segunda-feira, junho 29, 2009

Dos desejos.

Ser mais aguda
Que os picos da palavras

Mais cortante
Que a lâmina das dúvidas,

Mais incandescente
Que o gozo das caladas;

Eu quero

Essa força avassaladora
dos silêncios
Quando escalo por entre as letras
A alma nua.
Escorrego entre os dentes
E em sibilos acaricio a lingua tua
Se me pronuncias
No desalinho destes versos.

E no aconchego
ao frio dos estômagos vários
me tomo de paixão e denuncio
Antes do ponto, arrepio e precipito
Pontuando lágrima
Enternecida deste grito.

quarta-feira, junho 24, 2009

Das incertezas mudas.

Trago nuvens no estômago
e presságios bolinando as veias.

O coração esmurra o peito
querendo fugir à prisão das horas;

Tudo é nada, é silêncio.
Esse algo dando voltas
Sobre as margens conhecidas.

Tento entender porque você não ouviu
as reticências estridentes no meu olhar.
Tento descobrir se você não sentiu
que era preciso tão mais
que sonhar.

Volto ao círculo de impaciências
Que envolve o meu cansaço
E ata a minha urgência.

Sigo estes movimentos desordenados
e os silêncios agudos me perfuram,
Sem me responder nada.

quarta-feira, junho 17, 2009

Destes silêncios.

O tempo
Estalando seus braços de metal
Envolvendo ritmos e esperas.
As possibilidades
Armando botes,
Afiando as unhas
Na pele machucada
Das intensidades.

segunda-feira, junho 08, 2009

Dos escuros.

Ou vir
da escuridão
nódoas de sereno

Adentrar o escuro,
Vir ou
Veneno.