sábado, junho 30, 2007

Tão longe.

Porque você passeia as idéias macias,
meu segredo,
Caminhando a memória de imagens
no verso do sorriso.
Agonia branca parte muda
E encerra um sonho em seu abraço.
Sono de distâncias,
Abrigo invisível de estar deserta.
A letra cala
O silêncio opressivo do branco
E enquanto
Estremecer minha rima,
doce,
Espero.

**com rumo.

terça-feira, junho 26, 2007

Do risco

E se me pede um riso
arisco,
lhe dôo.
Esse turvo misto
de dor
que lhe sôo.

E se lhe sobra um cisco
confisco
e perdôo.
Esse amor arisco
que arrisco
e entôo.

E se vez rabisco,
conquisto
e abençôo:
Esse é o terno risco
bem quisto
do vôo.

**Não sou escritora, propriamente;
Sou um caminho para as incorporações da poesia.
Não forço.
A poesia vem quando quer.
Me toma, me doma.
Não basta que eu lhe queira escrever.
Um poema
Deve querer ser escrito** JB Rayanne

***Poema Publicado em 08 de Maio de 2007 no BLog de Sete:
http://blogdesete.blogspot.com/

terça-feira, junho 19, 2007

Do traço.

E da dor do traço
Retiro a cor, refaço
Nosso verso antigo
Revejo, e passo
Torno em flor
Meu estilhaço
Arrisco abrigo
No sorriso e sigo:
Não há espaço para castigo.
E eu aqui vou leve,
se a vida breve
ou semelhe o aço.
Empunho o braço, brigo.
Mas se me adoça
Um bom pedaço
Serena enlaço
E desobrigo.
Já é amor,
Esse amor máximo,
A seguir comigo.

quarta-feira, junho 13, 2007

Garoa.

Eu acordei semi-tom.
Derreti uma nota clara
Arfei em meu dentro
Minha ausência mais cara:
De ti, versinho, ao mundo.

Confesso:

Hoje acordei reverso
E só tenho vontade de ir
Sorrir não posso
Não permite o verso
Que corre minhas faces
Com o jeito mais controverso.


Eu acordei levinha
Como a garoa sem direção
Dos rios que se precipitam
Sobre a profundeza da vida.
Mas te peço, versinho,
aponta logo o meu caminho!


Enquanto eu cultivo as palavras,
Regando as flores da pele
Com a orquestra de cordas
de nervos, de aço,
Eu vou cantar baixinho
prá espantar esses males
Enquanto você não vem.

segunda-feira, junho 11, 2007

Do olho do furacão.

A vida simplesmente.
A vida, por si só.
A vida é o presente.

E é simples como percebê-la
de dentro
Olho de furacão:
Dói até chegar lá dentro.

Mas a vida, bem no centro
É doce e calma
Como qualquer tormento.

A vida
Faz bem à alma.

100%.

segunda-feira, junho 04, 2007

Divagações sobre o amor - ou sobre mim.

É fato:
Eu me derramo demais quando amo
Excedo à mim mesma e vou tão além
Que chego a parecer ausente.
Eu causo em mim um grande tumulto.

Mas eu não procuro mais o amor.
O mundo é grande demais...
Quando ele quiser, me esbarra.

Fato:
É, repara_dor
Costura a ferida e lá em cima o nó desata.
Ninguém mais fica bobo de amor
Assim de mal-me-quer, bem-me-quer.
Basta a boca, o beijo, a fome, o gozo desenfreado.

Eu não.
Eu quero amor prá sempre.
(mesmo que seja curto, o sempre).

Fato:
Eu tenho tanto medo.
Você tem tanto medo.
De caminhar sozinho no meio de toda essa gente.
De entregar a alma, de misturar pronúncias.
Porque o amor é dois e fala línguas diferentes.

E eu derramo,
Horizonte vermelho contando estrelas.
Aquelas,
Que esqueci de amanhecer.