segunda-feira, dezembro 31, 2007

Resoluções de ano novo.

Um ano novo.

Onde eu quero me enganar de novo.
E errar, tentar, acertar, cair, levantar.
Onde eu possa ser sol
e chover de mansinho
"sem ninguém saber por quê".

Mais um ano prá iluminar os lábios com meu carmim
Mais um ano prá adocicar os amargos,
Colorir meu nankim.

Mais um ano eu passo,
Mais um ano aterrisa em mim.
Mais um ano pra me passar a perna
prá me pegar no colo
Prá me lembrar as morenices
Que deixei, amor, derramadas no teu peito.

Esse ano eu quero amar mais e maior,
Quero entender meus defeitos
Que afinal, nossos feitos,
São prá quando a gente quer ser melhor.

Esse ano eu quero rir mais largo
E quero andar mais à toa
Eu quero ficar de boa,
Quando for prá engolir o amargo.

Esse ano eu quero lembrar
(mais uma vez)
Porque é que a gente nasce chorando
Se no final das contas
Quer viver tudo outra vez.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Sou.

Eu sou uma fração do agora.
Sou parte do acontecido.

Acontecimento.


Urgência encarnada na boca.

Carmim.

Eu sou norte, eu caminho em mim
buscando sentido, me afasto de tudo.
Eu encontro existência na areia,
e o mundo desabrocha sob meus passos,
Como se fosse primavera:
Eu tenho sorte.

Eu amo
.
..
...
Derramo
.
..
...
Estrelas.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Para a moça.

Ah, meu amor.

Prá você eu também digo:
abre todas as portas e as janelas.
Deixa a tristeza passar por ti, minha pequena. Não segure as mãos, não olhe demais nos olhos da fera. Abre as portas e o coração, abre os olhos, deixa ela passar. Ela vai devastar o que encontrar por cima, tristeza é besta fera, se não encontra colo, quebra. Mas é só o de cima que ela desmancha. Você leva um sorriso prá dentro de você. Ela não vai poder derrubar. E aí, depois de tudo vc sai: e começa de novo.
Eu sei. Sei o que é acordar sem ter sonhos e desejar voltar. Mas é quando a gente dá abrigo à tristeza. Abre a porta, deixa ela passar. Tristeza é fluida, não represe. Abre os olhos agora.
Inspira. Vê?
Milagre: é vida.
Olha no espelho, enxerga:
alma sua, todinha.
Olha na janela:
Não, as pessoas que andam,
brincam ou sofrem lá em baixo,
não são medíocres. São pequenos milagres ambulantes. Pequenos universos que podem ser desvendados pelo teu sorriso.
Quando a gente oferece tempo demais à tristeza ela não esquece...se o de dentro dói, vive o de fora! Plante em alguém um sorriso, cultive carinhos. Eles estendem as flores e os brotos novos para o seu dentro. O amor não é só o romântico. É amar. Só. Começa fora quando dentro dói e volta prá dentro. AMA. Entrega tua alma e vê. Quem te precisa? Tanta gente de alma à beira da morte precisa de um sorriso teu. Essa morte lenta do espírito. Quando você não tiver mais nada, dê. Dê de si, é o segredo. A dor se assusta com a bondade. A tristeza teme o amor.
Acredita em mim se eu te falo, minha pequena.
O céu se veste de azul para os teus olhos.
As folhas mergulham de um balé único e acrobático do alto de suas copas, suspirando pelo teu olhar.
As folhas se dobram branquinhas ante as tuas mãos pedindo tuas letras,
teu amor, teu viver.
Ponha um pouco de cor na ponta dos dedos, experimenta abraçar antes de esperar o abraço. A ponta de um sorriso pode começar na solidão de um, pincelada na tristeza d'outro e unida pelo abraço. *Um uníssono com a vida, amar, se aprende amando*.
Aqui dói também...
Mas eu já aprendi que passa.

AMo.

***Todas as estrelas***

terça-feira, dezembro 04, 2007

PLÁGIO

PLÁGIO

ATENÇÃO, FUI PLAGIADA:

ESSA MOÇA É UMA FARSA, ME AJUDEM A DENUNCIAR:

http://pachequices.blogspot.com/2007_10_01_archive.html#5901739886459683303

O TEXTO INTITULADO " ESGOTOU-SE" É MEU, COM CERTAS MODIFICAÇÕES,. AJUDEM A DIVULGAR A CARA-DE-PAU!!!!!!!!!!!!!PLÁGIO E VIOLAÇÃO DOS DIREITOS AUTORAIS É CRIME!!!!!!!!!

MEU TEXTO: "FELIZ ANIVERSÁRIO", DEDICADO AO MEU IRMÃO, ESCRITO EM 23 DE SETEMBRO. CONFIRAM.

terça-feira, novembro 27, 2007

Da volta e o vazio.

Voltando à velha falta de ar causada pela tua ausência,
E tua impressão em digitais claustrofóbica.
Um pêndulo no peito
Auscuta os espaços que se alongam.

Toda noite a pele te procura derretendo os lençóis
E quando pensa tocar-te em segredo de sonho,
A manhã descobre o esconderijo do amor
Gritando estridente as horas de mais um dia ausente de nós.

Mas eu guardei um pouco de ti
Sob a minha pele, minhas unhas e meu silêncio
A memória colada em recortes sobre as retinas
Prá quando não houvesse palavras de tocar.
Então eu silencio,
ouvindo a tua música que ficou vibrando nos tímpanos,
E tento imitar um sorriso que se contorna de lágrima.

