quinta-feira, novembro 27, 2008

Palavras...

Tem aqueles dias de palavras mansas
que sozinhas montam sonetos.

Tem aqueles dias vermelhos,
onde você solta a palavra no vento

E corre para salvar os calcanhares.

Tem aqueles dia que as palavras não dizem,
Calam-se abraçando olhares,

E tem aqueles dias
Minhas palavras deslizam macias na tua língua,
escrevendo volúpias no céu da boca.

Tem dias em que palavras,
são o cultivo milenar das horas
florindo vocábulos distraídos.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Amor em papel e caneta.

E dentro do papel a velha espera,
Um emaranhado de fibras vorazes pede tinta.

A caneta inocente entrega-se ao beijo, morte lenta,
à brancura angelical e às linhas frescas.

O papel, de diabólicas imagens suga-lhe a seiva,

Bebe o céu contido nesses beijos,
Se declara e oferece o peito aberto.


Envolvida e misturada ao seu anseio,

Beija e se declara, comovida

Mil versos de paixão mal resolvida,

Para entregar, num suspiro derradeiro,

Todo seu mel ao papel tão traiçoeiro,
Que lhe arrebata, enfim, o azul inteiro.

domingo, novembro 16, 2008

Cão sem dono.

A poesia é uma cão sem dono,
vagando a liberdade abandonada das veias.

As metástases desse sentimento empoemado,
a febre que nos rodeia, a palavra que ergue os dentes,
do verso que dilacera o juízo e espuma ausências.

E depois vem poema, lambendo as reticências,
abanando incertezas nos olhos tristes de espera.

A poesia é cão sem dono e sem abrigo,
esse cão itinerante das vontades,
uivando a solitude dos sentidos.

quarta-feira, novembro 12, 2008

E quando as palavras tépidas
esbarrarem sussurros no teu arrepio
Eu vou escorregar dentro
dos teus olhos, cordilheiras,
E vou alçançar o horizonte
pela fresta dos teus medos.
À noite, quando a febre visitar tua insônia
Beberei dos teus dedos a fúria dos sentidos
Inquietando ondulações da táctil alma.
Depois, lento, o sabor invadindo tua veia
O calor à espreita na tocaia
E a vida, armando sua teia.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Momentos.

Tudo tão,
e eu nem.
Tudo enfim,
você, também.
Tudo então,
aqui, ninguém.
Tudo assim,
e sem porém
Em silêncio,
Repito: amém.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Círculos.



Essa eternidade agarrada aos nossos dedos.
_____________________aos nossos medos.

Essa eternidade engole por um instante a sombra.
____________________por um instante assombra.

Esse eternidade que nunca fez segredo, é sua.
_______________________________é minha.

Essa eternidade é um círculo,
E pode ser o amor, um conceito.
Pode ser que.
Escrevam.
Discutam.
Teorizem.
Esperneiem.

Mas o que eu sei dor amor,
_____________________só soube,
___________________________amando.