sexta-feira, dezembro 24, 2010

FELIZES SEMPRES.

Enquanto as palavras somem
Sei que voam livres e anamoradas
Altas, doces e desgarradas,
Inventando novas cores, gargalhadas
Para quando retornem às pontas dos meus dedos
Leves e coradas.

Enquanto as palavras somem dos meus dedos
Descrevem abraços e carinhos imaginários
Que a vocês,
Amigos, irmãos, poetas, almas pensantes,
Dedico e dedilho em sono e sonho, embora poucos,
Do meio da correnteza farta das rotinas.

As coisas me exigem mais do que desenhei,
Mas é bonita a paisagem ligeira que vão escrevendo as passagens.
Tão logo diminua o ritmo veloz das corredeiras
As estrelas vão pontuar novamente,
Ao invés de riscar o céu de desejos breves.

O amor é latente.

Sejam felizes, sempre!

terça-feira, novembro 23, 2010

Rotina.

E ainda
Sempre
Sem pressa,
Precisando mesmo
sem presságios,
ser.

quinta-feira, novembro 11, 2010

A esta hora....

A esta hora vivida
Nem poesia me abriga.

(nem obriga)

quinta-feira, outubro 14, 2010

As palavras.

De meu, trago as palavras.
Não as criei, mas sei dar-lhes aquele sopro
Que coloca cor nas suas linhas e movimento aos corcoveios.

As palavras são a minha máscara
minha espada,
meu escudo,
minha capa, minhas flores,
e serão minha mortalha.

Palavras me detém
Me contém e me suprem.
Das palavras vou além
E depois torno,
Quando convém.

Essas palavras, bem costuradas,
Se calam, me vestem,
E ao dizer me despem
Para depois saciadas,
dormirem, calmas,
porque me têm.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Das metades.

Isso de querer rasgar o coração na metade
E viver duas metades num mesmo tempo.
Isso de ser duas e não ser nenhuma,
De querer bem e fazer mal,
Isso de não saber comum,
Isso que não é normal.

Isso de alinhavar o destino com linhas de esperança,
Esperança de reencontrar o caminho fundo
Que as raízes que eu tenho buscam dentro.
Isso de precisar voltar sem ainda ter ido,
Isso de sentir que meu sentir é partido,
E que não encontra lugar.

Isso de querer ser inteira e uma contigo
E sentir que pulsam quentes 
as veias ramificadas
que comigo divido.

Isso dói.

terça-feira, setembro 28, 2010

IMPORTANTE!!!

Gente,

Votem no Múcio Góes. Não só porque ele é um solzinho.
Mas também porque é um dos melhores poetas que conheço.


CONCURSO FLIPORTO DIGITAL

ESTRELAS prá vocês!

quarta-feira, setembro 22, 2010

Pausa de cortantes brancos...

O silêncio senta dentro dos olhos
E com mãos azuladas traça arcos de fúria.
Fúria, sim. Rubra e turva de inquietudes.
Parte no ar suas espirais e deixa tingir
o colo, do escarlate agonizar das horas.
O silêncio de mãos longas e azuis
Redesenha os contornos frágeis das lágrimas
Que ameaçam partir-se à melodia dos prantos.

O silêncio de mãos tão azuis
Dentro da minha pausa entre cortantes brancos.
Eu ainda posso ouví-lo partindo espirais
Mas já não posso respirar
Sufocada pela ressonância que arrebenta as margens.

quarta-feira, setembro 15, 2010

EM TEMPO.

Unir versos e mãos
Na pausa momentânea do tempo:
Nossos minutos de ponteiros colados

Calados, encontram tempo.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Distante?

Distante
Diz tanto,
Esse jeito
Inconstante
De amar.

Diz tanto
Que até te escuto
Pensar.

Distante tuas mãos,
Embora me abrace
O olhar.

Diz tanto
Distante
Que já nem preciso ligar:
Basta que o pensamento,
Pouse em teu nome,
Feito um sopro sozinho,
Que já te escuto chamar.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Das saudades.

Sinto falta de mim.
Sinto falta de vocês.

Sinto falta do brilho
De todos os sorrisos
Que já passaram pelos lábios.

Estive olhando fotos
E descobri
O quanto a gente é feliz
E nem sabe.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Vírus.

