quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Edições.

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A idéia que mais me acalma:
Lançar uma nova edição
Dessa mesma velha alma.
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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Estrelas maduras.


Eu sei.
A vida abre as mãos azuis
e chama meu nome.
Seu colo é vasto, um universo,
onde eu deito as idéias
e colho estrelas maduras.
Eu sei.
O destino é o menino da vida.
Os olhos deles brilham de encontro.
Mas destino é menino arteiro.
Ele gosta de pregar peças na vida.
No final riem ou choram.
Brigam, às vezes.
Um vive mudando as cores do outro.
Eu digo que eles nasceram sem contorno,
Prá poderem se misturar e criar o novo.
Eu sei.
O caminho é cheio de claro-escuro-claro-escuro.
Por isso eu colho estrelas maduras.
Quando escuro eu enfeito as margens,
Prá não perder de vista
a vida e o menino.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Por um triz.

Balela.

Tantos finais guardados,
Ela sem final feliz.
Quis compor um poema
Livrar-se de um risco
Talvez ser atriz.

Achar um verso amassado
Tomar um sonho emprestado
Ser a mais bela
Meretriz e donzela,
sonho do aprendiz.

Quis talvez o amor,
Grande telenovela
De um mal sem raiz.

Balela.

A vida toda era aquela:
Feijão com arroz,
pão com pão
Cansaço no rosto,
Levando bem dentro a cicatriz:
Vida sua, vida assim,
por um triz,
sem final feliz.

**Reedição do poema publicado em 15/02/05

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Antes da tempestade.

Eu não te reconheço nos álbuns de fotografia,
Nas minhas memórias, não recordo as palavras doces,
Minha pele não lembra o arrepio da tua
E os lábios não enrubescem ou se torcem à tua lembrança.

Eu não consigo lembrar daquele último beijo sob a chuva,
Das vezes que fostes meu abrigo, meu colo, meu amigo.

Talvez eu não reconheça o som da tua voz na multidão
Por ainda não tê-lo ouvido
Talvez todas as memórias agridoces da tua passagem
Ainda não me cheguem por não terem acontecido.
Talvez a tua chegada ainda não tenha fechado minhas
avenidas, minhas veias, meus sentidos:
O horizonte se alonga e te esconde, retilíneo e vago.
O som morno das batidas me atormenta, a credulidade
desse músculo, no peito náufrago.

E ao olhar em volta eu percebo muralhas que ergui,
distraidamente ao evitar tua chegada;
Eu não sei que coisa é essa que ergue a impaciência das tardes
E isola a possibilidade dos limites.

Ainda não compreendo se é o chão que foge aos pés,
Ou as asas que vão longe demais.

Sei que ainda é cedo
mas o caminho é longo
e o horizonte insiste à frente
Obrigando o passo a ir.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Distante.

E lá embaixo, sob os pensamentos aéreos
Rios de brilho riscando minha carne verde.
Arbórea, etérea, eu escorri montanhas,
depois me despi de verde e ergui versos concretos ao céu.

Mas,
o chão e o toque, o profundo silêncio da realidade.
O ar fervente cavando bolhas nos poros.
As coisas todas que a gente sente,
os olhos que se encontram e fogem, mãos não relaxam.

Cheiro agreste,
Sabor incandescente de erro ou desvio, corrente.
Dia amanhece na chuva, as sensações caminham pensativas.
Todo o desaprender de certezas.
Sem saber por onde,
eu vento
eu volto
eu penso
e calo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

FELIZ ANIVERSÁRIO, POETAMADO

Porque um brinde ao azul
lembra a doçura dos seus versos
Anjo disfarçado, poema fluido.

Porque a vida caminha seus passos
Independente do doce ou amargo
Mas ele - ele alarga o sorriso
Com a medida longa das asas.

Amado, sempre. A jóia rara.
Eu falo de Múcio Goes,
Poeta e poema, verso único.

Esse menino tão grande
que brinca palavras
como se fossem pipas
no azul da boca.

Esse homem que é-terno
incandesce as rimas
e ascende.

É teu aniversário, poetamado.
E eu queria dizer,
Além do normal,
Um muito obrigado.
Por ser.
Amo.