domingo, dezembro 28, 2008

Poeiras, poemas.

Soul
Pó & SIA.


**Queridos....
Devido à interpretações "erradas" que me façam aqui, explico:

Pó & SIA = Po E SIA, por isso SIA com "S".......ai, ai.

terça-feira, dezembro 23, 2008

A janelinha.

Hoje me abriu um vazio e um silêncio,

As mãos ausentes das tuas,

A falta daquele abraço de natal tão familiar.


Já faz um tempo, vó, eu sei.

Mas é que os teus ensinamentos seguem

Setas do meu caminho,

Passos de caminhar.


Doeu um bom tanto a saudade.

Aí busquei no céu,

Uma janelinha pra te abraçar.


**Para minha avó, que voltou a ser anjo num dia 23 de Dezembro de alguns anos atrás.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Mínima

Resumir
Redesenhar
Definir
Até restar
apenas
Sentir.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Verborragia.

Um balde,
por favor.

As palavras, sumarentas,
fogem da garganta, às golfadas.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Dos escritos.

Sol_letrar o verso,
iluminar o vórtice
Desse escrever
Que é vício.

Verso, meu vício
do amor, ofício.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Insistente.

Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Bate.
Entre hematomas,
meu coração celebra a vida.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Adaga.

Dar fio às palavras,
ver luzir na superfície
a (cor)tante das verdades.

Dar fio às palavras,
dividir o silêncio ao meio
reverberando as coordenadas.

Dar fio às palavras,
perfurar os tímpanos
com a lucidez das metáforas.

Dar fio às palavras,
colorir os versos que ainda eu risco
e tingir de sangue as declarações de amor
cortar a garganta das censuras
e aclamar os verbos,
desafi(n)ar a dor.

Dar fio às palavras,
Alinhar as sílabas,
De_compor.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Palavras...

Tem aqueles dias de palavras mansas
que sozinhas montam sonetos.

Tem aqueles dias vermelhos,
onde você solta a palavra no vento

E corre para salvar os calcanhares.

Tem aqueles dia que as palavras não dizem,
Calam-se abraçando olhares,

E tem aqueles dias
Minhas palavras deslizam macias na tua língua,
escrevendo volúpias no céu da boca.

Tem dias em que palavras,
são o cultivo milenar das horas
florindo vocábulos distraídos.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Amor em papel e caneta.

E dentro do papel a velha espera,
Um emaranhado de fibras vorazes pede tinta.

A caneta inocente entrega-se ao beijo, morte lenta,
à brancura angelical e às linhas frescas.

O papel, de diabólicas imagens suga-lhe a seiva,

Bebe o céu contido nesses beijos,
Se declara e oferece o peito aberto.


Envolvida e misturada ao seu anseio,

Beija e se declara, comovida

Mil versos de paixão mal resolvida,

Para entregar, num suspiro derradeiro,

Todo seu mel ao papel tão traiçoeiro,
Que lhe arrebata, enfim, o azul inteiro.

domingo, novembro 16, 2008

Cão sem dono.

A poesia é uma cão sem dono,
vagando a liberdade abandonada das veias.

As metástases desse sentimento empoemado,
a febre que nos rodeia, a palavra que ergue os dentes,
do verso que dilacera o juízo e espuma ausências.

E depois vem poema, lambendo as reticências,
abanando incertezas nos olhos tristes de espera.

A poesia é cão sem dono e sem abrigo,
esse cão itinerante das vontades,
uivando a solitude dos sentidos.

quarta-feira, novembro 12, 2008

E quando as palavras tépidas
esbarrarem sussurros no teu arrepio
Eu vou escorregar dentro
dos teus olhos, cordilheiras,
E vou alçançar o horizonte
pela fresta dos teus medos.
À noite, quando a febre visitar tua insônia
Beberei dos teus dedos a fúria dos sentidos
Inquietando ondulações da táctil alma.
Depois, lento, o sabor invadindo tua veia
O calor à espreita na tocaia
E a vida, armando sua teia.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Momentos.

Tudo tão,
e eu nem.
Tudo enfim,
você, também.
Tudo então,
aqui, ninguém.
Tudo assim,
e sem porém
Em silêncio,
Repito: amém.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Círculos.



