terça-feira, outubro 23, 2007

Para você.

Então abre as tuas mãos e deixa o vento ir.
É preciso ainda que ele acarinhe outras despedidas
Antes de confundir a saudade em teus cabelos.

Abre os olhos e permite o salto dessa lágrima:
Ela tem sede do chão e de fundir-se ao mundo...
Não a guarde só para sí na penumbra do teu dentro.

Inspira essa urgência das coisas, deixa a vida passear em ti.
Ela anda curiosa dos teus silêncios e dessa pausa,
Essa vírgula que se abriu na tua alma,
Separando o ser e o riso.

Olha.
Vem sentir na pele essa chuva que é a libertação
De todos os choros enclausurados, do suor dos esquecidos,
É a essência do mundo vestindo tuas idéias.
Toma para ti essas histórias e vê como é fluido o tempo.

É uma hora azul agora,
porque a bordei com esse fiapo que escorreu do olhar
de um oceano inquieto com reflexo celeste do horizonte.
As tuas horas podem colorir-se de histórias.
Basta que tenha a paciência de abrir os dedos,
e descobrir as cores ansiosas nos teus medos.

Não é preciso fechar a porta:
As tuas pegadas desmancham distâncias,
Assim,
como se fossem parte do caminho.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Eu queria que você pudesse
sentir o cheiro do meu cabelo.
Ele hoje brinca de chocolate
e bem poderia derreter entre os teus dedos.

Eu queria te dar o gosto tinto da minha boca
Para impregnar minha essência em teus sentidos.

Mas você é tão longe.
E os meus suspiros quase não alcançam
A fome publicada nas tuas mãos,
retesando a carne.
Ouve enquanto eu derreto a espera
adocicando meus dedos com as tuas vontades.

-Não demora-
É o delicado o aroma da tarde
Brindando vazios sobre os ardumes.
-Não demora-
É pesado o tapa calado da tarde
Multiplicando os minutos
Entre as nossas horas.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Eternidades divididas.

Eu quero que o eco do teu sorriso forme uma arco
E, unindo nossos absurdos
Cristalize em sol a eternidade da tua volta.

Eu quero abrir meus braços e abrigar todo o teu silêncio
No macio mais doce dos meus sussurros.

Eu quero invadir tua veia e tingir tua lógica
Com a fome mais insana dos meus beijos.

Eu quero ser estrela,
meu amor,
iluminando o caminho dos teus olhos.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Do amor pausado.

Toma.
Meu desejo está construído de partida,
e é uma lâmina dolorida a alegria plena
-E breve -
De te amar esse instante antes da eternidade.
Os pulsos seguem ritmando a saudade:
Perdi as linhas e o compassso do que deveria dizer.
Olha
É cristalino o sorriso que se funde à lágrima
Selando a branca espera, sinfonia fecunda em Si
Enquanto eu moldo o teu abraço na ausência
Para acomodar meus soluços.
Amor,
Teu beijo,
Vírgula mais feliz da página,
Sangrando meu lábio na frase,
antes de continuar a história.