Todo o resto é saudade.
E essa insossa sucessão de esperas.

domingo, novembro 11, 2007

Fui por aí.

É porque você verso
E valsa, insiste.

Vai rodopiando a letra triste
Versando amor
Que sussurando teu sabor
Persiste...

Num movimento impensado
Desço da dança.


E se alguém perguntar por mim
Diz só que eu fui.


É que quem tem vai por aí.
Amor.

Tava me chamando assim, sabe?
Uma voz doce.
Quem resiste?

Fui por aí.



Uma volta no mundo,
um mergulho bem fundo,
Que eu só de incêndio,
A (s) cendo.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Estrelas abertas.

Então tá.
Chega.
Cansei de esperar o amor.


Se alguém perguntar
Eu saí.
Fui ali buscar.


Abri a porta,
Saí de mim,
Tomei carona
Nas estrelas e parti:
Viajei para o amor,
Destranquei o segredo,
Abri a gaiola dos medos,
Despi a lógica.

Se alguém perguntar,

Segui sorrindo,
Não estou mentindo,
Fui ser feliz.

terça-feira, novembro 06, 2007

Sem você.

Ando de besteira em besteira,
Tentando, sem você, ser inteira...

sábado, novembro 03, 2007

Da ansiedade.

Como se ainda houvesse em meus dedos o espetáculo crepuscular dos teus acontecimentos.
Ouço teus passos distantes, como um sonoro não desenrolando o novelo das horas.

Entenda.

O início ainda plasmava a substância inútil quando teu verbo abandonou minha plenitude.
Agora segue o ponteiro reincidente sobre o tempo que insiste em teimar distâncias.
A tarde joga suas peças, alheia aos meus nervos embaralhados sobre a carne.

Tudo segue em paz.

Exceto o reflexo borrado do teu sorriso
Nos meus olhos.

terça-feira, outubro 23, 2007

Para você.

Então abre as tuas mãos e deixa o vento ir.
É preciso ainda que ele acarinhe outras despedidas
Antes de confundir a saudade em teus cabelos.

Abre os olhos e permite o salto dessa lágrima:
Ela tem sede do chão e de fundir-se ao mundo...
Não a guarde só para sí na penumbra do teu dentro.

Inspira essa urgência das coisas, deixa a vida passear em ti.
Ela anda curiosa dos teus silêncios e dessa pausa,
Essa vírgula que se abriu na tua alma,
Separando o ser e o riso.

Olha.
Vem sentir na pele essa chuva que é a libertação
De todos os choros enclausurados, do suor dos esquecidos,
É a essência do mundo vestindo tuas idéias.
Toma para ti essas histórias e vê como é fluido o tempo.

É uma hora azul agora,
porque a bordei com esse fiapo que escorreu do olhar
de um oceano inquieto com reflexo celeste do horizonte.
As tuas horas podem colorir-se de histórias.
Basta que tenha a paciência de abrir os dedos,
e descobrir as cores ansiosas nos teus medos.

Não é preciso fechar a porta:
As tuas pegadas desmancham distâncias,
Assim,
como se fossem parte do caminho.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Eu queria que você pudesse
sentir o cheiro do meu cabelo.
Ele hoje brinca de chocolate
e bem poderia derreter entre os teus dedos.

Eu queria te dar o gosto tinto da minha boca
Para impregnar minha essência em teus sentidos.

Mas você é tão longe.
E os meus suspiros quase não alcançam
A fome publicada nas tuas mãos,
retesando a carne.
Ouve enquanto eu derreto a espera
adocicando meus dedos com as tuas vontades.

-Não demora-
É o delicado o aroma da tarde
Brindando vazios sobre os ardumes.
-Não demora-
É pesado o tapa calado da tarde
Multiplicando os minutos
Entre as nossas horas.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Eternidades divididas.

Eu quero que o eco do teu sorriso forme uma arco
E, unindo nossos absurdos
Cristalize em sol a eternidade da tua volta.

Eu quero abrir meus braços e abrigar todo o teu silêncio
No macio mais doce dos meus sussurros.

Eu quero invadir tua veia e tingir tua lógica
Com a fome mais insana dos meus beijos.

Eu quero ser estrela,
meu amor,
iluminando o caminho dos teus olhos.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Do amor pausado.

Toma.
Meu desejo está construído de partida,
e é uma lâmina dolorida a alegria plena
-E breve -
De te amar esse instante antes da eternidade.
Os pulsos seguem ritmando a saudade:
Perdi as linhas e o compassso do que deveria dizer.
Olha
É cristalino o sorriso que se funde à lágrima
Selando a branca espera, sinfonia fecunda em Si
Enquanto eu moldo o teu abraço na ausência
Para acomodar meus soluços.
Amor,
Teu beijo,
Vírgula mais feliz da página,
Sangrando meu lábio na frase,
antes de continuar a história.

segunda-feira, setembro 24, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO.

Atravessa o vendaval das horas.
Prá ti,a data crava os dentes no tempo,
Marcando novamente os pulsos
Com a viagem que nasce programada.

O tempo nada tem de sutil:
Traça caminhos na cara
Escreve com borrões
E nos troca os passos.

Mas sabe também desenhar azuis
E descrever belos contornos
Que se assememelham ao riso,
Matéria bruta de sonho.

