poderia ter respeitado mais a língua portuguesa, não acha? É assim mesmo, acontece nas melhores famílias: vivendo e não aprendendo! Sei que o fato de estar no serviço quando do deslize e, por isso, sem tempo para revisões, não servirá como desculpa aceitável, mas é a única possível e verdadeira que disponho.
Té mais!

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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