sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Antes da tempestade.

Eu não te reconheço nos álbuns de fotografia,
Nas minhas memórias, não recordo as palavras doces,
Minha pele não lembra o arrepio da tua
E os lábios não enrubescem ou se torcem à tua lembrança.

Eu não consigo lembrar daquele último beijo sob a chuva,
Das vezes que fostes meu abrigo, meu colo, meu amigo.

Talvez eu não reconheça o som da tua voz na multidão
Por ainda não tê-lo ouvido
Talvez todas as memórias agridoces da tua passagem
Ainda não me cheguem por não terem acontecido.
Talvez a tua chegada ainda não tenha fechado minhas
avenidas, minhas veias, meus sentidos:
O horizonte se alonga e te esconde, retilíneo e vago.
O som morno das batidas me atormenta, a credulidade
desse músculo, no peito náufrago.

E ao olhar em volta eu percebo muralhas que ergui,
distraidamente ao evitar tua chegada;
Eu não sei que coisa é essa que ergue a impaciência das tardes
E isola a possibilidade dos limites.

Ainda não compreendo se é o chão que foge aos pés,
Ou as asas que vão longe demais.

Sei que ainda é cedo
mas o caminho é longo
e o horizonte insiste à frente
Obrigando o passo a ir.

16 comentários:

Pedro Pan disse...

, quando horizontes insistem, persistem. é o novo que está por vir, novos sentimentos, ou novos velhos sentimentos...
|beijos meus|

Juliana Marchioretto disse...

talvez não lembrar faça sofrer ainda mais..

beijo

diovvani mendonça disse...

Li, reli, tresli. Bonito, como essa saudade descrita por você de um amor que, ainda não veio; mas que acena no horizonte possibilidades. Que ele chegue logo e se agazalhe no arco dos seus braços. AbraçoDasGerais.

Alequites disse...

Ainda espero o arco-íris após cada tempestade.
Beijos

paulo vigu disse...

Asas vão longe demais. Também sou assim. Um amigo poeta me emprestou um verso de quebrar muralhas:"sempre os pés sobre o chão, mas longe do chão" - Riodaqui deixa o beijo na sua pedra. Paulo Vigu

? disse...

lembrança... quanto dela não é nosso desejo, dor; nossa imaginação?

Dora disse...

Caríssima! Hoje estou em dia de ler poesia!
E já selecionei os blogs.
Cheguei cá e relembrei seu estilo. Uma descrição doce e melancólica de uma lembrança "do que ainda não foi", mas sempre lembrança, criada e "sentida" pela memória. Estranha sensação! Mas, poetas, como vc, são experts nelas!
Beijo meu para você!
Dora

moacircaettano disse...

lindo, lindo, querida...
embora há muito tempo eu não saiba mais o que são muralhas...
beijos com gosto de pequi e sol!

Leandro Jardim disse...

você sempre me arrebata
e me fale assim com força
que eu sempre me - arre! - caio
com suas palavras, pasmo

beiJardins

Paulo Silva disse...

E o NOVO HORIZONTE SERÁ BEM MELHOR.
Um bomdomingo

Lubi disse...

"Ainda não compreendo se é o chão que foge aos pés,
Ou as asas que vão longe demais."

Talvez, minhas letras sejam grandes demais. Porque você me lê e relê a distância. Eu me sinto quase universal.

Beijo enorme.

Múcio Góes disse...

retrato cego, espécie de faltagrafia.

lindo, sempre, linda.


bjssss!

Luzzsh disse...

Oi Rayanne,

Delícia te ler. Lindo
Lindo
Lindo
Lindo
Lindo.

Beijos...

Marla de Queiroz disse...

Entre pernas, passos e tropeços...sempre em frente.
Lindo como sempre!

Marlabraços apertados.

daniel batista de siqueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ná Leão disse...

Moça: ki bonito...
Gostei demais dos teus escritos...
Ainta falta alguns pra ler, mas sei que vou gostar antes mesmo de ter lido, porque tua veia é forte, tua luz é clara e eu vejo e sinto o que preciso aki...
Melhor ainda: Vc é apenas o máximo...
Continua envolvendo o mundo com teu encanto através da tua essência...

Abraçejos...