segunda-feira, setembro 08, 2008

Dos rumos.

Tinha esses dias guardados como se fossem imprescindíveis. Veio o vento, o amanhecer do outro dia, uma folha que caiu, uma curva que mudou e nenhum rumo mais se encontra perto daquelas esperanças urgentes de ontem. E as coisas pareciam ser tão mais precisas. Eu continuo assim completamente densa, mas as coisas me atravessam cada vez mais líquidas. O pensamento segue assim, fluido, se ajeitando às expectativas. Você mudou minhas repostas e o trilho dos meus versos. Sim. Eu quis, ardi trançando a espera dessa incandescência, e agora os pêlos sentinelas temem o aconchego das tuas mãos. É que o sempre tem uma sombra tão comprida, e essas curvas que não me deixam ver adiante. Eu, que sempre fui de horizontes. Mas eu vou conversando com as distâncias e elas me falam de tantas possibilidades, de sorrisos intensos como essas palavras, de lágrimas temperadas de tanta história, que eu quase posso provar o sabor dos próximos capítulos. Mas as nossas pegadas é que vão ditando os próximos parágrafos. E entre uma vírgula que ficou engasgada e as reticências que não me disseram nada, balanço entre exclamações buscando pontuar nossas encruzilhadas. Deve ser assim, esse tamanho todo que eu queria. Fecho os olhos e sinto tua palavra macia roçando meu cabelo, mergulho os dedos e posso sentir teu amor colorindo a minha pele. E quando eu sinto um sorriso eu abro os olhos e quase posso ver a vida, ventando nas cavalgadas, passando rápido quando a gente é feliz.

5 comentários:

Paco disse...

Ê mulher, Clarice Lispector está ficando para trás desse jeito.

Gosto desse teu jeito misterioso e revelador que vc escreve...

Dá pra saber o que está acontecendo, mas nem dá pra imaginar como.

É perfeito.

A tua espera, ao menos, já rendeu um livro inteiro.

Phillipe Lima disse...

É tudo no vivo. Autêntico. Nunca acreditei nas autenticidades,enquanto elas sejam apenas o mais próximo da verdade (porque não há verdade). Sou todo subversão, e também nisso mal acredito.
Nada mais de acordo do que você subverter o meu poema.
Mas no fim das coisas, o sol e a borboleta não têm nada de velhos. O que a gente pensa deles, e o que eles nos siginificam, é que pode ser velho ou novo.
Me entrego à subversão dos significados porque eles não são nada mais do que a nossa percepção do mundo, e eu não quero uma percepção inflexível.

camila disse...

suspiro. admiro. quero tão bem. eu figuro cada palavra dela, eu posso sentir de cá a felicidade pulsando. ai... coisa mais linda!

Moca disse...

que mania essa de levar tão a sério um coisa boba como ser feliz, né?
mas é bom, é muito bom.
e tende a ser tão rápido às vezes, que é capaz de acontecer e a gente nem perceber...

Sandra Regina de Souza disse...

Ei, moça! mergulhei nessa densidade... feita de silêncio e saudade... de doer... à espera de um novo amanhecer! Bom te ler! beijos