terça-feira, outubro 10, 2006

Da escrita.

Porque eu permaneço ausente quando você me transborda.
Porque sempre dói um pouco quando o sorriso.
Porque a distância cresce e a saudade ramifica.
Porque de paisagens provisórias forjam-se elos permanentes.
Porque a brevidade do silêncio não antecipa a intensidade desse grito.

E eu não sei onde fica o som da flor que se abre para a vida entre as buzinas diárias.
E eu não sei se aconteço simplesmente ou transbordo e caio.
E a poesia escorre pelas bordas dos olhos aflita, procurando qualquer que em silêncio tarde.
E as minhas mãos partem em busca das suas, e em binários, não vê.
O silêncio de qualquer resposta é o meu gesto extenso à qualquer pergunta.

Porque eu estou derramada aqui em em ti
E se me lê, me desnuda, envolve, me empresta um sopro de vida
Que, um pouco mais, permanece contido em meu hálito.
Passeia os olhos pela geografia das letras e creia:
Eu estou mais aqui do que em mim jamais estive.

15 comentários:

paula disse...

sem palavras...
meu extenso silêncio :)

Marla de Queiroz disse...

Você, Estrela Absoluta,
É quem anda me intrigando...Ora silêncio, ora grito, tanto pedido, tanta dúvida...Coisas que você desenvolve num poema dando essa ou aquela dor, essa ou aquela leveza,ou uma espécie de violência súbita que me pega de surpresa ali, na entrelinha da quase lágrima.
Às vezes eu venho aqui e saio desconfortável, desestabilizada emocionalmente e bem mais rica. O fato é que tranquilizada ou aflita, a fascinação sempre impera.

Saudades de ti também, flor-de- cinco- pontas- de- veludo!

Múcio Góes disse...

porque aonde você flor eu vôo.

beijo este-lar!

cra disse...

passeia os olhos pela geografia do corpo. o poema se escreve no estupro da insônia aberta sobre a loucura da face de quem aprofunda meu amor em quando, onde e caminhadas. como num exame físico em que o mundo não se permite. ruby, my dear, gosto tanto dessa música. sou uma marca bonita.

Keila Sgobi disse...

Rayanninha!
Pois estava falando disso mesmo com Octávio: como vc amadureceu no último ano!
Sua escrita, sua voz, seu menear o corpo desviando das facas e projéteis que querem nos atravessar diariamente.

Grande capoeirista poética! Mas com um quê de confusão que ainda me detém.

Beijo, menina!

douglas D. disse...

só acredito no amor que transborda
e derrama-se
desaguando na gente
(sem margens;sempre além)
bjo.

pedro pan disse...

, "poesia escorre pelas bordas dos olhos aflita, procurando qualquer que em silêncio tarde." que forte esta imagem...
|beijos meus|

Beanes disse...

é bom te ver sempre.

diovvani mendonça disse...

Menina, eu não podia mesmo deixar de vir aqui, antes de cair, para dentro do feriado. Só dizer que, você me COMOVE demais da conta! MontanhosoAbraçoDasGerais.

Simprão disse...

caralho (expressão perfeita, com toda a tosqueira da palavra). lindos escritos prima... tens aqui um primo surpreso e feliz. ojieb. udud

RicardoPalacio disse...

e essas sao tao assim...
tao assim, feito retratos
mas sem mostrar o que tem por fora

:)

juliana pestana disse...

"Porque a brevidade do silêncio não antecipa a intensidade desse grito."
pq às vezes tudo explode dentro de nós, mas permanecemos a conter o grito, o choro, o soluço.
Estranho te ver em versossussurros... mas continuas linda com essa intensidade e expressão tão belas.

Bjos meus e mto sorriso pra iluminar seu dia, mesmo no escuro do choro!

Elenita disse...

Chorando....

Luzzsh disse...

Uau,

Vc, sempre arrasando ne, Rayanne?!

Adorei!

Bjs...

Segunda Pele disse...

Mas eu amei isso que vc escreveu,
Parece que a cada linha vem arrancar do coração da gente lembranças...
adorei!

Beijos