É com os dentes de dilacerar
Que lapida as almas mais bonitas.
Acredita então na alegria, não no penar.

Só desistir não pode escorrer das páginas,
que enquanto é escrita a história
Sempre pode haver
Mais uma página,
Mais um personagem
Mais um caminho,
Mais uma paisagem.

Enquanto não for escrito fim
Sempre cabe mais um sorriso na memória.

Te amo, irmão.
Feliz Aniversário. Seja feliz não só uma data, Mas uma história.

**Estrelas**

Prá ele, PAREDRO

quinta-feira, setembro 20, 2007

Da linha reta.

Eu prezo a cara limpa.
A consiência aérea.
A dúvida etérea,
Com a retidão dos passos.

À boca pequena
a maledicência, o susurro,
o lucro come a ética:
embola o estômago.

Espírito inflama quieto
Na explosão nem é discreto
Cara à tapa, e arde:
Eu não me escondo,
Coisa de quem fez por onde
De quem é covarde.

Eu prefiro o ângulo agudo das palavras
E o corte claro da honestidade.

Erro sim:
Muito.
E para os erros,
aprender e perdoar.

Mas dissimular não peçam,
Não me adoça o paladar.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Meu amor.

Bom vai ser quando eu puder descolar os silêncios que grudaram sobre a pele. Lavar o sal seco dos poros para receber teus sussurros. Bom vai ser quando a pele reconhecer teu nome, esticando os pêlos para tocar as suas mãos. Quando os músculos puderem desmanchar a contração da ausência para se misturarem ao teu peso, aos teus dentes. Bom vai ser, meu amor, quando eu perceber de novo as cores pelo filtro mágico do teu olhar. Quando o sorriso não for mais visita, e ocupar os lábios e os capítulos. Quando as agonias fizerem as malas e deixarem o seu lugar, eu vou pintar o dentro de sonhos e perfumar de esperanças, meu amor, o seu ficar.

terça-feira, setembro 11, 2007

De um momento triste.

Não há nada, meu amor,
Nada dentro da noite escura.
O vento reclama triste,
O vinho sela amarguras na língua,
A lágrima sulca, doce,
O caminho conhecido dos anos.

O suspiro morre o peito e arde,
Enquanto todas as coisas mergulham
Fechando sobre si os fios
que pesam o coração em vazio.

E não há nada, meu amor.
Nada dentro da noite escura.

Um nada a dissolver ossos e angústias,
Nada lambendo incertezas,
com olhar amarelado de rato.

Nada florindo hematomas sobre o sonho,
Meu amor,
E sobre o nada,
a noite dura.

domingo, setembro 02, 2007

Da música corporal.

Acorda-me em SOL, amor,

REnde meu corpo sustenido,

Derrama em MInha boca

Teu amor bemol...



se prende

Onde é desFAzer tua morada.

Provoca meu mais lírico sentido:

Em SI, reúna a explosão dos nossos versos,

Regendo a sísmica impressão da sinfonia.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Da manhã silenciosa.

Eu me tansfiguro em silêncios tensos:
Roucos, nulos, tantos
Transpasso, transverso, transcendo.

Guardo intensidades sob a pele fina do sonho,
A um instante do sol que arde os olhos.

E me transfiguro em silêncios:
Verbos novos
Devoram a luz da manhã.

quarta-feira, agosto 22, 2007

BLOG 5 ESTRELAS.

Pois é, minha gente.
Essa queridíssima aqui me indicou, Ó:


FEITA EM VERSOS

Os meus cinco indicados, seguindo o regulamento, são:

DOIDA DE MARLUQUICES

MEU PAREDRO

CZARINA DAS QUINQUILHARIAS

MÚCIO GÓES

DIOVVANI

O regulamento completo pode ser visualizado em:

NADA PRÁ MIM

Valeu!

quinta-feira, agosto 16, 2007

Perdoem...

A intensidade com que respiro
tem superado a poesia que inspiro...

É a força do amor,
Despindo a cor das minhas letras
Prá vestir os sorrisos!

segunda-feira, agosto 06, 2007

De saudade.

Estrelas alinhavam linhas
Salpicando a cor
Nas entrelinhas:

Eu aqui amor, tecendo,
Bordando na dor
As estrelinhas.

terça-feira, julho 31, 2007

De Primavera.

Cada manhã que nasce

Sorriso se agita,

Sem disfarce.

segunda-feira, julho 23, 2007

Dedicatória.

Eu vinha guardando esse amor.
É uma jóia delicada, um amuleto poderoso,
é a maior coisa da vida, sem ele, tudo vale nada.

É teu.

Bebe a essência guardada nas estrelas do céu da boca.
Colhe esse arrepio que planta caminhos na geografia.
Absorve no meu abraço toda a entrega incandescente,
Guarda o reflexo da minha alma nos teus olhos.
Assim, segue comigo.

És agora a outra metade destes passos,
e a fusão da sombra, do amor e do destino.

És minha vida.

**Para você.

quarta-feira, julho 18, 2007

Palavras curtas prá amor tão longo.

**Eu quero também
Matar a sede
Apanhar na rede
Essa alma além!**



**À nossa imagem e semelhança
Segue a vida, vai,
Que a medida que te alcança
É a altura do teu próprio ai!**


**Meu perto
Mais dentro:
Trago você
No pensamento**


**E torna em sopro
Coração desconfiado
Alegria de vento
E amor descompassado**

***Inspirada no amor, cantiga de vento, e em tantos queridos!!! Vocês.

sexta-feira, julho 13, 2007

Das coisas que só o amor.

