segunda-feira, novembro 13, 2006

Do que Será.

O tilintar do tempo - pardo
Sobre os versos cansados.
Ausência debruçada sobre o peito
Teorizando sobre os passos dados.
E quando talvez a certeza se aproxime,
Com seu passo arisco e ritmo desconfiado
Há que erguer da dor uns dentes tristes
E a afugentar longe e fora de qualquer traçado.
Porque a insidiosa orientação das marés sobre a pele
Do verso alcoólico
Do gesto cansado
Do amor sofrido
E em dor desgastado.
Deitar silêncio quando a exaustão tomar palavra
E adormecer sem ter partido
Solidão bilateral de única parte.
O que há sob o véu, através, manhã nenhuma.
E do que será marca alguma fica
Quando há que decifrar em todo
O que amor nenhum explica.

10 comentários:

moca disse...

precisamos decifrar a nós mesmos pra entender todo o resto.

Elenita disse...

e vc, como sempre, me move...
um beijo

A czarina das quinquilharias disse...

misterioso e sofrido. lindo de verdade
:*

Paulo Vigu disse...

"Trouxe um trapézio para brincar aqui - perdi o equilíbrio e estou enroscado no seu verso - "deitar silêncio quando a exaustão tomar palavra". Chame o resgate;eu pago! Deitar silêncio nesse mundo é tarefa de poetas/artistas da palavra, já que o tempo faz muito barulho. Lindo, hein! Riodaqui/ beijo aí / Paulo Vigu

Marla de Queiroz disse...

Eu venho aqui sempre, Flor. Leio em voz alta e depois saio muda às vezes...tem silêncio que fala mais.
E tuas imagens tão incrivelmente construídas...frases que eu nunca imaginei que pudessem ser usadas...Fico bestinha, bestinha.
Como toda fã.

Nirton Venancio disse...

gosto da sua poesia-prosa...faz-me "decifrar em todo
O que amor nenhum explica".

Múcio Góes disse...

um verso bêbado só o amor explica, ou não.

belo e triste.

bjo!

Lubi disse...

Como qualquer coisa sua, inundado de presente, de profundidade que os braços curtos não alcançam.
Como gosto de brincar de ser você, ás vezes, admiração pura só. Porque brincadeiras são espontâneas, expelem sorrisos frouxos. Como gosto de me ver passado.
Obrigada, flor.
Amo.
Beijo.

Beanes disse...

veja os desenhos do João e perca de vez o fôlego. montes de beijos para vc.

diovvani disse...

Acho que nem amor, nem qualquer outro trem, explica qualquer coisa.
Entendeu? Nem é para entender. Há muito, desisti de "entender". Entreguei-me ao estado da graça.