Relógio-precipício.
Um tique-taque azedo
Arranhando a garganta.

Cada ponteiro
Sugando afiado
A vida das minhas veias.

O peito respira fraco, sem vontade.
Algumas palavras, depois que entram nos ouvidos,
Se assemelham a vírus, infectando as células.
Uma à uma.

Parasita do que queria ser felicidade...

O tempo vai passando,
o vírus se espalhando
e eu não encontro antídoto.
Vacina.
Remédio que controle a dor.

Algumas palavras
Deviam
Ser erradicadas.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Afasta das minhas mãos

O frio que insiste em rendar as madrugadas.

Afasta do meu peito

O vazio que me procura com os olhos de fome.


Aqui nesse nosso mundo

Eu consigo ser feliz e rir com os pássaros

E seguir lá na frente

Os passos rápidos da esperança.


Mas eu estive lá fora novamente, amor.

Eu nem sei, não resisto.

E a realidade machucada das coisas

A brutalidade dos sentimentos acinzentados

Essa aspereza na superfície dos olhares.

Essas coisas tão sem fundo, tão poucas de si,

E o barulho ensurdecedor das horas rolando,

O tique-taque surdo dos corações tombando,

E a pele parecendo quebrar sob o peso das aparências.

E a incapacidade que eu tive de respirar

Aquela fumaça densa que contornava os princípios.


Eu voltei assim, amor,

Consegui ouvir a tua voz doce sob a cortina de estilhaços.

Mas segue em mim esse descompasso

O que sei, o que sou, o que há.

Eu trouxe comigo essa perturbação,

Essa pobre impotência aninhada em meus braços,

E aquele velho cansaço, feito pixe nos calcanheres...


Desculpa, amor.

É em mim o poema, querendo voar além

Eu não resisto a tentar abrir as portas...

quinta-feira, julho 15, 2010

CONTRA O TEMPO

Sopro de concentrações,
Forca dos minutos que me excedem
Que escorrem tênues e gastos,
Pela borda afiada dos meus dentes.
Pela borda sempre
Em que desgasto a suculenta impaciência
nesse abismo de estrelas tantas.

Abro a porta do peito pro temporal
Tentanto engolir o vento e tornar

A temporal.

sexta-feira, julho 02, 2010

Dores, poemas.

Poeta finge dor?
Ou é o poema,
Esse alfinete de estrelas
Se enterrando fundo
No centro da palavra vazia
Até sangrar seu lugar?

Poeta fingidor...
Talvez seja o poeta
Esse ator do sentir
Vestindo as paisagens alheias
Para o sentir fotografar.

A dor vai de mãos com poeta,
E não me entenda mal,
Nem toda dor é feia,
Tem dor que dói de tanto brilhar.
Tem dor feita assim pro poema
Poder, findo, desabrochar.

terça-feira, junho 29, 2010

Ri Mar.

Essa sisma de rimar
o rir e o mar
Só prá
Te encontrar.

quinta-feira, junho 17, 2010

Libertação.

Abrir as janelas da alma num dia de sol
Libertar toda a metamorfose acumulada
Dentro do estômago.

quarta-feira, junho 09, 2010

"..."

Entre aspas
Saber tornar
Ex-tensões.

quinta-feira, maio 27, 2010

Entre as pás.

Um ser humano.
Ilha cercada de escuro
por todas as partes.
Uma pedrada
Um grito no escuro
A imperfeição
De todas as artes.

Um ser humano.
A espiar o futuro,
Entre risos e enfartes.
Um golpe de espada
A cara no muro
A comunhão
Desses rubro estandartes.

Um coração.
Um silêncio duro,
Pulsando escarlate.
Uma dor espalmada
Um amor puro
E a decisão
Que essas vidas reparte.

segunda-feira, maio 17, 2010

Na falta de versos...

E se por acaso atrapalhar você
Essa desastrada falta de versos
Ignore, não esboce gestos
Que o mal incerto das palavras
Talvez volte a pinicar
Já que não temos assim dias certos
Para brilhar.

quarta-feira, maio 05, 2010

Artista.

Se atreve
Os dedos emaranhados
Entre o nascer do sol e a tempestade.

Se atreve,
A vida cavalgando mergulhos
Na boca do estômago aberta em susto.