Porque é prá você que eu visto meu melhor sorriso*.
E quando a saudade insiste, eu bordo um telegrama
n'alma, assim:
Urgente envio coração Sobrecarregado de ausência
tua Beijos se derretem na candura dos teus dedos
quando me lêem Ps:. adoro e estrelas

E na ponta dos pêlos, das peles, desejo domado pela
espera. Uma lágrima antecipada de despedida antes,
para guardar apenas o aperto entre os teus abraços.
O encontro anunciado causa agitação entre as células,
comove águas e sais dos olhos, agita todas as flores
que emergem na superfície tensa da pele.

É fácil saber-te próximo, quando a carne se abala
sísmica, entre a idéia e a mensagem. É doce saber-te
guardado nas estrelas dos olhos, gravado à tinta e-terna
no negrume das pupilas. É sólida a construção do querer,
para abrigar todo o florir dos acontecimentos.

**Com rumo. Com riso. Com rima.
*linda metáfora da Czarina.

sexta-feira, julho 06, 2007

Doce.

Meu amor,

O dia amanheceu os olhos vermelhos,
afirmou cansaço, imaginei saudade, firmou-se distância.
Um sorriso tangencia a borda mais calma do sentimento,
enquanto a lágrima afiada corta a rigidez da pele.

Pressinto teus olhos grudados no azul e me transfiguro
em horizonte, para caber-te dentro.
Vai distante o dia em que caminhavas mudo e sem rosto,
meu pensamento.
Hoje vejo refletida uma estrela em cada palavra que
que se aninha no teu sorriso.
E a tua chegada vai descabelando os calendários,
Levando os minutos de dentro.

Espero.
Espero teu desembarque em minha alma,
Teu lugar posto em meu peito,
E o olhar aceso, com jeito.

** Com rumo. Com rima. Com riso.

sábado, junho 30, 2007

Tão longe.

Porque você passeia as idéias macias,
meu segredo,
Caminhando a memória de imagens
no verso do sorriso.
Agonia branca parte muda
E encerra um sonho em seu abraço.
Sono de distâncias,
Abrigo invisível de estar deserta.
A letra cala
O silêncio opressivo do branco
E enquanto
Estremecer minha rima,
doce,
Espero.

**com rumo.

terça-feira, junho 26, 2007

Do risco

E se me pede um riso
arisco,
lhe dôo.
Esse turvo misto
de dor
que lhe sôo.

E se lhe sobra um cisco
confisco
e perdôo.
Esse amor arisco
que arrisco
e entôo.

E se vez rabisco,
conquisto
e abençôo:
Esse é o terno risco
bem quisto
do vôo.

**Não sou escritora, propriamente;
Sou um caminho para as incorporações da poesia.
Não forço.
A poesia vem quando quer.
Me toma, me doma.
Não basta que eu lhe queira escrever.
Um poema
Deve querer ser escrito** JB Rayanne

***Poema Publicado em 08 de Maio de 2007 no BLog de Sete:
http://blogdesete.blogspot.com/

terça-feira, junho 19, 2007

Do traço.

E da dor do traço
Retiro a cor, refaço
Nosso verso antigo
Revejo, e passo
Torno em flor
Meu estilhaço
Arrisco abrigo
No sorriso e sigo:
Não há espaço para castigo.
E eu aqui vou leve,
se a vida breve
ou semelhe o aço.
Empunho o braço, brigo.
Mas se me adoça
Um bom pedaço
Serena enlaço
E desobrigo.
Já é amor,
Esse amor máximo,
A seguir comigo.

quarta-feira, junho 13, 2007

Garoa.

Eu acordei semi-tom.
Derreti uma nota clara
Arfei em meu dentro
Minha ausência mais cara:
De ti, versinho, ao mundo.

Confesso:

Hoje acordei reverso
E só tenho vontade de ir
Sorrir não posso
Não permite o verso
Que corre minhas faces
Com o jeito mais controverso.


Eu acordei levinha
Como a garoa sem direção
Dos rios que se precipitam
Sobre a profundeza da vida.
Mas te peço, versinho,
aponta logo o meu caminho!


Enquanto eu cultivo as palavras,
Regando as flores da pele
Com a orquestra de cordas
de nervos, de aço,
Eu vou cantar baixinho
prá espantar esses males
Enquanto você não vem.

segunda-feira, junho 11, 2007

Do olho do furacão.

A vida simplesmente.
A vida, por si só.
A vida é o presente.

E é simples como percebê-la
de dentro
Olho de furacão:
Dói até chegar lá dentro.

Mas a vida, bem no centro
É doce e calma
Como qualquer tormento.

A vida
Faz bem à alma.

100%.

segunda-feira, junho 04, 2007

Divagações sobre o amor - ou sobre mim.

É fato:
Eu me derramo demais quando amo
Excedo à mim mesma e vou tão além
Que chego a parecer ausente.
Eu causo em mim um grande tumulto.

Mas eu não procuro mais o amor.
O mundo é grande demais...
Quando ele quiser, me esbarra.

Fato:
É, repara_dor
Costura a ferida e lá em cima o nó desata.
Ninguém mais fica bobo de amor
Assim de mal-me-quer, bem-me-quer.
Basta a boca, o beijo, a fome, o gozo desenfreado.

