quarta-feira, novembro 01, 2006

*Accipere iudicium*

Eu mergulhei tão fundo,
E agora me prendem os tentáculos da noite.
Eu cheguei ao prelúdio do silêncio:
Meus dedos azulados maestram muda sinfonia.
O coração bate apressado mas não sinto:
É inverno dentro, que intenso se anuncia.

Ainda sinto aquela velha asfixia
Contornando as tentativas em meu peito.
E não é à toa escorrendo pela chuva
Um fio de sangue fugindo deste feito.

O veneno que circula me entorpece
Embora lúcida estou distante, o corpo frio,
E esta morte aparente me entristece.
Eu aguardo cavalgarem estações,
que enfim me tragam primaveras e verões:
Eu aguardo aqui no fundo um novo dia

Porque hoje eu sou metade poesia
Amanhã seja talvez só desencanto.

14 comentários:

Leandro Jardim disse...

Ai, essa sua tristeza tão bela!!!!

que bons ventos sol-ridentes tragam mesmo suas estrelas às bandas cariocas!!!

beijardins

Marla de Queiroz disse...

Minha Menina...
Tanta dor, tanto mar nesses olhos.
Teu poema primoroso, impecável.
E tanta, tanta dor.
Eu quero secar tuas lágrimas com meus sol-risos, e fazer da tua noite escura, um descanso na loucura,um passo de (mu)dança, um improviso.
Vem que eu cuido, dou colo e consolo.
Tem tanto amor nesse mar, vem navegar.
Um beijo, minha Flor.

diovvani disse...

Eh, só quem chega no "prelúdio do silêncio"; expressa tão bem os sentimentos, em palavras. Abraço n´alma.

E.T.: fiz uns rabiscos para você no "poeminhas..."

Beanes disse...

pq vc tem de doer tanto?
bj

A czarina das quinquilharias disse...

ah, menina. como diria um amigo meu:
e dói. dói como veneno lá dentro.

pedro pan disse...

, você é inteira poesia. e amanhã só encantos...
|beijos meus|

Octávio Roggiero Neto disse...

"Estes meus tristes pensamentos
vieram de estrelas desfolhadas
pela boca brusca dos ventos."
Cecília Meireles
Oi, Rayanne! Recebi sua palavras ontem com grande surpresa e alegria. Preciso respondê-la com calma, pois há certas coisas que você escreveu que faço questão de comentar.
Lembrei logo de você quando li o trecho sobretranscrito ontem, quando ia dormir. Ele é do livro "metal invisível" do poeta Carlos Roberto Husek, já ouviu falar? Aliás, neste livro há várias citações de Paulo Bonfim, ontem que fui perceber. Estou aprendendo a gostar do jeito que o Carlos escreve. É certo que o punho dele encerra Poesia, mas a forma como ele a expõe ainda não me agrada como gostaria.
E quanto a você, colocou latim no título deste poema... É um brocardo? Não consegui compreendê-lo.
E o novo dia que você aguarda, poetisa, é o dia que já é e ainda não foi percebido. Chega de ansiedades vãs! Temos o pão e o cálice como memória do transcendente, então celebremos a vida enquanto é tempo!
Té mais ler!

cra disse...

bem depois. desculpe.

Múcio Góes disse...

que triste, e de tão, que se fez poesia.

Luz!

bjo.

Ju disse...

E esse novo dia virá, pode crer!
E certamente vc será sempre completa poesia, linda e encantadora.

Beijos com amor

Doca Soares disse...

Hoje eu me sinto em total desencanto.

Você parece ter lido minha alma nesse dia!

Beijo

A czarina das quinquilharias disse...

sem-graça, nada.

moca disse...

que não se permita o desencanto!
jamais.

Beatriz Galvão disse...

Em cada canto,
entretanto,
só encanto.