quarta-feira, junho 13, 2007

Garoa.

Eu acordei semi-tom.
Derreti uma nota clara
Arfei em meu dentro
Minha ausência mais cara:
De ti, versinho, ao mundo.

Confesso:

Hoje acordei reverso
E só tenho vontade de ir
Sorrir não posso
Não permite o verso
Que corre minhas faces
Com o jeito mais controverso.


Eu acordei levinha
Como a garoa sem direção
Dos rios que se precipitam
Sobre a profundeza da vida.
Mas te peço, versinho,
aponta logo o meu caminho!


Enquanto eu cultivo as palavras,
Regando as flores da pele
Com a orquestra de cordas
de nervos, de aço,
Eu vou cantar baixinho
prá espantar esses males
Enquanto você não vem.

10 comentários:

rogerio santos disse...

Acordou os acordes
por decantação
E nos pormenores
chorou uma canção

Esses teus versos são tão musicais !
Que lindo Rayanne...
Um beijo
Rogerio

Nirton Venancio disse...

o dia acorda bem com seus versos...

Paula Calixto disse...

Psiu... ele vem!!!;)

Beijos

Antônio Alves disse...

Eu compreendo que a relação entre o escritor e a palavra não é tão fácil como parece, é preciso muita transpiração para que surja o verbo adequado. Mas você está certa, vá regando, regando, até ele crescer. Há braços!


Antônio Alves
No Passeio Público
Postagens às quartas e domingos

Lubi disse...

Enquanto vinha para o trabalho, lia Fernado Pessoa, o mestre, e pensava em como tinha acordado e não despertado ainda.
Prosa comigo mesma.

Admiro MUITO a forma como você escreve, a maneira como junta as palavras e nos faz pensar no fim: "É isso mesmo, perfeito".

Um beijo.

diovvani mendonça disse...

Virá o sol, namorar a garoa. Porque ela, é também uma estrela e não mecere menos, do que outra estrela. AbraçoDasMontanhas.

rocky shade metal disse...

Nossa, que lindo isso.
Beijão, linda..

meu paredro disse...

bossa-nova.

Ju disse...

Ah, como vc é linda. Me emocionei!

Saudade...
Beijos

Pedro Paulo Pan disse...

, com males espantados, ele vem. e junto dele a poesia...
, beijos meus.