sexta-feira, outubro 06, 2006

Amálgama

É quando dentro do mais azul dos matizes
Você se pergunta quando vai ser
E nada, nada responde, e o silêncio
Entrecortado pelo som doce do alvorescer.

É quando aquela velha força se acomoda no centro
E um sorriso fresco insiste na aridez diária
Dúvida acampa acerca dos anos e ao redor dos feitos
Na amálgama sôfrega que bafeja dentro.

É quando a aura ilumina sofrida
Prevendo um vulcão que ronrona baixo
A que com sacrifícios vários sustento
Mantendo em trégua a explosão contida.

É quando entre isso ou aquilo
Não há o que se queira ou à vida molde
Porque nunca nada basta e em tudo assimilo
Um equilíbrio partido que não há nada que solde.

11 comentários:

Dora disse...

A sensação é de uma tranqüilidade semelhante à calmaria estranha do mar, que "lá nos abismos" prepara a tempestade...mas mantém a superfície lisa,com resquícios de turbulência, aqui e ali...
Um "vulcão que ronrona baixo", vc diz, e a erupção depende de uma quebra do equilíbrio...
Versos bonitos!
Beijos muitos!
Dora

douglas D. disse...

hoje, somente hoje, descobri um comentário seu no destripando sons, blog que anda "desativado". aquilo era só um rascunho que eu pensei em postar no "rascunhos". de qualquer forma, obrigado pelo que você escreveu!
abs.

cra disse...

um chambre de percal e uma melodia na cabeça para aguentar essa imagem. o conhecimento do prazer é sempre retardado. um terço de sp se prepara para abusar de curitiba. uma senhora diz: - já temos tão poucas distrações aqui. só precisamos deixar de ler proust.

Múcio Góes disse...

"É quando entre isso ou aquilo
Não há o que se queira ou à vida molde
Porque nunca nada basta e em tudo assimilo
Um equilíbrio partido que não há nada que solde."


mudo. de mudez!

beijo.

Fernanda disse...

só consigo assim: bonito toda-vida, hein :)
talvez eu vá morar em curitiba, como é aí?

evelin disse...

sempre bom por aki...

Cabeça de Jardim disse...

A estrela e suas profundas lindezas!

Marla de Queiroz disse...

"É quando entre isso ou aquilo
Não há o que se queira ou à vida molde
Porque nunca nada basta e em tudo assimilo
Um equilíbrio partido que não há nada que solde."

Eita, moça...Nem sei o que comentar!

paula disse...

muitas vezes o punhado de argila vem amassado , mas em tantas outras vem moldada na forma que queremos :)

A czarina das quinquilharias disse...

mais do que nunca, uma equilibrista...

diovvani disse...

Sua moça... Desequilibrei-me aqui com tanta beleza! Pô... MontanhosoAbraçoDasGerais.