Eu não.
Eu quero amor prá sempre.
(mesmo que seja curto, o sempre).

Fato:
Eu tenho tanto medo.
Você tem tanto medo.
De caminhar sozinho no meio de toda essa gente.
De entregar a alma, de misturar pronúncias.
Porque o amor é dois e fala línguas diferentes.

E eu derramo,
Horizonte vermelho contando estrelas.
Aquelas,
Que esqueci de amanhecer.

quarta-feira, maio 30, 2007

Da espera febril.

A lua doendo o céu
e geando incertezas.
Ardências azuladas escrevendo em pele
o recado familiar de esperas.

E está alí, a dez passos impossíveis,
ao alcançe intangível da razão.
Mas saber-te.
Ao sabor doce e denso que nunca
- Nunca -
Cavalgou a língua
Tropeça desejo em minha insônia.

Picante assim escorre a pele
- Febre -
Onde segredado está o amor.
É assim saber-te:
Vulto, vão
vil, visco
vário, vilão:
E o olho agarrado no teu passo lento
Cisco
De quem não tem pressa de chegar.

quinta-feira, maio 24, 2007

Ganhei de presente.......

Será que a imagem fala, mesmo, mais do que as palavras?

Bom. Vídeo e Som de um amigo meu.

http://www.youtube.com/watch?v=AfhVapovaRE


Quando uma estrela
risca horizonte
E passa por ti,
Tenha certeza,
Essa estrela
É cadente em si....

sexta-feira, maio 18, 2007

Outonal.

E o pôr-do-sol que incandesce o olhar
Contrasta com o ar que, frio, invade o peito.
Eu vento prá casa
Sigo as estrelas em meu peito.
A geada é fina cá dentro,
E guarda a beleza rendada dos cristais da dor.
Tem alegria onde sou rio:
Lavando embora o que não é cor.
A vida brindando,
brinca morna,
Na ausência do amor.

terça-feira, maio 15, 2007

Da estrela-mãe, estrela-guia, amor maior.

"Rever-se,
Reverso.
Revisitar
O verso."

(Néli M. Brandão)

**Isso mesmo, mamãe!!!!
Ela não é o máximo???

terça-feira, maio 08, 2007

Um pouco de poesia.

Poesia me toma -
Doma,
Me adensa.
Alargo o sorriso
prá caber
Lua cheia.
Esse encanto é disso:
é que o amor,
enleia.
E abraça, acontece,
mesmo o amor amigo
é mais doce,
parece.
E é por isso,
eu canto
E derramo um verso
na tua pupila:
e enquanto te converso,
segue o amor
Comigo.

BLOG DE SETE

Hoje postando aqui:

http://blogdesete.blogspot.com/

sexta-feira, maio 04, 2007

Da dor

E quando doer, ria.
Mas ria alto
Prá toda dor te esquecer.
E deixa todo o vento
E a chuva forte
Abraçarem você.

E quando a tristeza te olhar de frente
Mostre os dentes
Ela vai perceber.
E deixa atravessar todo o frio,
Que te resta o verso
para aquecer.

Fecha os teus olhos de prece
E deixa a poesia
nascer.

quarta-feira, maio 02, 2007

Mudança.

Mudando,
Mudez
Muda.
Amiúde,
Miudezas
Mandam.
A mistura:
Amor.

quinta-feira, abril 26, 2007

Cinza.

Uma longa tragada na esperança,
Mas a fumaça cinza ainda assim enche o lugar.

Quando o vazio abre os braços
e toma os abraços do verso amar.

Eu não sei.
Será que um dia ainda vai me encontrar?

quinta-feira, abril 19, 2007

Sobre.

Inquieta.
Quilômetros de veias além.
Motivos.
Iras multiplicam micro-explosões,
Celulares.
Afunda no sono e a vontade,
Primeiro.
Não sei quem era,
A geografia diversa das verdades.
Busco.
Resistente à globalização do sexo e
das vaidades.
A uniformização do amor.
Antes.
E os sussuros declarados
assustam beijo revelador.
Depois.
A pele morde os dentes
E o que era choque vira panfleto
Carregando de mais cinzas a cidade.
Quero.
O perfeito sentido e o resgate da cor.
A cantiga distraída entre os lábios
Os bem-mal-me-queres da flor.
Quando.
Espalhados no ar vão meus ciscos,
teus olhos de passagem ariscos,
E a mais fina, fina dor.
Conquisto
Com cisco
Seu amor.

terça-feira, abril 17, 2007

Nota.

Meus poemas de amor
Não tem destinatário
Misturo no vento e sopro:
Um dia, no olho de alguém vira cisco.

quarta-feira, abril 11, 2007

Corpoema.

Vem e me arrebata:

Revolve meus cabelos
Golpeia meu juízo,
Suga minha fala.
Arranca à minha voz a falsa calma,
Transborda meu sorriso.

Seja aquele,
devassa meus limites,
derrete meu pudor entre teus dedos,
Rasga minha carne rubra de desejos.

Deposita em mim a essência morna dos teus beijos,
Cola teus versos de sal e alinhava
teu poema em meus cabelos:
Publicado em mim, me baste.

quarta-feira, abril 04, 2007

"Iliterante"

Calo,
Porque estou repleta.
Falo
Porque me arde o horizonte,
e cerro os olhos para respirar
a intensidade das palavras.
O contexto me adiciona e multiplica.
No céu,
Um pôr-de-sol domado glorifica,
Escorrendo de nuances meus desejos.
Sei
Imediatamente enquanto nada busco.
Silencia o fantasma singular:
Sou comunhão dos versos que me adensam.
É assim que me vento e assim que me vejo:
Intensidade

Na procissão das palavras.

sexta-feira, março 30, 2007

Das histórias.