Essa eternidade agarrada aos nossos dedos.
_____________________aos nossos medos.

Essa eternidade engole por um instante a sombra.
____________________por um instante assombra.

Esse eternidade que nunca fez segredo, é sua.
_______________________________é minha.

Essa eternidade é um círculo,
E pode ser o amor, um conceito.
Pode ser que.
Escrevam.
Discutam.
Teorizem.
Esperneiem.

Mas o que eu sei dor amor,
_____________________só soube,
___________________________amando.

quinta-feira, outubro 30, 2008

I can fly.

De alinhar avessos,
Até arder reticências.
De desalinhar versos,
Até desabotoar as frases.
De alimentar metáforas
Até engolir unânimes juízos.

Até abrir as asas contra a luminária estupefacta
E alçar céus de violetas lentas,
violados centros sentidos,
violentos sempre sofridos.
Violáceos certos gemidos.

E guardar as asas delicadas sob a inquietude do vôo
extenuar-me sol, mente comungando hipótese,
exasperar-me sal, de ar, dentes cravejando distâncias
extinguir-me se, mente planejando prima ver em cores.

E quando a dor, mexer os nãos suavemente,
Para o redemoinho de encontro - ar,
Derreter parcelas afastadas
Permitir às penas
Acreditar

Fecho as incapacidades
Estendo as mãos sobre o tempo
e e percebo que posso voar.

sexta-feira, outubro 24, 2008

O preço da liberdade.

E liberdade de quê?
Liberdade do amor?
Ou de amar?
Vale a pena ser livre,
Ou, amando, voar?

segunda-feira, outubro 20, 2008

Abraçando, ainda.

Poesia pode ser uma tentativa de abraçar o mundo com palavras.

terça-feira, outubro 14, 2008

Ternuras.

É terno
Ter na mente
Eterna idade
Amor crescente.

sexta-feira, outubro 10, 2008

De abraçar.

...um abraço guarda um tudo,
um abraço é derrubar um muro,
abrir os portões da alma,
despir-se de mundo.
Um abraço é baixar a guarda,
permitir que dois corações unam ritmos,
que as intimidades se reconheçam,
que as digitais do corpo imprimam
marcas noutro corpo.
Abraçar é amor, é amar.
É abrir, revelar.
Abraçar é a nossa tentativa mais próxima
De um ser só, de união.

(e de tentar - como disse minha querida Czarina)

segunda-feira, outubro 06, 2008

Apenas sei

que esse amor,
meu doce,

É terno.

terça-feira, setembro 23, 2008

quinta-feira, setembro 18, 2008

Emergente

Contra tempo
Encontre tempo
De a ré, invente
Faço de novo
Um poema
Diferente.

Contratempo
Econtra a gente
Prá sorrir
Até o dente
E se comovo
É nova mente.

Contra tempo
Entre e tente
Contraprovo
Que alegria é
Ex-poente.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Dos rumos.

Tinha esses dias guardados como se fossem imprescindíveis. Veio o vento, o amanhecer do outro dia, uma folha que caiu, uma curva que mudou e nenhum rumo mais se encontra perto daquelas esperanças urgentes de ontem. E as coisas pareciam ser tão mais precisas. Eu continuo assim completamente densa, mas as coisas me atravessam cada vez mais líquidas. O pensamento segue assim, fluido, se ajeitando às expectativas. Você mudou minhas repostas e o trilho dos meus versos. Sim. Eu quis, ardi trançando a espera dessa incandescência, e agora os pêlos sentinelas temem o aconchego das tuas mãos. É que o sempre tem uma sombra tão comprida, e essas curvas que não me deixam ver adiante. Eu, que sempre fui de horizontes. Mas eu vou conversando com as distâncias e elas me falam de tantas possibilidades, de sorrisos intensos como essas palavras, de lágrimas temperadas de tanta história, que eu quase posso provar o sabor dos próximos capítulos. Mas as nossas pegadas é que vão ditando os próximos parágrafos. E entre uma vírgula que ficou engasgada e as reticências que não me disseram nada, balanço entre exclamações buscando pontuar nossas encruzilhadas. Deve ser assim, esse tamanho todo que eu queria. Fecho os olhos e sinto tua palavra macia roçando meu cabelo, mergulho os dedos e posso sentir teu amor colorindo a minha pele. E quando eu sinto um sorriso eu abro os olhos e quase posso ver a vida, ventando nas cavalgadas, passando rápido quando a gente é feliz.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Sem estrelas...

