quarta-feira, abril 23, 2008

Naufrágio.

Meu coração é hoje um naufrágio,
é todo peso e profundeza
arrastando consigo meus olhos,
meus pensamentos e minhas vontades.

Meu coração hoje tem toda a agonia das marés
O desespero nebuloso das tempestades,
A melancolia das raízes que descobrem o ar.

Meu coração é hoje a tua ausência,
Recolhido em trovoadas rabugentas
para pensar.

Meu coração é hoje meu naufrágio,
e vai tão cansado
de busc_a(r)_ mar.

segunda-feira, abril 14, 2008

Não venceu a maldade?

O que é que se faz
Quando tudo o que se inventa
tem o mesmo cheiro?
Todas as podres delícias,
que tem início em Janeiro
e assim empesteiam o ar
pelo ano inteiro.
Assim.
De um lado, a acidez maldosa
do outro, o espelho.
De humano basta.
E de onde vem?
Sobe pelas narinas
essa sensação nauseante
a consciência ferina
dessa nódoa estampada
em cada pensamento
e a cada dia refeita.
Não venceu, a maldade?
Não infiltrou-se,
silenciosamente,
buscando abrigo em cada dúvida,
em cada fração de humanidade,
em cada ocasião,
fazendo corruptíveis
todas as células e ações,
emoções e nervos?
Não venceu a maldade,
substituindo os valores,
alimentando fomes fúteis,
violando tratados selados
pelo coração dos homens?
Eu busco a resposta negativa,
Mas em seu lugar,
acena o silêncio.