quarta-feira, agosto 13, 2008

Das distâncias.

E nessa falta de ar
O som abafado dos delírios
Correndo aflitos pelas janelas
Rebrilhando futuro distante
Buscando exílio desse verbo amar.

O brilho da tua lágrima
viaja anos-luz,
margeando os silêncios,
buracos-negros de inquietação par
Para rasgar meu universo ao meio,
Para tirar os versos do lugar.

E ainda que te busque
as digitais da ausência insistem
em tocar, lascivas, toda ardência.
O tempo murmura preces e promessas,
sorrateiro e esquivo em cada frase
que eu dito ao vento.

Tomo as mãos da noite,
Para riscar no avesso da história
Finais felizes que decorei
Enquanto lia os arrepios
E os sorrisos pregados na memória.

Ainda é cedo, meu amor.
Tantas pegadas
ainda nem se descolaram dos passos,
E primaveras ainda nos farão flores
para morar entre as nossas páginas.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Da solidão.

E de poema tinge a boca
Em carmim e fome louca
É nesses versos se derrama
E geme, e chama
A cada letra se arrepia
E o sexo inflama.
É nessa noite acorda a lua
Veste seu corpo a prata nua.
Nas mãos que buscam gozo,
ordinárias,
Crescem sussurros,
brotam ais imaginários
Calam vazios
Nasce o urro solitário.
Recolhe as garras
Amansa os dentes
Acende as luzes,
olha no espelho:
A sua amante
batom desfeito,
dor publicada,
borrão vermelho.