Perdoem essa minha falta de estrelas,
Mas é que a noite desceu tão, mas tão escura.....

quarta-feira, agosto 13, 2008

Das distâncias.

E nessa falta de ar
O som abafado dos delírios
Correndo aflitos pelas janelas
Rebrilhando futuro distante
Buscando exílio desse verbo amar.

O brilho da tua lágrima
viaja anos-luz,
margeando os silêncios,
buracos-negros de inquietação par
Para rasgar meu universo ao meio,
Para tirar os versos do lugar.

E ainda que te busque
as digitais da ausência insistem
em tocar, lascivas, toda ardência.
O tempo murmura preces e promessas,
sorrateiro e esquivo em cada frase
que eu dito ao vento.

Tomo as mãos da noite,
Para riscar no avesso da história
Finais felizes que decorei
Enquanto lia os arrepios
E os sorrisos pregados na memória.

Ainda é cedo, meu amor.
Tantas pegadas
ainda nem se descolaram dos passos,
E primaveras ainda nos farão flores
para morar entre as nossas páginas.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Da solidão.

E de poema tinge a boca
Em carmim e fome louca
É nesses versos se derrama
E geme, e chama
A cada letra se arrepia
E o sexo inflama.
É nessa noite acorda a lua
Veste seu corpo a prata nua.
Nas mãos que buscam gozo,
ordinárias,
Crescem sussurros,
brotam ais imaginários
Calam vazios
Nasce o urro solitário.
Recolhe as garras
Amansa os dentes
Acende as luzes,
olha no espelho:
A sua amante
batom desfeito,
dor publicada,
borrão vermelho.

terça-feira, julho 29, 2008

Das doçuras.

Nunca houvera doce mais doce.
Você
Fosse o que fosse.

*Para Múcio Góes

terça-feira, julho 15, 2008

Quando enfim.

Quando escrever era o exercício diário
De uma dor humana, verso ordinário.

Quando a dor era uma rima constante
E te roguei cor
Prá disfarçar nosso instante.

Quando eu não quis mais rimar poemas
E vesti os teus olhos
Olhar de preces tão serenas.

Foi quando eu quis seguir só, adiante,
E os passos se perderam nos seus, bastante.

E não bastasse a dissonância
Da tua ausência, e a distância,
O coração ancorado no verso
E todo amor declarando infância.

E quando enfim olhos nos meus
entendi que meus passos são seus,
apaguei a espera e o adeus.

quarta-feira, julho 02, 2008

Até a volta.

Um universo em translação.
Trans.
Lúcido.
Toda a agitação a buscar
pá.
Ciência.
Mas é que o amor me morde,
Dor.
Avante.
Enquanto ainda estiver só,
Dê.
Mente.
Espero pra fazer sol
Ri.
dente.
Volta logo que é
terna a
mente.
Todo o amor que vi
Na
(S)cente.

segunda-feira, junho 23, 2008

Um dia eu escrevi mais ou menos assim, prá ela:

Eu passeio meu dedos pelas horas e as palavras tateiam teus fios formando renda.
Porque não é nada não. Às vezes a vida dói assim um pouquinho ou mais, quase isso de misturar céu com o sangue e ferir as imagens que não podemos mais.
Tem que ser o que cabe no abraço, senão o coração derrama, e olha a bagunça que faz!
A Briza toda derramada e eu te dissolvo num abraço apertado pra te inflar novamente num soluço de risos.
Agora:
Olhe! Foi-se teu pensamento borboleta assoprar outros risos!

Não chora ainda não
que mais ali na frente
Nós vamos cantar.
Eu sei (nunca)
Mas eu canto.

Estrela.
Prá menina bonita.


**Né, Bri?

quarta-feira, junho 11, 2008

Sobre tristeza.

Tristeza é perder os passos
Quando se tenta apontar direções.


