quarta-feira, janeiro 31, 2007

Do coração.

Meu amor é pa(z)arinho
enrouquecendo versos de sol
Na janela do amanhã de Domingo.

Meus versos se acalmam
às margens de só-riso

Enquanto sopra
o pó: ema de vento
sacolejando esperanças estradeiras.

Meu coração é um menino
À procura d'um abraço de mundo
Onde possa pousar os vazios
E ensinar-lhes travessuras de vôo.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Entre dentes.

Eu te tenho entre dentes
te entretenho entrementes
Entretanto sei, mentes
Seguimos trocando mentiras
sorridentes
Entrelaçamos sentidos
dormentes
Eu te mantenho
em quase dor
Eu te trago este amor
estridente.


_*_
Rumo rima ao seu redor
Redoma fina -
Nada pior
_*_

terça-feira, janeiro 23, 2007

PAI.

Do meu pai herdei os olhos castanhos e alguma morenice
que veio, carioca, alguma pincelada presentear.
Herdei certa teimosia e um jeito forte no falar.
Do meu pai eu lembro, na minha meninice, as histórias
que eu pedia a ele prá contar.
Ele sempre foi um cara meio quieto, quando a vida turbilhona,
E não tem esse costume assim selado de abraçar
Mas o amor sempre esteve derramado em cada gesto
E no jeito fundo que ele manteve no olhar.
Eu sempre escutei os silêncios se agitando nele
Quando eu adolescente, dei motivos de preocupar
E senti aquele orgulho derramado
Quando eu, mulher, comecei a trabalhar.
Do meu pai herdei honestidade,
e dom com as palavras,
que ele não costuma mostrar;
Herdei uma zanga danada,
E a voz debochada
que ele tem de brincar.
Do meu pai, herdei vida. Valores.
E é esse herói velado
que eu trago guardado
E hoje eu cubro de amores.
Pai, FELIZ ANIVERSÁRIO. Hoje e sempre.
Eu te amo.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

DA SÉRIE PARCERIAS - POEMAS DE COMUNHÃO

Por Rayanne, Marla de Queiroz e Leandro Jardim.


Céu dezembra desaguando
Lava tristeza
Leve daqui

E dessa água sinto
A força e a beleza
Leve daqui

Coração derramado na areia
Rebentando no mar da cura, agora:
Tão leve aqui.

E de levezas aflora
Tão intensamente agora,
Embora eu
Breve-me aqui.

Então leve daqui toda mágoa
e revele:
O belo sorri!


Rayanne, À-mar-la, Jardinzim.
Em 28/12/2006.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Sem pétalas.

Porque eu sou feita de tantos gritos quanto silêncios
E nas minhas lacunas, vertical, infiltra-se uma ausência.
Porque eu sigo ensombrescendo coloridos
Prá ensolarar manhãs cinzentas que me acordam.

Porque eu vivo em busca e nada digo
E quando cala em mim, galopa em flor ardência crua,
Beirando a dor da pele, quando noturnamente poextasio nua.

Porque eu procuro converter o meu juízo
E sustentar-me entre os fatos que ditam caminhos
Pervertendo passos, derrubando granizo entre os atos.

Porque muda frente a tua litania, vida. Eu. O destino.
E a cada traço enrouqueço um passo, estendo um poema e peço,
Dançando sobre o absurdo de todos os desencontroversos.

Essa palavra querendo desabrochar sem pétalas.

terça-feira, janeiro 16, 2007

De intensidade.

Não sei ser senão intensa.
Condenso teu sal em minha pele
E amanheço devorando teu juízo.

Os pêlos procuram o rastro dos teus beijos
E a pele se inflama, concluindo a rima.

Eu conto um arrepio velado aos teus ouvidos
E me tomas nua, pela raiz dos versos.

Teus dedos cavalgam meus verbos
E o corpo corcoveia, tensionando desejos.


Em tua pele escorre o som do meu sabor.

(Decifra-me, ou te devoro)

sexta-feira, janeiro 12, 2007

E o tempo passa...

A história é um pouco nebulosa a mim, naquele início.

Era noite e algo me compelia a explorar o mundo.
Deixar o aconchego e a segurança da simbiose
e devorar o desconhecido.
Minha estrela lia e me convidava a vir olhar o céu.

Até que numa noite estrelada daquelas, a curiosidade superou o medo:
Era frio e hostil o mundo de fora.
Mas aquela voz era tão suave, e a pele tão macia. Ela tinha o olhar mais doce
que eu nunca tinha visto.

Os anos que se passaram foram descoberta:
Sons, perfumes, texturas, sabores.
Mundo era, sim , hostil. Mas tinha um céu enorme
que às vezes chorava, ou uns olhos ardentes que se revezavam:
Um, irradiava o dia, cegando de beleza,
O outro piscava às vezes, e serenamente fitava a noite.
E aprendi que estrelas são amigas, e que basta olhar para unir.
E descobri que tem gente que dói na gente,
e outras alargam o sorriso e quase não cabem no peito.
Descobri que a beleza às vezes também escorre dos olhos...
E tristezas às vezes simplesmente calam dentro, selando fundos.

Mas não há tristeza que cale o amor quando ecoa na alma
Uma nota sol, nada sustenida, abrindo as avenidas do sorriso
e inaugurando as portas do acontecer:
Tanto tempo depois, hoje,
estou re-aprendendo a viver

Olha o presente LINDO da moça Czarina das Quinquilharias (Zazá):

Para bens

Onde ela
(em)contra tempo
Pra subir em nuvens
Pra catar vento
Se todo dia
Quando anoitece
Ela segue estrela
No firmamento?

http://sabedoriadeimproviso.blogspot.com

terça-feira, janeiro 09, 2007

Se vier.

E se vier, não esqueça de trazer
As estrelas, que de azuis,
esqueci de amanhecer.

Não esqueça de contornar meu sorriso
Que se aquietou, amanhecido
Naquele instante de acontecer.

sábado, janeiro 06, 2007

Àquele.

Eu sei que você vai chegar
Num arroio de presságios,
Quando o tempo cansar dos desencontros.
A vida vai soar cristalina,
vertendo densa sobre a pele.

Eu sei que não haverá mais
o descompasso dos minutos sobre os momentos,
e os lábios crispados de ausência
selarão toda promessa retida
Na união incandescida das fomes.

Eu encontrarei teus passos
no instante exato em que as pupilas
unirem-se em negrume derramando estrelas.
O corpo se arqueará num doce sussurro à passagem tua,
e envoltos de pele, teceremos imagem de labaredas
gravadas em eternidade sobre a efígie do amor
em cântaros de passagem,
cativando o vento.