domingo, novembro 16, 2008

Cão sem dono.

A poesia é uma cão sem dono,
vagando a liberdade abandonada das veias.

As metástases desse sentimento empoemado,
a febre que nos rodeia, a palavra que ergue os dentes,
do verso que dilacera o juízo e espuma ausências.

E depois vem poema, lambendo as reticências,
abanando incertezas nos olhos tristes de espera.

A poesia é cão sem dono e sem abrigo,
esse cão itinerante das vontades,
uivando a solitude dos sentidos.

4 comentários:

Octavio Roggiero Neto disse...

a sua tem pedigree! a minha, pobre vira-latinha...

ouço sempre o uivo noturno das solidões, tão triste como um olhar abandonado!

afagos na orelha de seu poema!

camila disse...

e late mais quando cai a escuridão da noite.

saudades suas. um beijo enorme!

Mr. Ziggy disse...

O que eu sei é que a poesia tem corpo. E o corpo dela é o olhar dos outros. Beijo!

J.F. de Souza disse...

A Poesia é solta
para uivar livremente
à luz da lua
cheia


***Estrelas e caes uivantes***