quinta-feira, abril 26, 2007

Cinza.

Uma longa tragada na esperança,
Mas a fumaça cinza ainda assim enche o lugar.

Quando o vazio abre os braços
e toma os abraços do verso amar.

Eu não sei.
Será que um dia ainda vai me encontrar?

quinta-feira, abril 19, 2007

Sobre.

Inquieta.
Quilômetros de veias além.
Motivos.
Iras multiplicam micro-explosões,
Celulares.
Afunda no sono e a vontade,
Primeiro.
Não sei quem era,
A geografia diversa das verdades.
Busco.
Resistente à globalização do sexo e
das vaidades.
A uniformização do amor.
Antes.
E os sussuros declarados
assustam beijo revelador.
Depois.
A pele morde os dentes
E o que era choque vira panfleto
Carregando de mais cinzas a cidade.
Quero.
O perfeito sentido e o resgate da cor.
A cantiga distraída entre os lábios
Os bem-mal-me-queres da flor.
Quando.
Espalhados no ar vão meus ciscos,
teus olhos de passagem ariscos,
E a mais fina, fina dor.
Conquisto
Com cisco
Seu amor.

terça-feira, abril 17, 2007

Nota.

Meus poemas de amor
Não tem destinatário
Misturo no vento e sopro:
Um dia, no olho de alguém vira cisco.

quarta-feira, abril 11, 2007

Corpoema.

Vem e me arrebata:

Revolve meus cabelos
Golpeia meu juízo,
Suga minha fala.
Arranca à minha voz a falsa calma,
Transborda meu sorriso.

Seja aquele,
devassa meus limites,
derrete meu pudor entre teus dedos,
Rasga minha carne rubra de desejos.

Deposita em mim a essência morna dos teus beijos,
Cola teus versos de sal e alinhava
teu poema em meus cabelos:
Publicado em mim, me baste.

quarta-feira, abril 04, 2007

"Iliterante"

Calo,
Porque estou repleta.
Falo
Porque me arde o horizonte,
e cerro os olhos para respirar
a intensidade das palavras.
O contexto me adiciona e multiplica.
No céu,
Um pôr-de-sol domado glorifica,
Escorrendo de nuances meus desejos.
Sei
Imediatamente enquanto nada busco.
Silencia o fantasma singular:
Sou comunhão dos versos que me adensam.
É assim que me vento e assim que me vejo:
Intensidade

Na procissão das palavras.