segunda-feira, junho 04, 2007

Divagações sobre o amor - ou sobre mim.

É fato:
Eu me derramo demais quando amo
Excedo à mim mesma e vou tão além
Que chego a parecer ausente.
Eu causo em mim um grande tumulto.

Mas eu não procuro mais o amor.
O mundo é grande demais...
Quando ele quiser, me esbarra.

Fato:
É, repara_dor
Costura a ferida e lá em cima o nó desata.
Ninguém mais fica bobo de amor
Assim de mal-me-quer, bem-me-quer.
Basta a boca, o beijo, a fome, o gozo desenfreado.

Eu não.
Eu quero amor prá sempre.
(mesmo que seja curto, o sempre).

Fato:
Eu tenho tanto medo.
Você tem tanto medo.
De caminhar sozinho no meio de toda essa gente.
De entregar a alma, de misturar pronúncias.
Porque o amor é dois e fala línguas diferentes.

E eu derramo,
Horizonte vermelho contando estrelas.
Aquelas,
Que esqueci de amanhecer.

11 comentários:

camila disse...

meu Deus. são teus todos, todos os meus suspiros de hoje, ju! que coisa sublime! é retrato de alma. aplausos ecoando de salvador a curitiba. (e um abraço apertadocheio de orgulho. vc rules).

paulo vigu disse...

É que o amor roda ao redor dessa moça. Fica de rodopio no vento por onde ela passa. Esbarra sempre: segura essa barra. Saudade daqui em mim. Riodaqui aí.

simone disse...

Oi! Vim do blog do Dudu que é filho da minha prima Marcia.
Então voce e mesmo poeta.
Nasceu inspirada hem!

Parabens!!

Simone

Senhorita disse...

E ele sempre esbarra.

Beijo.

ricardo divino disse...

derrame sempre.
é privilégio e cura para os de memória mais cetim, que nem anoitecem.

Lubi disse...

Espelho, espelho.

Vezenquando você me reflete em todos os detalhes e eu até me assusto.

Amo.
Beijo.

Paula Calixto disse...

E o Amor se torna e re-transforma...
em Fênix de/em nós mesmos!!!

Beijos

Múcio Góes disse...

e de ramo em ramo,
desarrumando rumos,
planos sem prumo,
salvo engano,
eu amo,
e assumo.

bjo.

Minha Supernova!

diovvani mendonça disse...

Seu jardim de poesia está muito bem cuidado. Por isso o Beija-flor, não deve demorar. Se é que já não está pousado, em algum canto escondido aí e você ainda não percebeu. AbraçoDasMontanhas.

Antônio Alves disse...

Escreves tão sutilmente que também chego a me derramar em mim mesmo. O amor é uma grande babel, minha cara, é fato. O seu gran finale na junção estelar foi fantástico! Abraços!


Antônio Alves
No Passeio Público
Postagens às quartas e domingos

Lubi disse...

Domingo, escuto "Milágrimas", da Zélia Duncan.
Me lembrei de você.

Beijo.