Tristeza é aquele silêncio
Entre a sístole e a diástole.


Tristeza é alcançar a flor
E ver em seguida caírem as pétalas.


Tristeza, mesmo,
É uma agulha que alinhava as lágrimas por dentro.


Tristeza é um espaço imenso
Que nem eco encontra volta.


Tristeza é quando você tenta abraçar
E quebra ossos, versos e tentativas.


Tristeza costuma ser isso que te afasta
E te traz insuportavelmente perto,
É isso que anula enquanto precipita,
É essa ânsia de frio
Quando dentro expõe entranha
E chora.

É tudo, no entanto, que eu já não. É pranto.
É tudo que hoje cala, quando eu canto.
É tudo que silencia,
E eu, tanto.

sexta-feira, maio 30, 2008

Do amor pleno.

Eu queria trançar nas fibras do papel esse amor.
Eu queria saber dizê-lo, contorná-lo.
Queria conhecer sua forma e suas margens.

Mas é tão longe o horizonte
E eu aqui no meio do sentir, tão submersa.
Tão à revelia do para sempre.
É certo que as palavras fugiram de mim,
Subiram como hera sobre a respiração
Trancando os versos, a necessidade solene
De encadear belezas sobre a fibra virgem.

Eu me rendo,
Eu já sou tão sua.
Amor que me assoma,
Alma já tão nua.

Eu sigo meus passos,
Meu passo é dentro,
A solidão em coma
E essa certeza crua.

quarta-feira, maio 07, 2008

Dos silêncios.

É a poesia que me assoma,
Que me salva.
Mas intensidade também
Precisa pausa.


**Mesmo porque, agora,
fiz um pacto com o destino:
Ele me devolve o sorriso,
E eu adoço as cores que rimo!

quinta-feira, maio 01, 2008

Morde.

Saudade tanta, assim

que late, late

E às vezes morde.

quarta-feira, abril 23, 2008

Naufrágio.

Meu coração é hoje um naufrágio,
é todo peso e profundeza
arrastando consigo meus olhos,
meus pensamentos e minhas vontades.

Meu coração hoje tem toda a agonia das marés
O desespero nebuloso das tempestades,
A melancolia das raízes que descobrem o ar.

Meu coração é hoje a tua ausência,
Recolhido em trovoadas rabugentas
para pensar.

Meu coração é hoje meu naufrágio,
e vai tão cansado
de busc_a(r)_ mar.

segunda-feira, abril 14, 2008

Não venceu a maldade?

O que é que se faz
Quando tudo o que se inventa
tem o mesmo cheiro?
Todas as podres delícias,
que tem início em Janeiro
e assim empesteiam o ar
pelo ano inteiro.
Assim.
De um lado, a acidez maldosa
do outro, o espelho.
De humano basta.
E de onde vem?
Sobe pelas narinas
essa sensação nauseante
a consciência ferina
dessa nódoa estampada
em cada pensamento
e a cada dia refeita.
Não venceu, a maldade?
Não infiltrou-se,
silenciosamente,
buscando abrigo em cada dúvida,
em cada fração de humanidade,
em cada ocasião,
fazendo corruptíveis
todas as células e ações,
emoções e nervos?
Não venceu a maldade,
substituindo os valores,
alimentando fomes fúteis,
violando tratados selados
pelo coração dos homens?
Eu busco a resposta negativa,
Mas em seu lugar,
acena o silêncio.

quarta-feira, março 26, 2008

Dentro da linha.

Verso me vive
Inventa a vez,
Destila a voz.
Vacina fez
De duvidar,
Feroz.
Verso me vive
No vácuo do vôo
Anulo o solstício,
Engulo, entôo,
Um verso físico
Prá me lançar na foz.
Verso me vive
Vicia o cio
Morde na risca
O que não perdôo.
Verso me vive
A singrar as sínteses,
Verbalizando a dor.
Verso me vive
E em rimar
insiste a cor.

terça-feira, março 11, 2008

Livre.

Eu ouso.
Você não.

Eu repouso.
Você, tensão.

Eu, ou.
Você são.

Você pouso.
Eu avião.

Você tenta...
E eu te(a)nt(a)ção.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Minifesto.