Se atreve:
O azul tingindo as pupilas,
A exposição colossal do artista.

Se atreve...
Rubra boca
Numa prece que não se acabe
Esse mundo, essa vida, essa sensação tão louca.

Se é febre,
Veste os delírios.
Que o tempo é curto, e avida tão pouca.

Se eleve,
acima do cansaço, das vertigens, da fumaça
Onde Ele pulsa, derramando as cores

Obra perfeita onde pixamos dores.

segunda-feira, abril 26, 2010

Concha.

Acredito,
não sou das pessoas piores
provavelmente nem melhores
ainda assim,
acredito, eu tento
sinto, não invento
e mágoa é dor fina
espeta a gente por dentro.

Acredito
na flor das esperas
tentativas deveras
nesse mundo de feras.
Egoísta não sou...
(acredito)
(tento)
Mas nas palavras
lanças
atravessando
as crenças.

Nunca pretendi sê-lo.

Apenas tenho dores
às vezes quero ser pequena
ajeitar-me num colo
que no meu não me caibo.

A imagem que eu bordei na porta
Forte o suficiente
Para sustentar o sorriso,
Abriga tantos abraços e carinhos
Quanto comporta meu abrigo:
Só não comporta
Meus próprios passos.
e eu também preciso,
embora quase sempre eu cale...

quarta-feira, abril 07, 2010

COM CIÊNCIA.

Compre
Compre
Compre
Consuma, é a ordem
Maioria geral.
Come, nem sente, consente
Inconsciente.

O lixo se acumula pelos cantos
O luxo sobe escadas e entretantos
O relaxo nos empurra aos solavancos.

E em algum lugar do planeta
Alguém rasura, censura a letra
Forja os grilhões da farsa
Para que gentilmente submeta
A alma e as cores, gerações.

Em coma, ainda ciente
Não consente e esperneia o coração
Busca outras vozes que entoem oração
A bandeira já sem graça da esperança
Erga o peito e desafie o ser igual.

Seja o vento que tosse, insistente
Essa fumaça que se forma à nossa frente
Não desbote a contradança do ideal.

É o lixo, o luxo, o relaxo:
Obras postas no horizonte em que me acho
Que não desçam as cortinas do final.


quarta-feira, março 24, 2010

Do relógio.

O ponteiro, de lança em riste
Caminha sem freio:
Nem percebe que é triste!

sábado, março 20, 2010

Carta.

Você ficou desbotado
perdido no meio de alguns papéis
algumas contas vencidas,
Uma carta com marcas d'água.

Acho que te amei.
Mas o tempo amareleceu as memórias,
embotou os sentidos.

Mas a carta denuncia a paixão
urgente e sôfrega,
a inocência escarlate da entrega.

Uma pena a lembrança da paixão
Ser volátil como as declarações
que fiz, ser tênue como a chama
que aos meus olhos ardeu.

Mas a carta não teu seu nome
amado anônimo,
sem cicatriz.
Amei, talvez.
Fui quem quis.

quarta-feira, março 10, 2010

Da vida.

A condição absurda crepitando as veias.
O irreal pulsando o peito, incólume.
A química fantástica tramando suas teias.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Até o fim.

Para durar
até não restar
pedra sobre perda:
apenas pó&sia.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Por dia.

Se for prá ter um lema,
que seja um poema
por dia.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

A PENA DO GRITO.

Queria gritar
Gritar esse incômodo
O não caber
Não ajustar
O não ceder.

São palavras e palavras
formigando a língua e os dedos
abandonando
à mingua os medos.
São palavras soltas
santas, sonsas
palavras más e sãs.
São palavras
que me comem a calma
e me escrevem a alma
todas as manhãs.

Eu queria gritar
esse veneno de tinta
que escala as veias
essa febre azul que pinta
às vezes
as vozes
letra por letra
costurando-me as asas
bordando no papel
a altura do vôo.

Eu queria gritar que a poesia
Mas a mordaça de letras
Essa vontade, verbo que anestesia,
E às palavras
O meu voo
Sentencia.

Eu,

que

ria.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Desses contratempos.

Nem sei como
Encontrar tempo
Se ele me foge
A passos de eco:

falta
falta
falta...