terça-feira, fevereiro 26, 2008

Minifesto.

Profundamente a ponteira aperta o peito, afundando a angústia como um grande parafuso enferrujado e lento apreciando o revolver dessas coisas tão imensas. Enquanto isso um pássaro canta fora de hora, na indústria é preciso destruir ovos, ninhos e filhotes dos pássaros sem controle que infestaram o forro e os beirais. Sem controle. É que já não há lugar para corujas, lagartos, gaviões. A paisagem dobrou-se para agradar aos pés do seu insensato mestre. O mesmo mestre que vai pagar altíssimos preços por suas próprias obras, como num capricho de narcisismo irrefutável. Eu vou aqui me apequenando ao som das horas, sabendo o amor próximo, a vida bela e curta. Preciso muito ser egoísta, fugir depressa das garras da consciência que me acusa incansavelmente, “humana”, “humana”, “humana”. Eu preciso esquecer a crueldade para apreciar os sabores, preciso esquecer o lamento das águas para apreciar a grandiosidade das represas, preciso urgentemente parar com isso, isso de tentar justificar o mundo frente ao espelho. Eu sou a menor parte. Eu queria esquecer que a esfera transformou-se numa panela fechada, que vai esquentar, ferver e evaporar até secar. Ou ainda haverá descuidos, antes. E aprender a cerrar os olhos e sonhar milagres, porque eu vivo os milagres todo dia. O amor, o saber, o sorriso. Mas eu. Eu sou a menor parte. E eu sangro.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Profissão

Verso,

Meu vício:

Do amor,

Ofício.