segunda-feira, janeiro 28, 2008

Exílio interno.

Longe, tão longe,
tantas milhas abaixo da alma.
Essa vida abafada,
Esse som rouco de hora que não passa.

Esse quê arranhando as paredes,
dores antigas ruborizando
florescências sobre a pele.

Cansaço permanente de escuro morno,
Reunião abissal das coisas que nos sentem.


Um rio sem deitar leito me agita,
Ave sem retorno descubrindo aridez no ninho.
E de alado pensamento entôo
Esse cantar diário sem primavera que abrigue.

Quando de repente se esquece o caminho,
E perder-se seria questão de um rumo.
Apenas esse cair constante, e eu nem chuva,
eu, como chumbo soldando, sangro.

Com meu peso de todas as ausências

vou quedando tudo o que sou,
À revelia das distâncias pontuo,
Sem me encontrar reticências.

É quando me ensurdece o silêncio

Dobrando cada esquina de noite,
E em nada sôo.

9 comentários:

Juliana Caribé disse...

Gostei muito daqui. Parabéns pelo blog!

Beijos.

Colombina* disse...

Você traduz meu buraco na alma sem ao menos saber quem eu sou.

Muito bom esse teu espaço

Andressa disse...

Lindo poema, blog maravilhoso, parabens!

Elpidio disse...

Juro que um dia, eu vi um homem ser feliz.

PAZ

camila disse...

triste, estrela. beleza em cada curva, apesar. me deu ânsia de ligar o interruptor da luz... beijo grande, saudades sempre.

Paula Calixto disse...

Até no silêncio pode-se ouvir sons que se quer abafar a todo custo.

Beijos, flor.

meu paredro disse...

..quando os suportes podem ser perdidos a qualquer buraco, a vida acaba sendo mesmo o manejo (desajeitado) das vertigens.

Lubi disse...

Poxa, Juliana.

Saudade de você.

E me repito.

Sandra Regina de Souza disse...

Poema bom onde se exilar... quero um canto nessa saudade! beijos