O absurdo do teu toque transversal
Quando eu andava em versos plenos de geada.
Teu sorriso espesso derretia a madrugada,
A inenarrável criação da primavera,
conjugando em pressa
verbos antes do pudor.

Fui tua, simplesmente,
Enquanto teus dedos percorreram todas as estações
No meu corpo enclausuradas.
Teu beijo trouxe um sol,
de vermelho lento, dor quase doce,
Derretendo qualquer dureza em minha boca.

Acordei de qualquer dia assim,
Intensa:
Pelo irreal dos teus sentidos
Fui amada.

segunda-feira, março 26, 2007

Rompantes.

Arranca de mim toda a certeza
Descola meus pés do chão:

Hoje eu quero flutuar
sem dimensão exata nesse verso.

Costura essas estrelas no olhar noturno
Varre os meus passos desse chão:

Por hoje.

Exige apenas que eu flutue,
Conduza-me calando meu não.
Desposa-me poema,
Faz-me um filho
Em uníssono soneto.

Cega-me hoje.
Deixa-me enxergar apenas por tuas mãos
E que os nossos medos
Não frutifiquem distâncias desesperadas.

Por hoje.

Amanhã sacudo o sono dos cabelos
Esfrego esse sonho entre os meus dedos,
Vou prá rua e bebo a realidade.

quinta-feira, março 22, 2007

Do pôr-do-sol.

Plena.
Singular.
Amanhecida em vermelho de bordar sorrisos.
Eu ouso vôo
E o horizonte me abraça, claro.
Eu já não sou mais a mesma,
eu me remonto a cada verso
numa melodia diversa,
borrada de outras cores.
Ou não poderia sê-lo.

O vermelho me veste de paisagem
E se põe nas pupilas,
como se eu fora a noite.

É serena que me avança a madrugada.

segunda-feira, março 19, 2007

Poetica mente.

Abriu a linha com seu passo tímido
E engravidou a rima com seu verso ríspido.

Lançou sobre o soneto sua idéia ilógica
Despiu toda a gramática com avidez inóspita.

Adormeceu ouvindo o som de um poema lúdico
Sonhou a poesia como uma pausa sísmica.

E sepultou no peito trágico
O seu amor irônico.


(**Inspirado em "Construção" de Chico Buarque de Holanda)

sexta-feira, março 16, 2007

De ser.

Não serei tua distância,
Tua ausência.

Não serei lágrima manchada
Sobre uma fotografia desbotada.

Eu apenas serei se marcar as tuas retinas
Estampando para sempre de azul as pupilas
Gravando estrelas de fogo no sal fundo dos olhos.

Eu serei para sempre se teus pêlos lembrarem meu tom
E meu corpo quedar tatuado na tua pele, tua entrega.
Eu serei uma parte construindo a tua célula e serei sempre,
se ao meu nome teu arrepio fizer ondas, buscando-me.

Eu não serei queda para as sombras que te seguem.
Eu seguirei o rumo, guiando teu sorriso onde o caminho
ausentar flores.
Eu não serei apenas.
Serei tão somente, ousando eternidade,
e não serei só,
que é a poesia quem embala minhas dores.

Eu serei a linha que abraça a geometria do teu verso.

terça-feira, março 13, 2007

Amortecimento.

Amortecimento.
Amor-teci-mento.
Amor-te-cimento.
Amor- tecimento.

Faz sentido.

E acho que vou trocar meus sonhos
por um gole, um trago e uns beijos baratos.
Vou ver se arranco da insônia teu nome
E ante, após, até qualquer tolo pronome,
vou riscar essa mágoa se nessa letra couber.

É que só o tolo não desiste
e o talvez que persiste
já me ardeu demais.

Amor, te cimento.
E vou indo. Até mais.

sexta-feira, março 09, 2007

Da tempestade.

Eu queria tanto que você me amanhecesse
E livre de tempestades ancorasse teu azul
Em minhas terras, meu porto, minha espera.

Mas se vier com cheiro de mar e relâmpagos
Eu estendo a ti meus remansos e te ofereço um sol
Para aqui refazer o cansaço, o desgaste, o juízo.

E se vier com sede eu te dou a beber minha boca
Te hospedo em meu corpo, minha alma
E faço uma renda do som da chuva
para agasalhar teu sono.

Eu serei tua pausa.

terça-feira, março 06, 2007

Planando.

E azul de vôo
eu tomei carona no vento.
Pousada no porto dos meus olhos,
A entrega reunida brilhando em sol.
Eu hoje acordei nota clara,
De sinfonia passarando o acontecer.

Uma brisa breve,
Uma vida quase leve,
Que me vele, revele no contorno
Do sorriso que estampado em mim, presença.
As folhagens agitadas à beira
Do azul que precipita a paisagem.

São tantas coisas formando renda
E eu enredada quero mais
Desse tecido que suave me recubra
De nudez e alma bordando a paz.

quinta-feira, março 01, 2007

Conjugal

Eu, passo.
Tu, o passado.
Ele, a passeio.

