segunda-feira, abril 14, 2008

Não venceu a maldade?

O que é que se faz
Quando tudo o que se inventa
tem o mesmo cheiro?
Todas as podres delícias,
que tem início em Janeiro
e assim empesteiam o ar
pelo ano inteiro.
Assim.
De um lado, a acidez maldosa
do outro, o espelho.
De humano basta.
E de onde vem?
Sobe pelas narinas
essa sensação nauseante
a consciência ferina
dessa nódoa estampada
em cada pensamento
e a cada dia refeita.
Não venceu, a maldade?
Não infiltrou-se,
silenciosamente,
buscando abrigo em cada dúvida,
em cada fração de humanidade,
em cada ocasião,
fazendo corruptíveis
todas as células e ações,
emoções e nervos?
Não venceu a maldade,
substituindo os valores,
alimentando fomes fúteis,
violando tratados selados
pelo coração dos homens?
Eu busco a resposta negativa,
Mas em seu lugar,
acena o silêncio.

5 comentários:

camila disse...

você é enorme, ju. lindo!

e aliás, em que céu vc anda? nunca mais... saudade.

beijo, estrela.

Delon disse...

vai vencendo, uma vitória iminente, grandiosa, mas sempre inconclusa... e, na utopia, reversível.

Lubi disse...

"Mas em seu lugar,
acena o silêncio."

Você sabe.

Um beijo.

André Lasak disse...

Rayanne... eu nasci em janeiro, hehehe.

Tudo bão? Como vão as coisas?

Aproveito para avisar que, depois de uns meses, voltei à ativa com o Quimera Ufana...

Apareça por lá pra tomar uma cervejinha, ok?

Beijão!

Phillipe Lima disse...

hehehe não tinha visto esse poema ainda... realmente, isso é escrever MUITO!