segunda-feira, junho 23, 2008

Um dia eu escrevi mais ou menos assim, prá ela:

Eu passeio meu dedos pelas horas e as palavras tateiam teus fios formando renda.
Porque não é nada não. Às vezes a vida dói assim um pouquinho ou mais, quase isso de misturar céu com o sangue e ferir as imagens que não podemos mais.
Tem que ser o que cabe no abraço, senão o coração derrama, e olha a bagunça que faz!
A Briza toda derramada e eu te dissolvo num abraço apertado pra te inflar novamente num soluço de risos.
Agora:
Olhe! Foi-se teu pensamento borboleta assoprar outros risos!

Não chora ainda não
que mais ali na frente
Nós vamos cantar.
Eu sei (nunca)
Mas eu canto.

Estrela.
Prá menina bonita.


**Né, Bri?

quarta-feira, junho 11, 2008

Sobre tristeza.

Tristeza é perder os passos
Quando se tenta apontar direções.


Tristeza é aquele silêncio
Entre a sístole e a diástole.


Tristeza é alcançar a flor
E ver em seguida caírem as pétalas.


Tristeza, mesmo,
É uma agulha que alinhava as lágrimas por dentro.


Tristeza é um espaço imenso
Que nem eco encontra volta.


Tristeza é quando você tenta abraçar
E quebra ossos, versos e tentativas.


Tristeza costuma ser isso que te afasta
E te traz insuportavelmente perto,
É isso que anula enquanto precipita,
É essa ânsia de frio
Quando dentro expõe entranha
E chora.

É tudo, no entanto, que eu já não. É pranto.
É tudo que hoje cala, quando eu canto.
É tudo que silencia,
E eu, tanto.