domingo, dezembro 31, 2006

Das ardências.

E como se não soubesse que eu tenho essa urgência escancarada em minha boca.
E como se eu pudesse estancar toda essa verborragia em meu olhar.
E logo eu, que tenho vertigem de silêncios!

Eu que me sobressalto a cada dedo que desliza a pele desenhando um rumo
Eu que tento conter desejos dentro, estremecendo corcoveios mudos
Eu que amarro na saliva teu gosto de carência.

Eu não abraço ausências.

Eu gosto de arder possibilidades quando me derramo em tua entrega
Gosto do murmuro baixo na doma das peles
E da mão entrelaçada sob o arrepio:

Eu abraço a carne fresca desse tom arredio.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

PORQUE O DIA 28 TEM O NOME DELA.

Eu mal consigo ordenar as palavras para dizer-lhe.
Porque, à tua frente, elas se animam feito crianças
Em sol de Domingo de férias, tarde quente.

Eu sei de um verso seu que voou até os meus olhos
E fez revoada de cores, de dores, amores. Até que.
Cresceu um elo forjado com palavras banhadas
Em amor-luz, sol-riso, encantos de mar-lá.

Então disse: vem. E eu fui. Mergulho no mundo.
E o abraço foi tão grande que coube uma constelação.
Eu te trouxe estrelas, e você enfeitou as bordas do sorriso.
E as palavras estreitaram distâncias até vibrar o único sentido.

Toque de luz que acende escuros.
Borboleta que pincela a raiz dos sonhos.
Polinizadora de esperanças.
Minha flor, meu amor, minha menina.

Marla de Queiroz. Marla de todos os Santos.
De querências, de quereres.
Marla do dom de sorriso
Fada das continuidades.
Rendeira de palavras que se aninham nela
Como os pássaros que deitam cansaços sobre os ninhos.

Marla escrita no avesso da minha alma,
Matiz dos elementos que escreveram vida:
Minha querida, estivestes em minha’alma desde o sempre,
E redescobri teus passos de vento desdobrando os silêncios.
Ainda ecoa teu riso transparente a cada dia que renasce ardente.

E no teu aniversário desejar o melhor não basta:
Eu quero fundir o abraço tornando real o azul,
Quero libertar todas as alegrias guardadas como estrelas
encerradas no branco de um sorriso, para enfeitar a tua noite
e alargar teu mais lindo sorriso, para enlaçar o mundo.

Amo você, amiga, irmã, mãe, filha, poeta, pessoa: MARLA VILHA!

terça-feira, dezembro 26, 2006

Coisa de poeta.

***
**
*
Poesia?
Leio a esmo
Para que me diga um pouco mais
Sobre mim mesmo.
***
**
*

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Da noite acesa.

E quando as palavras tépidas
esbarrarem sussurros no teu arrepio
Eu vou escorregar dentro
dos teus olhos de vôo,
Vou alçançar o horizonte
pela fresta dos teus medos.

À noite, quando a febre visitar tua insônia
Beberei dos teus dedos a fúria dos sentidos
Inquietando ondulações da táctil alma.

Depois, lento, o sabor invadindo tua veia
O calor à espreita na tocaia
E a vida, armando sua teia.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

PARA CZARINA DAS QUINQUILHARIAS

Porque hoje é seu aniversário,
poeta linda!


Ela é a Czarina de todas as artes
Tantas partes,
Todas as cores.
Ela é um riso doce ecoando
no primeiro sol da manhã.

Ela é a equilibrista das palavras,
Brinca com as realidades colorindo-as de circo.
Ela sabe desmistificar fantasmas
E pintar sorriso na cara das dores.

Ela é a Czarina de muitos nomes.
Escrevendo hoje mais um verso
No grande poema da vida.

terça-feira, dezembro 19, 2006

DA SÉRIE PARCERIAS - POEMAS DE COMUNHÃO


Por Czarina da Quinquilharias e Rayanne

As sementes germinam
inesperadamente
E rapidamente
Flores rompem
Qualquer silêncio
Qualquer assombro de vertigem
Em coração que inquieto pressente.
Canteiros pipocam cores:
Plantas nascidas direto da cal virgem
subindo, infestando o teto
brotando raízes na gente.
E colorindo do azul mais bonito
Tudo o que de infinito
Só - mente
Rompe o silêncio do rimar.
Assim - embotadas de céu
Czarina e estrela
Refletindo amor, há-mar.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Série Parcerias - Poemas de Comunhão

Por Rayanne, Czarina e Gil (Paredro)


Do Giro do Guarda-Sol

Afinal desfeito o engano:
Que o melhor de tudo
Ainda é a ausência de um reto plano.

