segunda-feira, janeiro 28, 2008

Exílio interno.

Longe, tão longe,
tantas milhas abaixo da alma.
Essa vida abafada,
Esse som rouco de hora que não passa.

Esse quê arranhando as paredes,
dores antigas ruborizando
florescências sobre a pele.

Cansaço permanente de escuro morno,
Reunião abissal das coisas que nos sentem.


Um rio sem deitar leito me agita,
Ave sem retorno descubrindo aridez no ninho.
E de alado pensamento entôo
Esse cantar diário sem primavera que abrigue.

Quando de repente se esquece o caminho,
E perder-se seria questão de um rumo.
Apenas esse cair constante, e eu nem chuva,
eu, como chumbo soldando, sangro.

Com meu peso de todas as ausências

vou quedando tudo o que sou,
À revelia das distâncias pontuo,
Sem me encontrar reticências.

É quando me ensurdece o silêncio

Dobrando cada esquina de noite,
E em nada sôo.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Dois prá lá...

As duas mãos sobre o coração frágil, apertando.
Sufocamento quase inevitável.

As tristezas em suicídio coletivo,
Atirando-se do mais alto dos olhares.

Enquanto você não vem,
eu vou separando os dias,
dois prá lá, vem prá cá.

sábado, janeiro 05, 2008

É você.

O que, como te dizer?

Que você foi crescendo dentro dos meus dias até preencher todos os espaços?
Que a tua falta é a latência permanente, um silêncio que grita, um vazio que sente?

Já houve o momento em que eu pensei que eu tinha inventado todo esse sentimento em mim. Já houve o momento de confusão, seguido de dor. Uma dor aguda que eu não podia entender. Aos poucos pude recobrar o fôlego e fixar de novo os olhos prá de novo poder ver. É você. Sempre foi você. Só pode ser você. E a história toda dolorida e encantada, como tinha de ser prá fixar as tuas raízes bem fundo, onde eu nem pudesse mais saber se era eu ou você. Então, um só.
Eu não discuto mais com o destino. Ele me trouxe você, apesar de qualquer distância. A vida me entregou de bandeja o grande amor, pelo qual vivem e morrem todos os seres.

Essa ausência vai bordando cicatrizes dentro, e as lágrimas tentam levar a dor: ao mesmo tempo eu abro meu maior sorriso, prá você, por você porque você. E é feliz quem tem saudade, quem pode sentir rasgar-se por inteiro, porque sabe que será. Esse amor veio prá realizar, acontecer, ser inteiro.

AMO você assim, maior e permanente, o amor que caminhou todos os versos e espantou todo meu sono. AMO você assim, com todo fio dos sentidos e a amplitude dos minutos, estancados do meu pulso no momento em que ousamos ressonância.