segunda-feira, agosto 21, 2006

Dias sem vento.

E nesses dias sem vento
ficam os poemas assim estagnados nos dedos
e o cheiro parado do que não precipita.
Apenas o enjôo permanente adotado de maneira morna
E a sensação equivalente das notícias amareladas,
tempo gasto, tempestade represada dentro.
E nesses dias sem vento
as idéias não cavalgam os cabelos, não balançam ausentes:
As idéias afiadas cravam dentes, garras, intentos.
Apenas a mão forte da razão cala a tapas
O grito, a sorte, o lamento.
E nesses dias sem vento
Derramo o corpo, qualquer canto
alheia ao encanto da poesia vária com sede de vôo.
Apenas estaciono as vontades no comprimento
Mirando o horizonte a afiar um verso vago
Que hei de cravar na mediatriz do tempo.

7 comentários:

cra disse...

algo permanente

Múcio Góes disse...

poemas estagnados,
gritos presos,
na tarde finda.
sussurro rouco
um verso louco
para deixar
der ser ainda.


belo texto, moça!
bjo.

Doca Soares disse...

puxa, eu não saia que tinha o dom da escrita...
Lindo.

pedro pan disse...

, crava verso. crava o canto. o cheiro que balança teus versos, nestes dias...
|abraços meus|

Nanna disse...

Dias que sopram as palavras que não vêm...

Beijos...
:)

paula disse...

Muito lindo!!! :)

Ju disse...

Tuas palavras pousaram em mim...

Beijos