Nós descompasso,
Vós, impassíveis
Eles, passageiros.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Edições.

**
A idéia que mais me acalma:
Lançar uma nova edição
Dessa mesma velha alma.
**

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Estrelas maduras.


Eu sei.
A vida abre as mãos azuis
e chama meu nome.
Seu colo é vasto, um universo,
onde eu deito as idéias
e colho estrelas maduras.
Eu sei.
O destino é o menino da vida.
Os olhos deles brilham de encontro.
Mas destino é menino arteiro.
Ele gosta de pregar peças na vida.
No final riem ou choram.
Brigam, às vezes.
Um vive mudando as cores do outro.
Eu digo que eles nasceram sem contorno,
Prá poderem se misturar e criar o novo.
Eu sei.
O caminho é cheio de claro-escuro-claro-escuro.
Por isso eu colho estrelas maduras.
Quando escuro eu enfeito as margens,
Prá não perder de vista
a vida e o menino.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Por um triz.

Balela.

Tantos finais guardados,
Ela sem final feliz.
Quis compor um poema
Livrar-se de um risco
Talvez ser atriz.

Achar um verso amassado
Tomar um sonho emprestado
Ser a mais bela
Meretriz e donzela,
sonho do aprendiz.

Quis talvez o amor,
Grande telenovela
De um mal sem raiz.

Balela.

A vida toda era aquela:
Feijão com arroz,
pão com pão
Cansaço no rosto,
Levando bem dentro a cicatriz:
Vida sua, vida assim,
por um triz,
sem final feliz.

**Reedição do poema publicado em 15/02/05

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Antes da tempestade.

Eu não te reconheço nos álbuns de fotografia,
Nas minhas memórias, não recordo as palavras doces,
Minha pele não lembra o arrepio da tua
E os lábios não enrubescem ou se torcem à tua lembrança.

Eu não consigo lembrar daquele último beijo sob a chuva,
Das vezes que fostes meu abrigo, meu colo, meu amigo.

Talvez eu não reconheça o som da tua voz na multidão
Por ainda não tê-lo ouvido
Talvez todas as memórias agridoces da tua passagem
Ainda não me cheguem por não terem acontecido.
Talvez a tua chegada ainda não tenha fechado minhas
avenidas, minhas veias, meus sentidos:
O horizonte se alonga e te esconde, retilíneo e vago.
O som morno das batidas me atormenta, a credulidade
desse músculo, no peito náufrago.

E ao olhar em volta eu percebo muralhas que ergui,
distraidamente ao evitar tua chegada;
Eu não sei que coisa é essa que ergue a impaciência das tardes
E isola a possibilidade dos limites.

Ainda não compreendo se é o chão que foge aos pés,
Ou as asas que vão longe demais.

Sei que ainda é cedo
mas o caminho é longo
e o horizonte insiste à frente
Obrigando o passo a ir.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Distante.

E lá embaixo, sob os pensamentos aéreos
Rios de brilho riscando minha carne verde.
Arbórea, etérea, eu escorri montanhas,
depois me despi de verde e ergui versos concretos ao céu.

Mas,
o chão e o toque, o profundo silêncio da realidade.
O ar fervente cavando bolhas nos poros.
As coisas todas que a gente sente,
os olhos que se encontram e fogem, mãos não relaxam.

Cheiro agreste,
Sabor incandescente de erro ou desvio, corrente.
Dia amanhece na chuva, as sensações caminham pensativas.
Todo o desaprender de certezas.
Sem saber por onde,
eu vento
eu volto
eu penso
e calo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO, POETAMADO

Porque um brinde ao azul
lembra a doçura dos seus versos
Anjo disfarçado, poema fluido.

Porque a vida caminha seus passos
Independente do doce ou amargo
Mas ele - ele alarga o sorriso
Com a medida longa das asas.

Amado, sempre. A jóia rara.
Eu falo de Múcio Goes,
Poeta e poema, verso único.

Esse menino tão grande
que brinca palavras
como se fossem pipas
no azul da boca.

Esse homem que é-terno
incandesce as rimas
e ascende.

É teu aniversário, poetamado.
E eu queria dizer,
Além do normal,
Um muito obrigado.
Por ser.
Amo.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Do coração.

Meu amor é pa(z)arinho
enrouquecendo versos de sol
Na janela do amanhã de Domingo.

Meus versos se acalmam
às margens de só-riso

Enquanto sopra
o pó: ema de vento
sacolejando esperanças estradeiras.

Meu coração é um menino
À procura d'um abraço de mundo
Onde possa pousar os vazios
E ensinar-lhes travessuras de vôo.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Entre dentes.

Eu te tenho entre dentes
te entretenho entrementes
Entretanto sei, mentes
Seguimos trocando mentiras
sorridentes
Entrelaçamos sentidos
dormentes
Eu te mantenho
em quase dor
Eu te trago este amor
estridente.


_*_
Rumo rima ao seu redor
Redoma fina -
Nada pior
_*_

terça-feira, janeiro 23, 2007

PAI.

