segunda-feira, março 26, 2007

Rompantes.

Arranca de mim toda a certeza
Descola meus pés do chão:

Hoje eu quero flutuar
sem dimensão exata nesse verso.

Costura essas estrelas no olhar noturno
Varre os meus passos desse chão:

Por hoje.

Exige apenas que eu flutue,
Conduza-me calando meu não.
Desposa-me poema,
Faz-me um filho
Em uníssono soneto.

Cega-me hoje.
Deixa-me enxergar apenas por tuas mãos
E que os nossos medos
Não frutifiquem distâncias desesperadas.

Por hoje.

Amanhã sacudo o sono dos cabelos
Esfrego esse sonho entre os meus dedos,
Vou prá rua e bebo a realidade.

17 comentários:

diovvani mendonça disse...

"...
E depois de nove luas
te deitar nua
no colo do violão
fazer o teu parto
deixar no ar um acorde
para ser o berço
de nossa filha
nossa música"

AbraçoDasGerais.

Clóvis disse...

"Cega-me hoje.
Deixa-me enxergar apenas por tuas mãos..."


Arrebatador!
Está doendo aqui também...


Mas passa,
logo passa.


Assim ficamos mais vulneráveis aos sentimentos, e a poesia jorra pelos poros.



Meu beijo

Múcio Góes disse...

nada mal,
cair com vc
na real.

Minha Super, linda e sempre!

bjsss

zazá disse...

lindo de doer o peito...
:*

Sandra Regina de Souza disse...

era só um grito... e ficou assim: tão bonito... Forte, intenso... comentário ainda sob o efeito dos versos aqui dentro... bom te ler, moça!! Encoraja-dor! meus beijos (à espera do abraço!!)

cristianodourado disse...

Oi moça, que mundo pequeno. cheguei no blog de Marla pelo blog de meu amigo lêle e vc chegou no meu blog. Seja bem vinda amei sua auto definição. Se quiser adicionar este poeta de quarto de tigela que nas horas vagas gosta de ler a vida e se indigna com o que a maioria acha normal no Msn sankofa1982@hotmail.com

Nirton Venancio disse...

é bom flutuar com seu poema, Rayanne. Leio, releio... você, caçadora de verdades tênues - que belo!

Luzzsh disse...

Oiê....

Sim, a gente bebe realidade, mas o que mata nossa sede e nos embriaga é sempre o sonho....

:( Não poderei ir na despedida da Sandra.....fechamento de mês, trabalho até de madrugadinha!.....Adiado o abraço...mas um dia, vem...Bjs...

Ácido Poético disse...

Nossa, adorei esse seu contratempo estrelado. Posso me aconchegar por aqui?

Sds,
brunø

paulo disse...

acordar desse sonho nem vontade dá... nem quero amanhecer então!
.
lindo 'versar'!
.

paulo vigu disse...

E amanhã a poeta sacudirá o sono dos cabelos e esfregará sonho entre os dedos. Que ao esfregar surjam outros. Que a realidade fique lá naquele velho navio. Porque sonhar tem sido muito mais urgente. E amanhã cedo deixo um beijo na sua porta e uma flor para os seus cabelos. Riodaqui água vai - Paulo Vigu

cra disse...

sim

Elenita disse...

Que coisa mais bonita...

rocky shade metal disse...

Ju, por que você não faz um livro?

Beijos.

Ácido Poético disse...

E eu vou estar sempre nesse seu contratembo, moça. Já adicionei o seu blog aos meus ácidos prediletos.

Beijos radiando estrelas eternamente brilhantes
Brunø

Pedro Paulo Pan disse...

, costura tantos versos e palavras e imagens e ações...
, "Amanhã sacudo o sono dos cabelos
Esfrego esse sonho entre os meus dedos," é magistral...
|beijos meus|

camila disse...

adoro você voando! é plena! (apesar de nos chão tb ser...)