É a ausência do sentimento mudo,
é a teia cruzada de arame
é o jogo de ludo mano a mano
diante do prato de inhame
e o passo a pressa acontecendo
direto perfeito até que, cruzada a crase,
o quase desengana.
Secreto frio amarrando entranhas
Desfiando a face do maior capricho
De um universo composto em frases
Que se ganha.

É jogo aberto, fechado
ou jogo do bicho?
(é só outra fase),
me disseram em cochicho.

A única certeza é que é errado,
O único erro é que não há certo
Só o que existe é uma presença,
Que cá, não está.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Dos Presságios.

Eu gosto desse instante que ainda é quando,
Inquietudes em longos passeios pela veia.
Eu acho bonito esse vulcão sustenido
E o gesto contido, porque a alma receia.

Eu sinto na pele a ingenuidade leve

De um apelo percorrendo os pêlos
Caindo dentro como se fosse neve.

Eu acho belo o caminho do arrepio
Esse caminho torto por onde espio
Estrelas de pressa florescendo esperas.


Não sei o porquê nem sei se será
Mas a sensação troteando meu peito
É, das coisas sem jeito, a que mais me dirá.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Química do Amor

Então não me venha dar a saber
Ou tente me fazer acreditar,
Que eu não me caibo, contenho, retrato:
Nessa tal química do amor
Um teorema barato.

Ora veja você
Que afirmação mais cretina
Fazer crer que o amor
Ora faça o favor
Cabe em serotonina.

E os ferormônios em flor
O que sabem do amor
E da exaltação das retinas?

Se você puder explicar
Como então se ama a vida
E no abraço mãe vira menina
E a poesia de amigos ganha calor,
Talvez eu possa então aceitar
Os tais dos teus fatos
que explicam o amor.

Mas... e quando é dor?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

À vocês, amores.

E eu sonho de cá todos os risos de lá
Onde a positividade encontra seu pólo
E em ímã, universo atrái as sínteses
De todas as cores, de toda poesia,
Estancadas as dores.

Abriu-se dentro uma porta de onde
eu salto suicida e renasço em todos os verbos
encharcando a carne da madrugada de versos.
Então não cabemos líricos, físicos, estáticos:
Somos a ode em movimento das retinas.

Ao calor que se espalha de um abraço
idealizado, conjugado e repartido
Entre os bites e megas de cansaço
Um baque surdo semelhante ao grito
Invade amores consumando o regaço.

Assim, todos os dias ao descer os olhos,
Em fervura eu desejo os seus sorrisos
Para que sempre nessa comunhão de instantes
Eu possa partilhar do rumo dos seus risos.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Vaga-Lumes.

A noite se cala e eu aqui.
Eu nem deveria, mas a noite é enorme,
E tudo dorme, menos o silêncio, que fuma um charuto na varanda.

Eu aqui, a tantas milhas de saber,
Mas tão perto prá sentir.
O que eu posso dizer?
Tanta vida se agitando inquieta dentro.
Mas não é essa a pulga-insônia que pergunta insistente.

Se ao menos eu pudesse capturar essas palavras borboletrantes
Ordená-las em um gesto, e em uma nota clara
Compreender a busca!

Mas a noite é enorme,
As palavras inutilmente reconhecem flores pelo caminho,
E esses sorrisos insistem como vaga-lumes dentro da noite,
Quando eu queria apenas caçar palavras e colar no papel,
forjando algum sinal.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Conexão.

Fios invisíveis unindo as intenções
Gestos amarrados aos sorrisos,
Lágrimas coladas sobre a pele alva dos acontecimentos.

E tudo se move sincronizadamente,
Como a canalização do ódio urbano, gerando um novo ódio,
Um quadro vermelho cravejado de balas na esquina de sexta.
Como o amanhecer de uma flor que se encontra com o mundo,
Gerando o encantamento no ruflar das cores da borboleta,
Unindo na manhã de Domingo para sempre o amor, infinito enquanto dure.

E talvez ainda o sonho de todas as gentes
Canalizado assim nesse amor em fios transparentes,
Seja capaz de urgir contra a cadeia inconseqüente e frear a vida
Que principia a ruir sob a cacofonia humana dos nossos pés distraídos.

Porque mesmo quando os olhos avermelham
Ainda posso crer que seja pelo orvalho no pôr-de-sol que sangra,
Parindo uma nova noite, uma nova lua, um novo sonho. Até que.