Do meu pai herdei os olhos castanhos e alguma morenice
que veio, carioca, alguma pincelada presentear.
Herdei certa teimosia e um jeito forte no falar.
Do meu pai eu lembro, na minha meninice, as histórias
que eu pedia a ele prá contar.
Ele sempre foi um cara meio quieto, quando a vida turbilhona,
E não tem esse costume assim selado de abraçar
Mas o amor sempre esteve derramado em cada gesto
E no jeito fundo que ele manteve no olhar.
Eu sempre escutei os silêncios se agitando nele
Quando eu adolescente, dei motivos de preocupar
E senti aquele orgulho derramado
Quando eu, mulher, comecei a trabalhar.
Do meu pai herdei honestidade,
e dom com as palavras,
que ele não costuma mostrar;
Herdei uma zanga danada,
E a voz debochada
que ele tem de brincar.
Do meu pai, herdei vida. Valores.
E é esse herói velado
que eu trago guardado
E hoje eu cubro de amores.
Pai, FELIZ ANIVERSÁRIO. Hoje e sempre.
Eu te amo.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

DA SÉRIE PARCERIAS - POEMAS DE COMUNHÃO

Por Rayanne, Marla de Queiroz e Leandro Jardim.


Céu dezembra desaguando
Lava tristeza
Leve daqui

E dessa água sinto
A força e a beleza
Leve daqui

Coração derramado na areia
Rebentando no mar da cura, agora:
Tão leve aqui.

E de levezas aflora
Tão intensamente agora,
Embora eu
Breve-me aqui.

Então leve daqui toda mágoa
e revele:
O belo sorri!


Rayanne, À-mar-la, Jardinzim.
Em 28/12/2006.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Sem pétalas.

Porque eu sou feita de tantos gritos quanto silêncios
E nas minhas lacunas, vertical, infiltra-se uma ausência.
Porque eu sigo ensombrescendo coloridos
Prá ensolarar manhãs cinzentas que me acordam.

Porque eu vivo em busca e nada digo
E quando cala em mim, galopa em flor ardência crua,
Beirando a dor da pele, quando noturnamente poextasio nua.

Porque eu procuro converter o meu juízo
E sustentar-me entre os fatos que ditam caminhos
Pervertendo passos, derrubando granizo entre os atos.

Porque muda frente a tua litania, vida. Eu. O destino.
E a cada traço enrouqueço um passo, estendo um poema e peço,
Dançando sobre o absurdo de todos os desencontroversos.

Essa palavra querendo desabrochar sem pétalas.

terça-feira, janeiro 16, 2007

De intensidade.

Não sei ser senão intensa.
Condenso teu sal em minha pele
E amanheço devorando teu juízo.

Os pêlos procuram o rastro dos teus beijos
E a pele se inflama, concluindo a rima.

Eu conto um arrepio velado aos teus ouvidos
E me tomas nua, pela raiz dos versos.

Teus dedos cavalgam meus verbos
E o corpo corcoveia, tensionando desejos.


Em tua pele escorre o som do meu sabor.

(Decifra-me, ou te devoro)

sexta-feira, janeiro 12, 2007

E o tempo passa...

A história é um pouco nebulosa a mim, naquele início.

Era noite e algo me compelia a explorar o mundo.
Deixar o aconchego e a segurança da simbiose
e devorar o desconhecido.
Minha estrela lia e me convidava a vir olhar o céu.

Até que numa noite estrelada daquelas, a curiosidade superou o medo:
Era frio e hostil o mundo de fora.
Mas aquela voz era tão suave, e a pele tão macia. Ela tinha o olhar mais doce
que eu nunca tinha visto.

Os anos que se passaram foram descoberta:
Sons, perfumes, texturas, sabores.
Mundo era, sim , hostil. Mas tinha um céu enorme
que às vezes chorava, ou uns olhos ardentes que se revezavam:
Um, irradiava o dia, cegando de beleza,
O outro piscava às vezes, e serenamente fitava a noite.
E aprendi que estrelas são amigas, e que basta olhar para unir.
E descobri que tem gente que dói na gente,
e outras alargam o sorriso e quase não cabem no peito.
Descobri que a beleza às vezes também escorre dos olhos...
E tristezas às vezes simplesmente calam dentro, selando fundos.

Mas não há tristeza que cale o amor quando ecoa na alma
Uma nota sol, nada sustenida, abrindo as avenidas do sorriso
e inaugurando as portas do acontecer:
Tanto tempo depois, hoje,
estou re-aprendendo a viver

Olha o presente LINDO da moça Czarina das Quinquilharias (Zazá):

Para bens

Onde ela
(em)contra tempo
Pra subir em nuvens
Pra catar vento
Se todo dia
Quando anoitece
Ela segue estrela
No firmamento?

http://sabedoriadeimproviso.blogspot.com

terça-feira, janeiro 09, 2007

Se vier.

E se vier, não esqueça de trazer
As estrelas, que de azuis,
esqueci de amanhecer.

Não esqueça de contornar meu sorriso
Que se aquietou, amanhecido
Naquele instante de acontecer.

sábado, janeiro 06, 2007

Àquele.

Eu sei que você vai chegar
Num arroio de presságios,
Quando o tempo cansar dos desencontros.
A vida vai soar cristalina,
vertendo densa sobre a pele.

Eu sei que não haverá mais
o descompasso dos minutos sobre os momentos,
e os lábios crispados de ausência
selarão toda promessa retida
Na união incandescida das fomes.

Eu encontrarei teus passos
no instante exato em que as pupilas
unirem-se em negrume derramando estrelas.
O corpo se arqueará num doce sussurro à passagem tua,
e envoltos de pele, teceremos imagem de labaredas
gravadas em eternidade sobre a efígie do amor
em cântaros de passagem,
cativando o vento.