segunda-feira, outubro 02, 2006

Ao contrário, como nunca.

Ao contrário, como não houvera antes.
As imparcialidades repetidas,
As vicissitudes divididas,
Quimeras subtraídas.

Adeus moldado em forma de não,
lança pontiguda sangrando inquietudes.
Ela sentia e dentro, caminhos arguiam passadas suspensas.
No labirinto das veias, um sangue minotauro se perdia.
Na máquina dos medos, uma fábula impossível construía.

E amordaçada, a fúria chuta o peito.
Descompassada, harmonia veste espinhos e se encolhe em botão.
Mas havia sempre, dentro das coisas impossíveis,
um aroma doce pretendendo a baunilha,
a televisão ligada sob a folhagem densa das horas,
dentro de uma bolha de calor ameno,
em segura suspensão.

Ao contrário, nunca houvera antes.
E o tempo infalível, subindo como hera venenosa,
Encobrindo janelas e gritos, solidões invencíveis.
Ao, contrário, dentro, a animação das horas,
coloridas brindando ventos, descolorindo versos,
adormecendo fomes inalienáveis.

12 comentários:

diovvani disse...

acredito que, inquietudes expostas, tornam possível, vencer as "invencíveis", solidões. MOntanhosoAbraço.

Alequites disse...

Adorável minuto gastei/ganhei lendo seus versos.
Ótima semana!

Múcio Góes disse...

solidão: caixinha onde ecos dizem não.

esqueça o desencanto,
ouça mais
os que dizem canto.


beijo!

paredro disse...

Parabens pelo Ano.
E tua poesia está ganahndo exatitude (bem longe de ser experimental), daqui parece que a hora de voar mais alto, aparecer em coisas grandes. Bonito que só.

cra disse...

embora acidentalmente empedido, o amor sem escamas é uma possibilidade obrigatória para seres descendentes de federico garcia lorca. seres que mesmo sendo de um cinismo afeminado e hostis a tudo que não seja a vida, sabem que a alegria é coisa mandada em lugar de outra e que a mulher é a beleza mais sincera e difícil e cruel.

Marla de Queiroz disse...

Estrela-Minha,
Não sei o que senti aqui, agora. Sempre acho bonito demais, vc é a minha artesã predileta, mas fiquei entre a fascinação de sempre e o desconforto de agora...

Sol-risos pra acompanhar.

Luzzsh disse...

Rayanne,

Belo, belo......gostei tanto!....

Beijos.

Elenita disse...

roubei vc de novo...
passa lá =)

rocky shade metal disse...

Nossa!
Que "voracidade" de palavras!

pedro pan disse...

, em a "folhagem densa das horas". algumas passas mais rápidas, ligeiras, outras goteiram para passar...
|beijos meus|

camila disse...

não deixe que a fúria permaneça amordaçada, ray. deixe que ela exploda. liberte-a. Junto com ela, lá no finzinho, sai também um alívio... seu coração roxo, só se for de timidez por conta de um elogio.(que aliás, aqui tem de sobra)
parabéns. divina.

André Lasak disse...

Ôpa!

O Quimera Ufana faz um ano de vida, mas quem ganha é... ele mesmo!

Venha conhecer o novo layout!
http://www.quimeraufana.blogspot.com

Beijão!