Profundamente a ponteira aperta o peito, afundando a angústia como um grande parafuso enferrujado e lento apreciando o revolver dessas coisas tão imensas. Enquanto isso um pássaro canta fora de hora, na indústria é preciso destruir ovos, ninhos e filhotes dos pássaros sem controle que infestaram o forro e os beirais. Sem controle. É que já não há lugar para corujas, lagartos, gaviões. A paisagem dobrou-se para agradar aos pés do seu insensato mestre. O mesmo mestre que vai pagar altíssimos preços por suas próprias obras, como num capricho de narcisismo irrefutável. Eu vou aqui me apequenando ao som das horas, sabendo o amor próximo, a vida bela e curta. Preciso muito ser egoísta, fugir depressa das garras da consciência que me acusa incansavelmente, “humana”, “humana”, “humana”. Eu preciso esquecer a crueldade para apreciar os sabores, preciso esquecer o lamento das águas para apreciar a grandiosidade das represas, preciso urgentemente parar com isso, isso de tentar justificar o mundo frente ao espelho. Eu sou a menor parte. Eu queria esquecer que a esfera transformou-se numa panela fechada, que vai esquentar, ferver e evaporar até secar. Ou ainda haverá descuidos, antes. E aprender a cerrar os olhos e sonhar milagres, porque eu vivo os milagres todo dia. O amor, o saber, o sorriso. Mas eu. Eu sou a menor parte. E eu sangro.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Profissão

Verso,

Meu vício:

Do amor,

Ofício.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Exílio interno.

Longe, tão longe,
tantas milhas abaixo da alma.
Essa vida abafada,
Esse som rouco de hora que não passa.

Esse quê arranhando as paredes,
dores antigas ruborizando
florescências sobre a pele.

Cansaço permanente de escuro morno,
Reunião abissal das coisas que nos sentem.


Um rio sem deitar leito me agita,
Ave sem retorno descubrindo aridez no ninho.
E de alado pensamento entôo
Esse cantar diário sem primavera que abrigue.

Quando de repente se esquece o caminho,
E perder-se seria questão de um rumo.
Apenas esse cair constante, e eu nem chuva,
eu, como chumbo soldando, sangro.

Com meu peso de todas as ausências

vou quedando tudo o que sou,
À revelia das distâncias pontuo,
Sem me encontrar reticências.

É quando me ensurdece o silêncio

Dobrando cada esquina de noite,
E em nada sôo.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Dois prá lá...

As duas mãos sobre o coração frágil, apertando.
Sufocamento quase inevitável.

As tristezas em suicídio coletivo,
Atirando-se do mais alto dos olhares.

Enquanto você não vem,
eu vou separando os dias,
dois prá lá, vem prá cá.

sábado, janeiro 05, 2008

É você.

O que, como te dizer?

Que você foi crescendo dentro dos meus dias até preencher todos os espaços?
Que a tua falta é a latência permanente, um silêncio que grita, um vazio que sente?

Já houve o momento em que eu pensei que eu tinha inventado todo esse sentimento em mim. Já houve o momento de confusão, seguido de dor. Uma dor aguda que eu não podia entender. Aos poucos pude recobrar o fôlego e fixar de novo os olhos prá de novo poder ver. É você. Sempre foi você. Só pode ser você. E a história toda dolorida e encantada, como tinha de ser prá fixar as tuas raízes bem fundo, onde eu nem pudesse mais saber se era eu ou você. Então, um só.
Eu não discuto mais com o destino. Ele me trouxe você, apesar de qualquer distância. A vida me entregou de bandeja o grande amor, pelo qual vivem e morrem todos os seres.

Essa ausência vai bordando cicatrizes dentro, e as lágrimas tentam levar a dor: ao mesmo tempo eu abro meu maior sorriso, prá você, por você porque você. E é feliz quem tem saudade, quem pode sentir rasgar-se por inteiro, porque sabe que será. Esse amor veio prá realizar, acontecer, ser inteiro.

AMO você assim, maior e permanente, o amor que caminhou todos os versos e espantou todo meu sono. AMO você assim, com todo fio dos sentidos e a amplitude dos minutos, estancados do meu pulso no momento em que ousamos ressonância.